Paulo Rangel, o candidato derrotado à liderança do PSD, vai ao 39.º congresso - que arranca hoje em Santa Maria da Feira -, dirá o que entende serem os desafios do partido, mas não deverá mexer uma palha para atrapalhar Rui Rio. Pelo menos assim nos garantem fontes que lhe são próximas e o eurodeputado social-democrata também o sublinhou de viva voz nos últimos dias. "Não é hora de divisões"..É, por isso, que não apadrinhará nenhuma das listas ao Conselho Nacional, embora alguns dos seus apoiantes possam vir a promovê-las. Havia a expectativa que Rui Rio o viesse a convidar para encabeçar a lista oficial ao Conselho Nacional do partido, tal como fez com Santana Lopes após as diretas de 2018, para dar o sinal de "unidade" que os seus opositores reclamam não ter havido na constituição de listas de candidatos às legislativas..Mas não acontecerá. Rio escolheu para cabeça de lista Pedro Roseta, um histórico militante e fundador do partido. Paulo Rangel como eurodeputado tem lugar garantido por inerência no órgão máximo entre congressos..David Justino, vice-presidente do PSD e que deverá continuar na Comissão Política Nacional de Rio, dizia ontem à Lusa esperar que o congresso seja uma reunião "animada" e com debate, mas manifestava-se convicto de que a convergência "irá sobrepor-se a eventuais diferenças" que possam existir..As movimentações para as listas ao Conselho Nacional estão a decorrer, de modo a garantir os apoios e os votos necessários. Há várias em curso, além da oficial que será proposta pelo líder eleito, e mesmo algumas que são afetas a apoiantes de Rio. Como a de Carlos Eduardo Reis ou a de Catarina Rocha Ferreira. "Dá jeito a Rio que haja pequenas listas de pessoas que lhe são afetas para garantir mais lugares no Conselho Nacional e evitar um adverso", diz ao DN um dirigente social-democrata..Mas a oposição, que ainda tentou uma lista unificada ao CN, acabou por não se entender nesse sentido. E haverá uma lista promovida por Miguel Pinto Luz, o vice-presidente da Câmara de Cascais que esteve ao lado de Paulo Rangel nas diretas e que, segundo garantem fontes do PSD, "tem muitos apoios em Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal". Bruno Vitorino, líder da distrital de Setúbal do PSD, que costuma organizar uma das listas ao CN, parece disposto a aliar-se à de Pinto Luz para lhe dar mais força. Tal como deverá acontecer com uma que Carlos Sá Carneiro, antigo assessor de Pedro Passos Coelho, costuma promover. "A lista de Miguel Pinto Luz vai ter muitos votos porque tem no congresso muitos delegados que o apoiam", frisa a mesma fonte..Os "homens" de Luís Montenegro também se movimentam para ganhar lugares no CN e a lista do antigo candidato à liderança do PSD poderá mesmo ser encabeçada por Pedro Alves, líder da distrital de Viseu, um dos que ficou fora dos candidatos à Assembleia da República..Do lado de Rui Rio, Paulo Mota Pinto, que foi falado como potencial novo vice-presidente, vaiencabeçar novamente a lista da Mesa do Congresso. Da lista de nomes para a Comissão Permanente do partido, o núcleo duro da direção, sai Nuno Morais Sarmento, que apesar de ser vice-presidente de Rio, não quis apoiar na eleição direta nenhum dos candidatos. Não se sabe ainda em quem o presidente reeleito irá apostar para o lugar que se abre..Deverão manter-se os outros vices: André Coelho Lima, David Justino, Isabel Meirelles, Isaura Morais e Salvador Malheiro, que foi diretor de campanha de Rio nas diretas. E José Silvano deverá igualmente manter-se como secretário-geral do partido..Rio apostará precisamente para o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) em Nuno Morais Sarmento, depois do atual presidente daquele órgão, Paulo Colaço, ter anunciado que se recandidata. Há dois anos, Rio lançou para o CJN o nome de Fernando Negrão, mas foi derrotado por Colaço, cujas relações com a direção nacional do partido não foram as melhores nestes dois anos de mandato e com a qual entrou várias vezes em confronto..Ao DN, Paulo Colaço assegurou que "não podia ser cobarde e desvincular-me do posto de vigia do PSD" e prometeu manter o "rigor" e a "coragem" com que desempenhou funções no órgão de fiscalização do partido. Admitiu ainda que a reeleição para o CJN não são favas contadas: "Cada congresso começa do zero, ninguém se consegue montar nos votos de há dois anos. Levo é a vantagem de saberem como trabalho, mas também a desvantagem dos que punimos"..O recandidato ao CJN anunciou entretanto que convidou uma histórica funcionária do PSD, Cristina Azeredo Perdigão, para mandatária da sua candidatura. "Com este convite a esta histórica funcionária do PSD pretendi agradecer a todos os funcionários do partido que ao longo destes meus anos no CJN me foram ajudando a crescer a ser melhor. Nomeadamente, neste mandato, em que tão corajosamente me apoiaram", disse..paulasa@dn.pt