De Adão e Silva a Elvira Fortunato: conheça todos os ministros do novo governo

Num Executivo paritário, com nove mulheres e nove homens, registam-se dez caras novas face à anterior legislatura. Adão e Silva é novidade na Cultura

A lista oficial dos ministros do XXIII Governo Constitucional já foi publicada no site da Presidência da República. A novidade na lista de ministros apresentada para o XXIII Governo Constitucional, em relação aos nomes que foram sendo avançados ao longo da tarde desta quarta-feira (23), é o de Pedro Adão e Silva.

O responsável pelas comemorações dos 50 anos do 25 de abril, que se iniciaram esta tarde, passa a ser o novo ministro da Cultura, e não André Moz Caldas, como chegou a ser adiantado.

De resto, confirmam-se as entradas que já tinham sido divulgadas durante a tarde e que levaram o Presidente da República a dispensar a audiência prevista com António Costa para ficar a conhecer oficialmente a composição do novo Governo.

Assim, num Executivo paritário, com nove mulheres e nove homens (17 ministérios mais o próprio primeiro-ministro), registam-se dez caras novas face à anterior legislatura: Helena Carreiras (Defesa), José Luís Carneiro (Administração Interna), Catarina Sarmento e Castro (Justiça), Fernando Medina (Finanças), Ana Catarina Mendes (ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares), António Costa e Silva (Economia e Mar), Pedro Adão e Silva (Cultura), Elvira Fortunato (Ciência, Tecnologia e Ensino superior), João Costa (Educação, onde já era secretário de Estado) e Duarte Cordeiro (Ambiente e Ação Climática).

O número de ministros encolhe dos atuais 19 para 17 e o número de secretários de Estado será reduzido de 50 para 38. A nova orgânica confirma que desta vez não haverá ministros de Estado (quatro, atualmente). Mantêm-se sete ministros do anterior governo, sendo que um deles muda de pasta: João Gomes Cravinho, da Defesa para os Negócios Estrangeiros.

Segundo a nota da Presidência, a nomeação e posse do XXIII Governo Constitucional está prevista para a próxima semana, em data a confirmar depois da publicação do mapa oficial das eleições e da primeira reunião da Assembleia da República.

Conheça a lista completa (com perfis dos 17 ministros que acompanham António Costa):

Primeiro-Ministro
ANTÓNIO Luís Santos da COSTA

Ministra da Presidência

MARIANA Guimarães VIEIRA DA SILVA

Mariana Vieira da Silva, socióloga de 43 anos, sobe a "número dois" na hierarquia do Governo e mantém a pasta da Presidência, acumulando com as áreas do Planeamento e da Administração Pública.

De acordo com a composição do XIII Governo Constitucional divulgada hoje pela Presidência da República, Mariana Vieira da Silva é reconduzida como ministra da Presidência e torna-se a segunda figura do Governo, lugar ocupado até agora pelo ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira (que deixa o Governo).

Já considerada como "braço-direito" do primeiro-ministro, António Costa, a governante de 43 anos é uma das mais jovens ministras do novo executivo.

Na sua equipa, contará com três secretários de Estado, cujos nomes ainda não foram divulgados.

No executivo que em breve cessa funções, as áreas do Planeamento e da Administração Pública estavam autonomizadas em dois ministérios diferentes, liderados por Nelson de Souza e Alexandra Leitão, respetivamente.

Entre 2009 e 2011 foi adjunta no gabinete do então primeiro-ministro, José Sócrates, e anteriormente trabalhou como assessora da ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues entre 2005 e 2009.

No PS, já sob a liderança de António Costa, esteve envolvida na elaboração dos programas eleitorais.

Antiga praticante de natação de alta competição pelo Sporting, Mariana Vieira da Silva nasceu em 1978, em Lisboa, é licenciada em Sociologia pelo ISCTE-IUL e é filha antigo ministro do Trabalho e da Segurança Social, José António Vieira da Silva.

Em termos académicos, concluiu a parte curricular do Doutoramento em Políticas Públicas, no ISCTE, encontrando-se a terminar uma dissertação sobre políticas de saúde e de educação em Portugal.

