PCP. Que "1000 novos quadros" floresçam para "ligar ainda mais o partido à vida"

Direção do partido incentiva "rejuvenescimento" das estruturas e define objetivo para cumprir até ao final de 2024.

O PCP divulgou ontem o "Projeto de Resolução" que estará em discussão na Conferência Nacional que o partido vai realizar no Pavilhão Municipal do Alto do Moinho, em Corroios (Concelho do Seixal, Distrito de Setúbal), nos dias 12 e 13 de novembro.

O texto agora divulgado tem o conteúdo em aberto, podendo qualquer militante sugerir-lhe alterações, direito que também assistirá aos participantes na conferência e às organizações do partido. A direção do PCP espera entre 900 e mil delegados, eleitos pelas bases do partido.

No documento, o PCP retoma, no essencial, a visão que caracteriza o partido tanto quanto aos assuntos nacionais, como aos internacionais. A nível nacional, o PS é acusado de estar a "concretizar" uma "política de direita", sendo que PSD, CDS, Chega e IL têm "agendas de natureza retrógrada, demagógica, neoliberal e fascizante" que "constituem uma ameaça aos direitos dos trabalhadores e do povo e ao futuro do país".

Já a nível internacional, "o imperialismo incrementa a sua ofensiva", sendo que "a guerra na Ucrânia e o seu prolongamento", bem como "a crescente tensão e provocação contra a China", se inserem numa estratégia de "promoção crescente do fascismo e da guerra" que "transporta consigo o perigo de uma confrontação global"

Ou seja: "A vida deu e dá razão ao PCP, à sua avaliação da situação nacional e internacional, aos perigos para os quais alertou e às manobras que denunciou, às soluções e respostas necessárias para garantir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo, às opções indispensáveis para assegurar o desenvolvimento soberano do país".

Assim, o que se impõe é uma "política alternativa, patriótica e de esquerda" e isso "requer o reforço do partido, a intensificação da luta dos trabalhadores e das populações e o fortalecimento das organizações de massas, assim como a convergência de democratas e patriotas", tudo "condições determinantes para uma alteração na relação de forças".

"É necessário avançar de forma decidida para a estruturação, capacidade de direção e intervenção das organizações locais do partido [e] progredir [no] rejuvenescimento dos núcleos ativos e de direção."

Ora, no entender dos autores do documento - aprovado na última reunião do Comité Central - o "reforço do PCP" passa por "ligar ainda mais o partido à vida": "É indispensável continuar a dar passos para que as organizações e os militantes, nas mais diversas áreas e frentes de trabalho, se afirmem como instrumentos de esclarecimento, organização, agitação e mobilização de outros em torno das suas aspirações".

Para isso, importa "reforçar o Partido com a responsabilização e formação de novos quadros", ou seja, "militantes de diversas gerações" mas também "novos militantes" que, "assumindo naturalmente diferentes disponibilidades, percursos e experiências, revelam vontade de participar e dar o seu contributo".

Está em causa colocar "nas mãos de mais militantes a responsabilidade de serem protagonistas e construtores do partido e da luta por uma vida melhor", assumindo-se um objetivo: "Promover a responsabilização de 1000 novos quadros - com destaque para operários e outros trabalhadores, jovens e mulheres - por tarefas regulares e organizações do partido até final de 2024".

Esta responsabilização de novos quadros deverá ter como centro as células de militantes nas empresas - porque "é nas empresas e locais de trabalho que se expressa de forma mais direta a luta entre trabalho e capital".

Além do mais, é também "necessário avançar de forma decidida para a estruturação, capacidade de direção e intervenção das organizações locais do partido" e "progredir" no "rejuvenescimento dos núcleos ativos e de direção".

Melhorar a divulgação da mensagem do partido é também prioridade e, para isso, será realizada uma "iniciativa nacional" em novembro de 2023.

joao.p.henriques@dn.pt

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