Rangel anuncia que é candidato. Rio "equaciona". PSD tem eleições a 4 de dezembro

Presidente do PSD admitiu, à saída, que o pesado chumbo da sua moção, para adiar as eleições internas, pelo Conselho Nacional do partido, irá pesar na sua decisão.

O eurodeputado Paulo Rangel confirmou esta noite, como esperado, que é candidato à liderança do PSD.

No seu discurso perante o Conselho Nacional do Partido, Rangel afirmou: "Com toda a liberdade serei candidato à liderança do PSD".

Paulo Rangel sublinhou ainda esperar que a coincidência de datas entre as diretas e a morte de Sá Carneiro seja algo simbólico: "Seja a refundação de um PSD que, em vez de estar à espera, é capaz de suscitar esperança".

"Não podemos ser mais o partido da espera, da espera em cair de maduro. Temos de ser o partido da esperança", afirmou, de acordo com relatos de conselheiros nacionais presentes na reunião à porta fechada.

"Que o dia 4 de dezembro represente a fecundação do partido que seja capaz de criar esperança", afirmou, dizendo que muito brevemente apresentará publicamente a candidatura.

Na sua intervenção, segundo relatos feitos à Lusa, Paulo Rangel defendeu que o partido tem de ter "um projeto agregador" e que não diabolize pessoas dentro do partido e assumiu uma divergência estratégica com o líder.

"Não acredito num PSD cuja função seja estar sentado no sofá à espera que o Governo de Costa caia de maduro", afirmou, numa passagem muito aplaudida pelos conselheiros nacionais. "Eu quero ser o partido que tem uma alternativa ao Costa", acrescentou.

Rangel disse concordar com Rio que a oposição tem de ser responsável "e não trauliteira", mas sobretudo "tem de ser oposição".

A nível de temáticas, o antigo líder parlamentar lamentou que o partido nada tenha dito nos últimos dias sobre os problemas registados em vários hospitais e, sobre o projeto de revisão constitucional anunciado pela direção de Rio, disse não ser uma prioridade. "Ninguém está à espera disso em casa", afirmou.

Rangel respondeu também indiretamente às críticas de deslealdade que alguns membros da direção lhe têm dirigido, dizendo não as aceitar. "Digo, olhos nos olhos, que serei candidato à liderança do PSD. Com toda a lealdade, mas também com toda a liberdade", afirmou.

Rangel deu os parabéns a todos os candidatos autárquicos do partido e também à direção pelos resultados de 26 de setembro, mas recusou as acusações de que andou "a fazer contra campanha" ao partido.

"Não aceito lições de deslealdade, dr. David Justino", afirmou, dirigindo-se ao vice-presidente do partido, dizendo ter sido "vilipendiado" nos últimos dias.

O eurodeputado afirmou que, se fosse desleal, na noite eleitoral das europeias de 2019, tinha responsabilizado o PSD pelo "acordo" com PCP e BE na crise dos professores, recordando ocasiões em que discordou publicamente do atual líder, como por não ter feito o referendo sobre a eutanásia ou pelo fim dos debates quinzenais, mas recusou ter andado em conspirações.

A data das eleições foi aprovada este início de madrugada pelo Conselho Nacional do partido, reunido em Lisboa.

Ao início da madrugada, o presidente dos sociais-democratas, Rui Rio, ainda não tinha declarado se se iria recandidatar.

A decisão foi chegada após a rejeição. com 71 votos contra, 40 a favor e 4 abstenções, da proposta da direção de Rui Rio no sentido de adiar as eleições internas do PSD.

Foi uma derrota para o presidente do partido. Rio queria adiar estas eleições, com o argumento de que o partido não deveria estar num processo eleitoral numa altura em que o país arrisca ter eleições antecipadas.

O secretário-geral do PSD, José Silvano, confirmou aos jornalistas essa decisão: "O Conselho Nacional entendeu que não se justificava, que não era relevante o que vai acontecer na votação do Orçamento".

Após as diretas, a 4 de dezembro -- dia em que morreu Sá Carneiro -- seguir-se-á o Congresso do PSD, que ficou marcado para o dia 8 de janeiro.

Rio "equaciona" recandidatura

Rio saiu do Conselho Nacional sem dizer se se iria recandidatar. "Neste momento, o PSD está totalmente nas mãos do entendimento que possa haver ou não entre PS, PCP e BE (...). Se as negociações falharem e tivermos eleições antecipadas, o PSD está numa situação dificílima e os nossos adversários numa situação muito mais fácil do que estariam se tivesse havido uma responsabilidade que a maioria do CN não teve", afirmou.

Questionado sobre se a derrota da sua proposta de apenas marcar eleições depois do Orçamento votado (com 71 votos contra, 40 a favor e 4 abstenções) pesará na decisão de se recandidatar, Rio admitiu que sim.

"É um parâmetro da equação (...). Agora vou fazer a equação, e depois vou ver: X1, X2 e depois vou tirar a média", afirmou, despedindo-se em tom bom disposto com um "adeus" aos jornalistas.

Antes, recusou responder a qualquer pergunta sobre o anúncio da candidatura de Paulo Rangel à liderança, feito durante o Conselho Nacional, dizendo que todos os militantes são livres de o fazer agora que está aberto o período eleitoral.

Ainda assim, deixou uma farpa, dizendo que sempre defendeu que "as coisas têm o seu tempo".

"Gosto de fazer isto com ética e com regras, havia um tempo das autárquicas, não andava aí a colher apoios para as diretas", afirmou, dizendo não estar a criticar ninguém "diretamente".

"O povo não vota em quem grita mais"

Na sua intervenção inicial perante o Conselho Nacional do partido, Rio apontou cinco razões pelas quais entende que "a porta ficou mais aberta" para as legislativas de 2023 depois do "impulso positivo das autárquicas".

"Se não tivermos juízo, podemos destruir este momento", avisou, contudo, ainda antes de o Conselho Nacional 'chumbar' a proposta da direção para que se suspendesse a marcação do calendário eleitoral interno para depois do Orçamento do Estado.

Entre essas razões, apontou o "recentramento" que esta direção trouxe ao PSD, e a "fiabilidade da estratégia da oposição".

"O povo não vota em quem grita mais contra o Governo que está, o povo vota em quem é fiável, em quem sente que pode confiar, em quem se comporta de acordo com o que é lugar que disputa. Se o lugar é de primeiro-ministro, vota em alguém que tem comportamento coincidente com o que entende que deve ser o de primeiro-ministro", afirmou.

Rio avançou ainda que nas eleições de 2023 o PSD terá "uma probabilidade muito maior" de vencer do que em 2019, dizendo que nessa altura os portugueses verificaram que "o PS entrou, mas a troika não voltou".

Finalmente, o líder do PSD apontou o desgaste do Governo, reiterando que "as eleições perdem-se primeiro, depois ganham-se".

"O PS já está em condições de as perder, temos agora de saber nós ganhar o que está ao nosso alcance poder ganhar", afirmou.

No seu discurso inicial, Rio propôs ainda uma reflexão ao partido se as eleições diretas no PSD, que se realizam de dois em dois anos, não deveriam ser mais espaçadas.

Pela contabilidade do líder do PSD, nestes últimos quatro anos, entre eleições internas e externas, houve um sufrágio de cinco em cinco meses.

"Um ato eleitoral de cinco em cinco em cinco meses realmente é de mais",

Com Lusa

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