Ministro dos Negócios Estrangeiros

JOÃO Titterington GOMES CRAVINHO

João Gomes Cravinho, o diplomata e académico até agora ministro da Defesa Nacional, é o novo Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas sem os Assuntos Europeus, que o primeiro-ministro colocou numa secretaria de Estado sob a sua direta dependência.

João Titterington Gomes Cravinho foi ministro da Defesa Nacional nos dois anteriores Governos chefiados por António Costa, ou seja, desde outubro de 2018.

Nascido em Lisboa em 16 de junho de 1964, é doutorado em Ciência Política pela Universidade de Oxford, e com Mestrado e Licenciatura pela London School of Economics. Concluiu o curso Leadership for Senior Executives na Harvard Business School em abril de 2018.

Antes de voltar a Lisboa para integrar os Governos de António Costa, foi embaixador da União Europeia (UE) no Brasil, desde agosto de 2015, e desempenhou o mesmo cargo na Índia entre 2011 e 2015.

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros assumiu anteriormente funções de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, nos XVII e XVIII Governos Constitucionais, entre março de 2005 e junho de 2011.

Antes disso exerceu atividade de docência enquanto professor de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, e professor convidado no ISCTE e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

Ministra da Defesa Nacional

Maria HELENA Chaves CARREIRAS


A nova ministra da Defesa, Helena Carreiras, é especialista em sociologia militar e professora universitária, com obra publicada sobre as mulheres nas Forças Armadas, e foi a primeira mulher a dirigir o Instituto da Defesa Nacional (IDN).

Maria Helena Chaves Carreiras nasceu em Portalegre em 1965, é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Ciências Sociais e Políticas no Instituto Universitário Europeu, em Florença, com uma tese sobre políticas de integração de género nas Forças Armadas dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Assumiu em 05 de julho de 2019 a direção do IDN, sendo a primeira mulher a chefiar aquele instituto, e vai cessar funções no Instituto da Defesa Nacional pouco depois de cumprir metade dos cinco anos de mandato.

Ministro da Administração Interna

JOSÉ LUÍS Pereira CARNEIRO

José Luís Carneiro foi hoje nomeado ministro da Administração Interna, depois de ter estado a desempenhar funções de secretário-geral adjunto do Partido Socialista desde 2019.

Com 50 anos, José Luís Carneiro regressa ao Ministério da Administração Interna (MAI) depois de ter sido assessor do gabinete do secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna entre 1999 e 2000, na altura desempenhado por Carlos Zorrinho de um Governo chefiado por António Guterres.

Licenciado em Relações Internacionais e mestre em Estudos Africanos, o docente universitário foi o "número dois" da direção do PS e deputado na Assembleia da República na última legislatura.

O novo ministro da Administração Interna foi chefe de gabinete do grupo parlamentar do PS entre 2000 e 2002 na liderança de Francisco Assis, tendo mais tarde, em fevereiro de 2005, sido eleito deputado do PS e no parlamento integrou a Comissão dos Negócios Estrangeiros e eleito membro da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica.

Presidente da Câmara Municipal de Baião entre o 02 de novembro de 2005 e 23 de outubro de 2015, José Luís Carneiro foi um dos elementos do "núcleo duro" do anterior líder do PS, António José Seguro.

José Luís Carneiro foi ainda secretário de Estado das Comunidades Portuguesas entre 2015 e 2019.

O novo ministro vai tutelar a Secretaria de Estado da Proteção Civil, que regressa ao novo executivo depois de ter deixado de existir na última legislatura, e a Secretaria de Estado da Administração Interna.

Ministra da Justiça

CATARINA Teresa Rola SARMENTO E CASTRO

Antiga juíza do Tribunal Constitucional, ex-secretária de Estado e eleita deputada pelo PS nas últimas eleições, Catarina Sarmento e Castro é a nova ministra da Justiça, substituindo Francisca Van Dunem.

A nova ministra da Justiça ocupava desde 2019 o cargo de secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, no Ministério da Defesa Nacional.

