Porto. Rui Moreira compromete-se a concluir projetos que a pandemia atrasou

Presidente da Câmara do Porto tomou posse com promessas de "independência e liberdade".

O presidente da Câmara Municipal do Porto, o independente Rui Moreira, que tomou posse esta quarta-feira, comprometeu-se a "tudo fazer" para manter a identidade do Porto e a concluir os projetos que a pandemia de covid-19 atrasou.

"Quero concluir os projetos que a pandemia atrasou, como é o caso do Mercado do Bolhão, o Terminal Intermodal de Campanhã, a recuperação do Cinema Batalha, a extensão da Biblioteca, o projeto do antigo Matadouro como âncora da minha sempre e inequívoca prioridade: Campanhã, pois tenho a certeza de que esta zona da cidade tem condições únicas para ser uma alavanca de desenvolvimento para toda a cidade", afirmou Moreira.

Ao longo de um discurso de 30 minutos, que tinha a assistir na plateia o presidente da Câmara de Lisboa, o líder do CDS-PP e o presidente do FC Porto, entre muitos outros, Moreira reforçou a aposta em afirmar um "Porto positivo e agregador".

"Tentarei, repito, ser positivo e agregador neste último mandato que o Porto me confiou, pois sei que, depois do inverno pandémico que todos vivemos, há um frio económico e político que se está a aproximar", vincou.

Dizendo que o Porto continuará a "ser sempre uma voz de independência e de liberdade face aos poderes instalados, ao centralismo que em tanto prejudica o país", altura em que se ouviram palmas, Moreira acredita que a cidade pode ser a base histórica de um movimento político mais próximo dos cidadãos.

"Não tenho qualquer obsessão por este caminho e estou preparado para abrir o debate sobre este tema", assumiu.

E questionou: "se daqui saíram as tropas liberais, se daqui brotaram as primeiras revoltas republicanas, porque é que daqui não poderá sair um novo movimento cívico que, combatendo a espiral de cinismo, o galopante fosso entre cidadãos e a política e sempre num respeito pelos partidos, aproxime os portugueses de um projeto político intransigentemente humanista e democrático".

Moreira, que assume o seu terceiro e último mandato à frente dos destinos do Porto, aproveitou ainda para enaltecer "a magnífica característica portuense" que é a capacidade critica, sendo uma cidade onde tudo está sempre em permanente discussão pública.

Rui Moreira foi eleito presidente da Câmara Municipal do Porto pelo movimento independente Rui Moreira: Aqui Há Porto!, que conseguiu 40,72% dos votos, elegendo seis vereadores, não tendo conseguido reeditar a maioria absoluta conquistada nas autárquicas de 2017.

Por seu turno, a oposição elegeu sete mandatos -- três do PS, dois do PSD e a CDU e o Bloco de Esquerda um cada, este último eleito pela primeira vez.

Sem maioria absoluta, o movimento do independente Rui Moreira e o PSD estabeleceram um acordo de governação e acordaram medidas para os próximos quatro anos de mandato.

O acordo está dependente da incorporação de medidas contidas no programa social-democrata no Plano e Orçamento da Câmara do Porto para 2022, tais como a redução do Imposto sob o Rendimento Singular (IRS) entre um mínimo de 0,5% e 0,625% na componente municipal. O PSD não terá representação nos pelouros do executivo, nem nas empresas municipais.

No entanto, na Assembleia Municipal, o PSD apresentou Sebastião Feyo de Azevedo, antigo reitor da Universidade do Porto, como candidato a presidente da mesa, contando com o apoio já anunciado do movimento de Rui Moreira.

A Assembleia Municipal do Porto foi durante os últimos dois mandatos presidida por Miguel Pereira Leite, do movimento independente, que, perante o acordo, não se recandidatou ao cargo.

Agradecimentos ao PSD

Rui Moreira agradeceu "a todos" os envolvidos no "importante" acordo de governação estabelecido com o PSD para criar a estabilidade que o Porto "merece e precisa".

"Obrigado a todos pelo acordo. Estou certo de que o Porto reconhece o vosso nobre gesto", afirmou, no discurso.

Entre os envolvidos, Rui Moreira destacou o presidente do movimento, Francisco Ramos, dizendo ter sido com a sua "dedicação, honra e tato político" que, juntos, construíram este "importante" acordo de governação, permitindo criar a estabilidade que o Porto "merece e precisa".

Além disso, o independente, agradeceu ao amigo e ao presidente cessante da Assembleia Municipal do Porto, Miguel Pereira Leite, que, perante o acordo, não se recandidatou ao cargo.

"A sua abnegação, responsabilidade e amor pelo Porto falou mais alto. Fica para a história como um extraordinário presidente da Assembleia Municipal e como um político capaz de, com desapego, se dedicar ao interesse da cidade", sublinhou.

O presidente da Câmara do Porto agraciou ainda o sentido de responsabilidade do presidente da Concelhia do PSD/Porto, Miguel Seabra, e do cabeça de lista do PSD, o vereador Vladimiro Feliz.

A estabilidade governativa, alcançada com o PSD, é fiel à vontade expressa pelo povo do Porto, considerou.

"E não ponham em causa os méritos e as vantagens das soluções de governabilidade, vejam o que se passa hoje no país", ressalvou Moreira.

No rol de agradecimentos, Moreira, tal como na noite das eleições autárquicas de setembro, recordou o "histórico" do PSD Miguel Veiga, que morreu em 2016.

"Lembrar-se-ão que, na noite das eleições, e não conhecendo a dimensão da vitória ou os posteriores desenvolvimentos, dediquei a vitória a Miguel Veiga. Hoje renovo o tributo, pois sei muito bem que ele defenderia e orgulhar-se-ia da solução que construímos", concluiu.

Os agradecimentos pautaram o discurso de Moreira, que começou o mesmo com a palavra obrigado.

"E este meu obrigado, para além de um profundo sentimento de gratidão, é um inabalável compromisso de continuar ligado ao que nos une aqui hoje: o Porto", reforçou.

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