Durou pouco a liderança virtual social-democrata. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, se houvesse eleições o PS ficaria em primeiro lugar, mas longe de uma maioria absoluta (28,8%). O PSD seria o segundo (27,7%). O Chega reforça o terceiro lugar (13%), mas a maior recuperação é a do Bloco de Esquerda que, com Mariana Mortágua sobe quase dois pontos relativamente à projeção de abril passado (8%), afastando-se dos liberais, que continuam em perda (5,2%). Seguem-se PAN (3,8%) e CDU (3,2%), ambos a cair, o Livre (2,7%) e, no fundo da tabela, o CDS (1,1%)..Se considerarmos a "margem de erro" da sondagem, o que se regista é, na verdade, um empate técnico. Os dois maiores partidos estão, pelo menos desde o barómetro de janeiro passado, altura em que a diferença começou a ser quase irrelevante, numa luta taco a taco pela liderança. Com vantagem para os socialistas, uma vez que os sociais-democratas só uma vez estiveram em primeiro lugar, em abril passado, e por escassas três décimas. Agora lideram os socialistas por um ponto..Quando se fazem outras contas e se acrescentam dados qualitativos, a balança pende, sem margem para dúvidas, para o socialista António Costa: está bastante à frente de Luís Montenegro na confiança dos portugueses, que também o consideram mais competente, solidário e influente que o social-democrata. São, provavelmente, as vantagens de estar no poder e conseguir, dessa forma, uma notoriedade que não se compara à de um líder da Oposição que não tem sequer assento no Parlamento..Se, relativamente aos resultados de abril, as diferenças são insignificantes, quando se faz a comparação com as legislativas de janeiro de 2022, nenhum tem razões para sorrir. Costa porque perde quase 13 pontos e fica sem hipótese de repetir a maioria absoluta , Montenegro porque, apesar da crise no Governo, não consegue sequer repetir o resultado de Rui Rio (fica ponto e meio mais abaixo)..Quando se analisam as hipóteses de um acordo ou coligação pós-eleitoral dos dois maiores partidos, o cenário continua bastante incerto, confirmando a leitura do presidente da República sobre a relativa inutilidade de forçar eleições antecipadas. À Esquerda, a antiga "geringonça" (com BE e CDU) somaria 40 pontos. Acrescentando o Livre, chegaria aos 43. E se contasse, ainda, com o apoio do PAN, teria um total de 46,5 pontos. Parece bastante, mas estes cinco partidos ficariam, ainda assim, a meio ponto do conjunto da Direita..O bloco liderado pelo PSD ficaria com 47 pontos percentuais (menos dois do que marcava em janeiro passado). Subtraído o resultado do CDS, que não tem representação parlamentar, seriam 46. Mas, o verdadeiro nó górdio é que, se o Chega for retirado da equação (foi Montenegro que disse que não teria políticas e políticos xenófobos e racistas no Governo), o que resta da Direita ficaria reduzida a uns magros 34 pontos (33 sem o CDS), o que parece insuficiente para assegurar um Governo estável (o exemplo mais recente é o do PS de Sócrates, que conseguiu 36,6% em 2009, mas durou apenas dois anos)..Com o chamado Bloco Central (PS e PSD) enfraquecido relativamente às últimas legislativas (vale agora 56,5 pontos, por comparação com os 69 das eleições de janeiro de 2022), ganham força alguns dos partidos mais pequenos. Desde logo o Chega: os atuais 13% significam o ganho de um ponto relativamente a abril passado e de seis pontos face às legislativas..O partido de André Ventura é o que mais cresce (e de forma sólida, se tivermos em conta a consistência demonstrada nas várias sondagens), mas neste barómetro a grande novidade é mesmo o ressurgimento do Bloco de Esquerda. Foi nos últimos dias de maio que Mariana Mortágua assumiu a liderança e, coincidência ou não, o BE está em alta: os atuais 8% significam um ganho de quase dois pontos relativamente a abril e de quase quatro pontos face às legislativas (em ambos os casos, ainda com Catarina Martins na coordenação)..Acresce que Mortágua consegue uma avaliação superior à da sua antecessora: Catarina Martins despediu-se dos barómetros com um saldo negativo de 14 pontos, Mortágua estreia-se com saldo zero (a diferença entre avaliações positivas e negativas). Pode parecer pouco, mas só há mais um líder partidário (Rui Rocha, da Iniciativa Liberal) com saldo zero, todos os restantes acumulam resultados negativos..Apesar de, ao nível da prestação individual, o líder liberal estar em primeiro (a par de Mortágua), a verdade é que a sua chegada teve o efeito contrário: desde que Rui Rocha substituiu João Cotrim de Figueiredo, os liberais perderam mais de quatro pontos percentuais. Têm agora 5,2%, menos um ponto que em abril passado e apenas três décimas acima do resultado das legislativas.."Nenhum dos dois". É a resposta preferencial dos portugueses (38%) quando se lhes pergunta em quem confiam mais para o cargo de primeiro-ministro, António Costa (PS) ou Luís Montenegro (PSD). Se a pergunta for quem é mais honesto, 53% recusam dar uma opinião, de acordo com a sondagem da Aximage para o DN, JN, e TSF. Dois sinais evidentes da desconfiança relativamente à classe política. Ainda assim, neste jogo entre os dois líderes é o socialista que leva vantagem..Registe-se que é a primeira vez, nos três anos desta série de barómetros, que a resposta "nenhum dos dois" leva a melhor. Até janeiro de 2022, quando o oponente era Rui Rio, António Costa teve sempre a primazia das respostas. Entre julho do mesmo ano e abril passado, continuou a ser o socialista o favorito, desta vez face a Montenegro. Neste mês de julho e perante nova perda do primeiro-ministro, e sem que o social-democrata tire disso qualquer partido, os portugueses rejeitam ambos..Ao contrário da confiança, não constitui surpresa que a maioria dos inquiridos numa sondagem se recuse a atribuir a um dos contendores o título de "mais honesto" (53%). Aconteceu exatamente o mesmo, em dezembro de 2021, algumas semanas antes das últimas legislativas, quando o jogo se fez entre Costa e Rio (51%). As mulheres são as que mais resistem ao adjetivo (mais 14 pontos que os homens). Ainda assim, e ao contrário do que sucedeu com Rio, Costa leva ligeira vantagem (25%) sobre Montenegro (22%) entre os que aceitaram escolher..Nesta comparação direta entre os dois líderes partidários, há de novo um resultado próximo do empate, mas agora com ligeira vantagem para o da Oposição: na avaliação à sua atuação no último mês, Montenegro regista um saldo negativo de 19 pontos (diferença entre notas positivas e negativas), enquanto Costa regista um saldo negativo de 20 pontos..Nas perguntas restantes, já não há "margem de erro" que suscite dúvidas: António Costa deixa Luís Montenegro a boa distância quando está em causa a competência (mais 15 pontos), a solidariedade (mais 18 pontos) e, em particular a influência (mais 59 pontos), ainda que esta característica tenha menos a ver com as qualidade pessoais e mais com os cargos que exerce cada um..rafael@jn.pt .FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM.A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade política..O trabalho de campo decorreu entre os dias 6 e 11 de julho de 2023 e foram recolhidas 800 entrevistas entre.maiores de 18 anos residentes em Portugal..A taxa de resposta foi de 76,25%..Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de +/- 3,5%..Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.