Foi no seu mandato que foi aprovado o Estatuto do Antigo Combatente, no ano passado.

Nascida em Coimbra em 1970, Catarina Sarmento e Castro é licenciada e doutorada pela Faculdade de Direito da Universidade Coimbra, onde leciona desde 1994, segundo o portal do Governo.
Desempenhou funções de juíza do Tribunal Constitucional entre 2010 e 2019, altura em que entrou para o Governo cessante.

Foi também membro do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e vogal da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

A nova ministra é filha do ex-deputado Osvaldo Castro, que foi presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais.

Ministro das Finanças

FERNANDO MEDINA Maciel Almeida Correia

O novo ministro das Finanças, Fernando Medina, próximo do primeiro-ministro e com um perfil eminentemente político, ainda que seja economista, terá pela frente o desafio de voltar a reduzir a dívida pública e pôr o país a crescer.

Fernando Medina, que sucede a João Leão na tutela das Finanças, herda uma proposta de Orçamento do Estado para 2022, pensada e elaborada pelo antecessor, que irá defender, depois de atualizado o cenário macroeconómico, já a incorporar o impacto da guerra na Ucrânia e da crise da energia.

Além da proposta do Orçamento do Estado para 2022, o novo ministro das Finanças terá de entregar até 15 de abril o Programa de Estabilidade.

Medina assume as Finanças num ano em que a disciplina orçamental de Bruxelas se mantém suspensa, mas o regresso à trajetória de redução da dívida pública, interrompida devido à pandemia, deverá ser um dos focos do novo Governo no que toca às finanças públicas nos próximos anos.

Fernando Medina foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre abril de 2015 e setembro de 2021, quando perdeu as eleições para o social-democrata Carlos Moedas.

Em 2013, António Costa incluiu-o como 'número dois' na lista à autarquia lisboeta, permitindo que lhe sucedesse em abril de 2015, quando interrompeu o mandato na sequência das eleições legislativas. Em setembro de 2017 ganhou as eleições autárquicas, mas sem maioria absoluta.

Próximo do primeiro-ministro é apontado como um dos potenciais sucessores na liderança do PS, tendo uma vasta experiência política.

Foi deputado na XI Legislatura, secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional no XVII Governo e secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento no XVIII Governo.

Tem atualmente 49 anos.

Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares

ANA CATARINA Veiga dos Santos Mendonça MENDES

A nova ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, 49 anos, é advogada, começou a carreira na JS, e ocupou cargos dirigentes no PS, exercendo a liderança da bancada socialista desde 2019.

Apontada como uma possível sucessora do secretário-geral do PS, António Costa, Ana Catarina Mendes foi a primeira mulher a assumir a liderança da bancada socialista, em 2019, sucedendo a Carlos César, presidente do partido, à frente do grupo parlamentar socialista.

Foi secretária-geral adjunta do PS entre 2016 e 2019 e foi eleita deputada sucessivamente, pelo círculo de Setúbal, desde 1995 (VII legislatura), quando António Guterres venceu as legislativas.

Ana Catarina Veiga Santos Mendonça Mendes nasceu em Lisboa, em 14 de janeiro de 1973, e é licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa.


Em 2015, pertenceu, com António Costa, Carlos César, presidente do PS, à equipa que negociou o acordo parlamentar à esquerda dos socialistas com BE, PCP e PEV, mais tarde conhecido como "geringonça".

Considerada uma das potenciais sucessoras à sucessão de Costa, participa, todos os domingos, no programa Circulatura do Quadrado, na TVI e TSF, com José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier.

Começou a carreira política na Juventude Socialista (JS) e, em 2000, disputou a liderança com Jamila Madeira. A eleição foi concorrida e Catarina Mendes perdeu a liderança para Jamila por apenas um voto.

Ministro da Economia e do Mar

ANTÓNIO José da COSTA SILVA

António Costa Silva, que em junho de 2020 dizia que integrar o Governo não fazia parte das suas "ambições", nem do seu "ADN", vai assumir o Ministério da Economia e do Mar, depois de uma carreira ligada ao setor do petróleo.

