Pôr ordem na casa: Montenegro reúne-se esta semana com deputados

Presidente do PSD anuncia que quinta-feira vai ao Parlamento. E elogia "trabalho excecional" de Joaquim Miranda Sarmento à frente da bancada social-democrata.
Publicado a
Atualizado a

Será esta quinta-feira, de manhã. Numa altura em que fervilha a intriga dentro da bancada parlamentar do PSD, estando o seu líder, Joaquim Miranda Sarmento, a braços com ataques internos, o presidente do partido, Luís Montenegro reúne-se com os deputados. E o objetivo é essencialmente um: sinalizar presencialmente ao grupo parlamentar que a direção do partido e o seu líder apoiam o chefe da bancada, desautorizando portanto as críticas que lhe têm sido feitas.

Em conferência de imprensa, esta segunda-feira, na sede nacional do PSD, no início de quatro dias de iniciativas dedicadas à saúde, Luís Montenegro foi questionado sobre o seu primeiro ano à frente dos sociais-democratas, que se completou esta segunda-feira, e sobre as tensões registadas entre a bancada e o líder parlamentar, Joaquim Miranda Sarmento, que estava a seu lado.

"Estamos muito, muito satisfeitos com aquilo que fizemos, mas queremos fazer muito mais no caminho que prometemos de ressurgimento de um PSD pujante, enérgico, mobilizado e mobilizador para dar a Portugal uma nova maioria e um novo Governo", afirmou.

Já à pergunta se Miranda Sarmento teria "o lugar em risco", o presidente do PSD reafirmou a confiança no líder parlamentar que escolheu pouco depois do Congresso que o consagrou, substituindo no cargo Paulo Mota Pinto, que estava no cargo há três meses: "Eu estarei na próxima reunião do grupo parlamentar, ao lado do grupo parlamentar, como sempre estivemos, e sobretudo ao lado do seu líder, que tem feito um trabalho excecional à frente da bancada, concretizando desafios que temos pela frente de sermos uma oposição responsável, consistente, serena, firme e dedicada ao objetivo de governar Portugal", disse.

Na sexta-feira, Joaquim Miranda Sarmento enviou aos deputados uma mensagem de whatsapp, dizendo que fazer críticas anónimas na comunicação social sob anonimato é uma "profunda cobardia que só prejudica" o partido, na sequência de uma notícia do Observador que dava conta de que o líder parlamentar do PSD teria travado, na semana anterior, um requerimento sobre saúde por ligações profissionais da sua mulher ao visado.

Aos deputados, o chefe da bancada do PSD negou esta versão e reiterou que a retirada do requerimento em causa, noticiada pela Lusa, "ficou a dever-se apenas a questões processuais" e aproveitou para deixar um recado aos parlamentares do seu partido: "Que haja deputados que entendem que eu não sou um bom líder parlamentar, que não tenho perfil político e que outros seriam melhores líderes, é algo que posso aceitar, sem qualquer problema, quando as críticas são diretas e frontais", referiu. No entanto, "que o façam nos jornais, a coberto do anonimato, parece-me de uma profunda cobardia que só prejudica o PSD".

Ainda esta segunda-feira, depois de uma visita ao Hospital Garcia da Orta, em Almada, Setúbal, o líder do PSD criticou as vozes dissonantes que dentro do Governo se têm feito ouvir sobre a localização em Santarém do novo aeroporto que servirá a Área Metropolitana de Lisboa. "Como é que andam a digladiar-se na praça pública para a terra que lhe dá mais jeito porque são as suas origens ou porque são localizações onde têm interesses?", questionou, apelando ao primeiro-ministro que ponha "ordem na casa".

Diário de Notícias
www.dn.pt