PSD. Paulo Colaço não se recandidata ao Conselho de Jurisdição

O presidente do do "tribunal" do PSD, que entrou várias vezes em rota de colisão com a direção de Rui Rio, anunciou que não se recandidata ao mandato.

"É por achar que a democracia e a política estarão de volta ao PSD que não preciso de ser candidato neste Congresso. E não serei". É assim que Paulo Colaço anuncia que não encabeçará qualquer lista ao Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido, no congresso que começa na sexta-feira e se prolonga pelo fim de semana, no Porto.

Em comunicado, a que o DN teve acesso, o ainda presidente do CJN diz acreditar que Luís Montenegro "recuperará a veia democrática que antes havia no Partido" e que fará do diálogo de "iguais para iguais" a sua forma de trabalhar.

"Foi a falta de diálogo, a sobranceria e um desolador maniqueísmo que elevou a níveis nunca vistos a conflitualidade interna. Disso estou convencido. Se muito trabalho teve o CJN nestes dois anos e meio, foi porque alguma gente não se achou igual aos demais, mas superior. Ungida", escreve com a mira apontada a Rui Rio, com quem o CJN, sob a sua direção, teve embates fortes.

Paulo Colaço recorda que cumpriu e fez cumprir os Estatutos do PSD; que reconheceu os direitos dos militantes e que respeitou e fez respeitar os diversos órgãos do partido, das bases ao Congresso. "No fundo ajudei a mostrar que no PSD há separação de poderes e que ninguém - por mais cimeira que seja a sua posição - está isento de observar as regras internas."

Recorde-se que um dos maiores confrontos do Conselho com a direção nacional passou por um processo disciplinar contra o líder do presidente social-democrata e ao líder parlamentar de então, Adão Silva, por violarem uma deliberação aprovada no congresso 2020, em Viana do Castelo, que defendia a realização de um referendo à eutanásia.

No seu comunicado de não recandidatura, o presidente do CJN lembra que está há dez mandatos naquele órgão e já dois como seu presidente.

Duas listas vitoriosas

No congresso de de dezembro de 2021, em Santa Maria da Feira, - com Rio saído vencedor das eleições diretas em que enfrentou Paulo Rangel - Paulo Colaço reapresentou lista ao CJN.

"Não podia ser cobarde e desvincular-me do posto de vigia do partido", disse na altura ao DN. Frisava que "quem tem coragem de dar razão a quem a tem, quando o elo é mais frágil e mais fraco, tem de avançar". Deu o exemplo de uma das "guerras" em que CJN se envolveu com a direção de Rui Rio para exemplificar os "elos mais fracos": "Dar razão a uma concelhia das pequeninas que foi esbulhada do seu direito de propor um candidato a uma câmara municipal e ter a coragem de dizer que essa concelhia devia ter sido ouvida não é para todos e tivemos essa coragem".

O líder do PSD jogou forte para tentar derrotar a lista de Paulo Colaço e avançou com um peso pesado a encabeçar uma lista afeta à direção, no caso Nuno Morais Sarmento. Mas a de Paulo Colaço saiu vitoriosa.

Também no anterior congresso, em fevereiro de 2020, a lista de Paulo Colaço foi a mais votada para o CJN, derrotando a lista da direção, encabeçada pelo ex-líder parlamentar do PSD Fernando Negrão e conseguindo eleger cinco dos nove membros deste órgão. O CJN é eleito por método de Hondt, pelo que o primeiro nome da lista mais votada é o presidente do órgão.

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