"Estar no Governo não faz parte das minhas ambições e não faz parte do meu ADN", afirmou em entrevista à Lusa o então presidente executivo (CEO) da Partex, cargo que, entretanto, deixou, depois da dissolução da empresa, e que desde maio de 2020 esteve à frente elaboração do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O gestor nasceu em 23 de novembro de 1952 em Catabola, no planalto central do Bié, de uma família já enraizada em Angola.

Começou a trabalhar na Sonangol, depois na Companhia Portuguesa de Serviços (CPS), foi diretor executivo na multinacional francesa Compagnie Generale de Geophysique (CGG), onde coordenou projetos de exploração de petróleo no Bahrein, México e na Rússia e, mais tarde, no Instituto Francês de Petróleo, em Paris, onde lidou com alguns dos maiores campos de gás do mundo (Argélia, Venezuela, Arábia Saudita, Irão).

Em 2003 assumiu a presidência da Comissão Executiva do grupo Partex, petrolífera da Gulbenkian, que em 2019 foi vendida à empresa pública tailandesa PTT Exploration and Production. No dia 01 de setembro de 2021, anunciou a cessação de funções, depois de a única acionista ter procedido à dissolução e liquidação da petrolífera.

Em 31 maio de 2020, o primeiro-ministro António Costa convidou António Costa Silva para coordenar a preparação do Programa de Recuperação Económica e a 16 de abril de 2021, nomeou-o para presidir à Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Ministro da Cultura

PEDRO ADÃO E SILVA Cardoso Pereira

Pedro Adão e Silva, atualmente comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, vai substituir Graça Fonseca à frente do Ministério da Cultura.

Nascido em Lisboa em 1974, Pedro Adão e Silva licenciou-se em sociologia, pelo ISCTE, em 1997, e tem doutoramento em ciências sociais e políticas pelo Instituto Universitário Europeu, em Florença.

É professor auxiliar na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL, onde foi, também, diretor do programa de doutoramento em políticas públicas, até setembro de 2021.

É, também, comentador e colunista em vários órgãos de comunicação social.

Foi membro do Secretariado Nacional do PS entre 2002 e 2004, sob a liderança de Ferro Rodrigues, e abandonou logo depois a vida partidária.

Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

ELVIRA Maria Correia FORTUNATO

A nova ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, é engenheira, professora e multipremiada e multifacetada cientista, que inventou com o marido o "papel eletrónico" e emprestou a voz a um boneco animado que a personifica.

Natural de Almada, concelho onde vive, Elvira Maria Correia Fortunato, 57 anos, é doutorada em engenharia de materiais, na especialidade de microeletrónica e optoeletrónica, pela Universidade Nova de Lisboa, de que é vice-reitora desde 2017.

Nos últimos dez anos, a investigadora recebeu mais de 18 prémios e distinções internacionais pelo seu trabalho, incluindo a Medalha Blaise Pascal da Academia Europeia de Ciências, em 2016, e o Prémio Estreito de Magalhães do Governo do Chile, em 2020.

Fruto ainda do seu percurso profissional, foi distinguida com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2010, com o Prémio Pessoa, em 2020, e com a Medalha de Ouro da Ordem dos Engenheiros, em 2021.

Em 2008, Elvira Fortunado e colegas, incluindo o marido, Rodrigo Martins, demonstraram que era possível fazer o primeiro transístor de papel, iniciando um novo campo na área da eletrónica de papel.

O Conselho Europeu de Investigação atribuiu, nesse ano, à cientista uma bolsa no valor de 2,25 milhões de euros e, dez anos depois, em 2018, concedeu-lhe uma bolsa de 3,5 milhões de euros, o maior montante alguma vez dado a um investigador em Portugal.

A engenheira de materiais foi conselheira científica da Comissão Europeia durante o mandato do comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação Carlos Moedas, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Ministro da Educação

JOÃO Miguel Marques da COSTA

João Costa foi a escolha do primeiro-ministro para assumir as rédeas do Ministério da Educação no novo Governo, depois de ter gerido essa pasta como secretário de Estado nas duas últimas legislaturas.

