Paulo Rangel: "O governo do PSD nunca será feito com um partido radical, à direita ou à esquerda"

Candidato à presidência do Partido Social Democrata garantiu também que não é o papel do PSD aprovar este Orçamento do Estado.

Paulo Rangel admite que tentaram impedi-lo de se candidatar à liderança do PSD através de "duas investidas no final de julho", mas não quis alongar-se sobre o assunto, tal como em relação à sua decisão de assumir a homossexualidade antes de apresentar a candidatura à presidência do partido.

Em entrevista à TVI, Rangel tem como objetivo unir o PSD, independentemente das personalidades que venham a mostrar apoio, como Passos Coelho, contra quem concorreu à liderança do partido em 2010.

"Não posso falar por Passos Coelho. Eu conhecia muito mal Passos Coelho quando concorri contra ele à liderança do PSD. Entretanto ganhámos uma relação de grande à vontade. Antigos líderes costumam ter algum recato em candidaturas à liderança do partido. Para unir o PSD não é preciso o apoio desta ou daquela personalidade. Partido tem várias correntes (social-democrata, democrata-cristã, liberal, conservadora...), cada uma com os seus protagonistas. Creio que posso agregar. Não preciso da tutela de ninguém. Quero mostrar um PSD único", assumiu.

Do outro lado da barrida poderá estar Rui Rio, por quem Rangel tem "estima e respeito". "Fui candidato às europeias com Manuela Ferreira Leite, Passos Coelho e Rui Rio. Sempre fui leal e correto com todos os presidentes. Não apoiei Rui Rio em 2017, mas dei-lhe um voto de confiança quando Rui Rio disse que ia fazer outro tipo de oposição e congregar o partido. Em fevereiro de 2020 não houve nenhum esforço para acomodar apoiantes de Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz nos órgãos sociais", explicou, defendendo outro tipo de oposição: "A oposição ao Governo tem de ser feita de forma mais firme, mais assertiva. O líder do PSD aceitou perder o principal instrumento de escrutínio parlamentar, os debates quinzenais."

"Não compete ao PSD aprovar OE2022"

Numa altura em que o tema que domina a atualidade política é o Orçamento de Estado para 2022, Rangel diz que "não compete ao PSD aprovar o orçamento". "O PSD é oposição e este orçamento é um mau orçamento. É um orçamento que se esgota na chamada bazuca europeia, embora com algum alívio fiscal. PS disse várias vezes que não quer um acordo com o PSD", afirmou, recusando comentar a tese de que uma crise política daria jeito ao PS. "Acho a crise política pouco provável. O país não perceberia se houvesse crise política. Se houver eleições, PSD deve apresentar-se reforçado", vincou.

Embora não quisesse falar de cenários especulativos, Rangel garantiu estar preparado para eleições legislativas antecipadas, mesmo que tenha pouco tempo de liderança. "O PSD como partido tem um programa, independentemente do seu líder. As pessoas são do PSD porque há um conjunto de ideias que comungam. Comprometo-me avançar com o objetivo de vencer. Terei tempo de me afirmar como líder do PSD. Não credibiliza a política falarmos em especulação, mas se houver uma crise, vamos responder", assegurou.

"Governo do PSD não será feito com um partido radical"

O que também não será problema, no entender de Rangel, é não ser deputado na Assembleia da República. "Passos Coelho e António Costa também não eram deputados quando ganharam as eleições. Vou estar muito presente no parlamento, estarei lá todas as semanas. O grupo parlamentar é uma espécie de braço armado do partido", frisou, acreditando numa maioria absoluta do centro-direita.

"O PSD é um partido de vocação maioritária e está aberto a fazer coligações com CDS-PP e Iniciativa Liberal. Precisamos de dar esperança aos portugueses. Maioria absoluta não é nenhuma impossibilidade. Nunca se ganharam eleições sem ir buscar votos ao centro e ao centro-esquerda", analisou, rejeitando qualquer tipo de aliança com o Chega: "O governo do PSD nunca será feito com um partido radical, à direita ou à esquerda."

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