Professor catedrático de Linguística, João Costa, 49 anos, integrava a equipa ministerial da Educação desde 2015, quando assumiu o cargo de secretário de Estado, tendo depois passado a secretário de Estado Adjunto no XXII Governo Constitucional.

João Costa substitui Tiago Brandão Rodrigues, recordista no cargo que ocupou durante cerca de seis anos e quatro meses.

Com trabalho de investigação nas áreas da Linguística Formal, Aquisição e Desenvolvimento de Linguagem e Linguística Educacional, chegou também a estudar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts como investigador.

Na última legislatura, João Costa foi uma das principais vozes na defesa da polémica disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, depois de dois alunos terem chumbado por não frequentarem aquelas aulas.

Agora à frente da Educação, terá em mãos a recuperação das aprendizagens, depois de dois anos em que o ensino foi impactado pela pandemia da covid-19, a revisão do regime de recrutamento e mobilidade de docentes, que começou a ser debatida com os sindicatos em junho, e o agravamento do problema da falta de professores.

O Ministério da Educação passa a integrar apenas um secretário de Estado. O cargo de secretário de Estado Adjunto e da Educação, ocupado por João Costa desde 2019, foi extinto e a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto passa agora para a tutela do novo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

ANA Manuel Jerónimo Lopes Correia MENDES GODINHO

Ana Mendes Godinho mantém-se como ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social no novo Governo de António Costa, depois de mais de dois anos no cargo, marcado pela adoção de apoios no âmbito da pandemia de covid-19.

O ministério de Ana Mendes Godinho fica agora mais pequeno, com três secretarias de Estado -- Trabalho, Segurança Social e Inclusão e da Ação Social -- contra as anteriores quatro.

Ana Mendes Godinho assumiu a pasta do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social na anterior legislatura, em outubro de 2019, sucedendo então a Vieira da Silva, depois de ter sido secretária de Estado do Turismo, entre 2015 e 2019.

O seu mandato foi marcado pela resposta à pandemia covid-19, com a criação de vários apoios às empresas, trabalhadores e famílias, como o 'lay-off' simplificado ou o apoio à retoma.

Na Concertação Social, além dos apoios no âmbito da covid-19, Mendes Godinho discutiu com os parceiros a Agenda do Trabalho Digno, cujas alterações à lei laboral aí previstas acabaram por ficar pelo caminho com a dissolução da Assembleia da República, devendo agora ser retomada.

Outra das medidas em mãos será o aumento extraordinário das pensões que estava previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2022 que foi chumbada no parlamento, bem como as negociações sobre o aumento do salário mínimo nacional.

A ministra é licenciada em Direito, pela Universidade de Lisboa, e antes de chegar a secretária de Estado foi chefe de gabinete do secretário de Estado do Turismo dos governos de José Sócrates Bernardo Trindade.

Foi ainda diretora dos Serviços de Apoio à Atividade Inspetiva da Autoridade para as Condições do Trabalho, tendo, entre 2001 e 2005, sido inspetora do trabalho.

Ana Mendes Godinho passou ainda pelo Turismo de Portugal, onde foi vice-presidente

Ministra da Saúde

MARTA Alexandra Fartura Braga TEMIDO de Almeida Simões

Marta Temido, que se mantém como ministra da Saúde no novo Governo, tem uma carreira profissional ligada à gestão no setor, mas foi o combate à pandemia que lhe garantiu notoriedade nos últimos dois anos.

Reconduzida hoje no cargo pelo primeiro-ministro António Costa, a ministra da Saúde vai integrar um executivo pela terceira vez, depois de se ter estreado no Governo em outubro de 2018, na sequência da saída de Adalberto Campos Fernandes.

Um ano depois -- em outubro de 2019 -, Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Almeida Simões mereceu novamente a confiança de António Costa e, poucos meses depois, passou a ser um dos "rostos" mais conhecidos dos portugueses devido à pandemia da covid-19, que chegou a Portugal no início de 2020.

Desde então, o combate à covid-19 passou a dominar a atuação do ministério de Marta Temido, natural de Coimbra, onde nasceu em 1974, com várias organizações do setor, como as ordens profissionais e os sindicatos, a criticarem a crónica falta de meios do Serviço Nacional de Saúde (SNS) evidenciada com a pandemia, que atingiu o `pico´ de internamentos e mortes no início de 2021.

Dividindo o protagonismo com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e com o ex-coordenador da `task force´ da vacinação, Gouveia e Melo, a ministra da Saúde garantiu sempre que o SNS tem sido alvo de um reforço de financiamento, mas também de profissionais de saúde.

Para além da pandemia, a governação de Marta Temido ficou marcada pela aprovação em Conselho de Ministros, em outubro de 2021, do novo Estatuto do SNS, conforme previsto na Lei de Bases da Saúde publicada em 2019, e que, segundo o Governo, vem clarificar o papel e a relação entre os vários atores do sistema de saúde.
Ao longo da sua carreira profissional, Marta Temido, que possui também uma especialização em Administração Hospitalar, desempenhou diversos cargos de direção em entidades do setor.

Antes de assumir funções governativas, foi subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, presidente do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde, presidente não executiva da administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e membro da administração de vários hospitais públicos.

Nas eleições de 30 de janeiro, Marta Temido foi eleita deputada à Assembleia da República por Coimbra, distrito por onde foi cabeça-de-lista do PS.

Entre os desafios imediatos, o ministério tem de dar resposta à recuperação da atividade assistencial aos utentes prejudicada pela pandemia da covid-19 e materializar os cerca de 1,3 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinados a reforçar o SNS em várias áreas.

Ministro do Ambiente e da Ação Climática

José DUARTE Piteira Rica Silvestre CORDEIRO

Duarte Cordeiro, até agora secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, é o novo ministro do Ambiente e Ação Climática, o homem a quem o primeiro-ministro agradeceu a maioria absoluta socialista.

Antigo deputado e com vários cargos no PS, Duarte Cordeiro já tinha sido secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares no anterior executivo, e entre 2005 e 2006 fora adjunto do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

Nas últimas eleições legislativas foi o diretor de campanha do PS e na noite eleitoral o primeiro-ministro, António Costa, destacou-o ao agradecer-lhe de forma "muito especial" os resultados que deram a segunda maioria absoluta do PS.
Duarte Cordeiro nasceu em 1979 em Lisboa, licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa e tem uma pós-graduação em Direção Empresarial.

Foi também vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (2015-2019), vice-presidente do Instituto Português da Juventude, e presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Divulgação das Tecnologias de Informação, entre 2006 e 2008.

Foi entre 2008 e 2010 secretário-geral da Juventude Socialista e é presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS.
De acordo com a orgânica do Governo hoje divulgada, o Ministério do Ambiente e Ação Climática, até agora dirigido por João Pedro Matos Fernandes, terá três secretarias de Estado, com o Ambiente e a Energia numa só pasta, ao contrário do anterior executivo.

Mantém-se as secretarias de Estado da Conservação da Natureza, mas sem o Ordenamento do Território, e da Mobilidade, agora Mobilidade Urbana.

Ministro das Infraestruturas e da Habitação

PEDRO NUNO de Oliveira SANTOS

Pedro Nuno Santos vai manter-se como ministro das Infraestruturas e da Habitação no novo Governo, tendo a reestruturação da TAP, a decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa e a ferrovia como grandes 'obras' para a próxima legislatura.

Apontado como um potencial candidato à sucessão de António Costa na liderança do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, conotado com a ala esquerda do PS, tem em mãos o dossiê da TAP, que trouxe de novo para o controlo do Estado e está a passar por um processo de reestruturação, negociado com a Comissão Europeia durante o seu anterior mandato.

Para a nova legislatura fica também uma decisão sobre a localização do novo aeroporto para a região de Lisboa, que o anterior Governo queria no Montijo, mas viu as suas pretensões frustradas pela falta de parecer positivo de todos os municípios envolvidos, levando a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) a chumbar a localização prevista.

O governante tem ainda a seu cargo o Programa de Investimentos na Expansão e Modernização da Rede Ferroviária Nacional "Ferrovia 2020", com um investimento global na ordem de 700 milhões de euros.

Pedro Nuno Santos tem também por resolver o futuro da Groundforce, empresa de 'handling' (assistência em terra nos aeroportos), declarada insolvente em 2021, num processo em que se bateu pessoalmente, em representação da TAP, que é acionista minoritária e principal cliente.

Natural de São João da Madeira, distrito de Aveiro, Pedro Nuno Santos, 44 anos, é licenciado em Economia pelo ISEG, instituição da Universidade Técnica de Lisboa na qual foi presidente da Mesa da RGA (Reunião Geral de Alunos).

Iniciou a sua atividade política na JS aos 14 anos e, entre 2004 a 2008, foi secretário-geral desta organização de juventude, período em que esteve empenhado, primeiro, na legalização da Interrupção Voluntária da Gravidez e, depois, na consagração em lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Entrou no parlamento em 2005, tendo sido deputado na X e na XII legislaturas, após um breve intervalo para ajudar na gestão da Tecmacal, na capital do calçado, ao lado da irmã e do pai.

Ministra da Coesão Territorial

ANA Maria Pereira ABRUNHOSA Trigueiros de Aragão

O Ministério da Coesão Territorial continuará a ter à frente Ana Abrunhosa, que na legislatura que agora termina disse ter o papel de "uma costureira" que cose várias áreas de intervenção governativa em prol das pessoas e do território.

Foi numa das suas primeiras idas ao parlamento como ministra, em janeiro de 2020, que Ana Abrunhosa disse aos deputados que o papel do Ministério da Coesão Territorial, que havia sido criado meses antes, era como o de "uma costureira", cosendo as várias intervenções governativas em prol do território e das pessoas, numa missão que "não é partidária".

"Acreditem na minha vontade de mudar [o território]. Também sabem que só vou fazer aquilo que posso e não aquilo que quero", ressalvou.

Ao longo da legislatura, a ministra assumiu ser "profundamente difícil" descentralizar serviços em Portugal e "irrealista" fazê-lo de um momento para o outro.

Na legislatura que agora começa, Ana Abrunhosa ganhou duas tutelas novas no seu ministério, as autarquias e o ordenamento do território, que estavam na Modernização Administrativa e no Ambiente, respetivamente, passando a ter sob sua alçada duas Secretarias de Estado, a do Desenvolvimento Regional e a da Administração Local e Ordenamento do Território.

Antes de chegar a ministra, Ana Maria Pereira Abrunhosa Trigueiros de Aragão, nascida em Angola, em 1970, tinha sido presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), entre maio de 2014 e outubro de 2019.

Ministra da Agricultura e da Alimentação

MARIA DO CÉU de Oliveira ANTUNES

Maria do Céu Antunes mantém-se na liderança do Ministério da Agricultura, que agrega agora as pescas, numa altura em que o setor reclama apoios para mitigar o impacto da seca e do aumento dos custos de produção.

Segundo a composição do XXIII Governo Constitucional, conhecida hoje, Maria do Céu Antunes foi escolhida para a pasta da Agricultura e da Alimentação, cargo que mantém após ter deixado de ser secretária de Estado do Desenvolvimento Regional.

A governante, natural de Abrantes, terá agora que continuar a apresentar soluções para o setor, que reclama apoios que mitiguem o impacto da seca e da escalada dos custos de produção, agravada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Maria do Céu Antunes, que nasceu em 1970, é licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra e tem uma pós-graduação em Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

Presidente da Câmara Municipal de Abrantes durante nove anos, presidiu também ao Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

A governante integrou o Conselho Económico e Social e o Conselho das Comunidades e Regiões da Europa na Comissão Permanente para a Igualdade das Mulheres e dos Homens na Vida Local.

Maria do Céu Antunes foi também membro do Comité de Acompanhamento do Programa Operacional Regional Centro 2020 e da Comissão Executiva da Entidade Regional do Turismo Centro de Portugal, tendo ainda presidido à direção da Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia (TecParques).

* Com agência Lusa

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