Passos chama a Portas "líder do principal partido da oposição"

Passos recusa ter atacado Portas na sua biografia, mas equivoca-se na resposta ao BE. "Nunca na vida enxovalhei ninguém, muito menos o líder do principal partido da oposição". PSD critica SMS de Costa a jornalista do Expresso.

Os SMS dominaram o debate quinzenal na Assembleia da República. Primeiro, foi Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, a lembrar a mensagem que António Costa enviou ao diretor-adjunto do Expresso João Vieira Pereira, desafiando os socialistas a assumir uma posição. "Onde está o PS que chamou Miguel Relvas para explicar o conteúdo de um simples telefonema?", ironizou o líder da bancada "laranja".

E prosseguiu com novas questões à bancada liderada por Ferro Rodrigues: "Quando António Costa tenta coagir, condicionar ou intimidar o exercício da liberdade de imprensa, o prenúncio merece uma denúncia clara. Onde está o PS que tanto fustigou, por exemplo, o ex-ministro Miguel Relvas, que chamou ao Parlamento para explicar o conteúdo de um pretenso telefonema? Onde está esse PS? Onde estão as vozes que, muitas vezes de forma rápida e habitual, emergem para falar da liberdade de imprensa? António Costa tem a anuência do PS para intimidar jornalistas? Reconhecem humildemente esse excesso ou vão assumir uma postura de arrogância democrática?"

Ferro aproveitou a boleia e recuperou um outro SMS, aquele que Paulo Portas terá enviado a Pedro Passos Coelho, em 2013, para comunicar a sua "irrevogável" demissão. "Parece que não foi por fax, nem por SMS, nem por carta. Deve ter sido por sinais de fumo porque da mesma forma que apareceu dissipou-se", atirou o líder da bancada socialista, que reiterou o apelo a Passos para aceitar um frente-a-frente com António Costa e discutir as propostas do PS e da coligação PSD-CDS para a próxima legislatura.

O primeiro-ministro ia assistindo à troca de galhardetes entre as duas maiores bancadas - o CDS não tocou em nenhum dos casos dos SMS - e só se pronunciou em resposta a Catarina Martins, porta-voz do BE, que se ancorou nos elogios de Passos a Dias Loureiro, apontado pelo chefe do governo como um empresário de sucesso, para fazer um remoque à coligação.

"Um homem que não tinha nada mas que, veja lá, é tão metódico que até conseguiu anos mais tarde comprar parte da editora que acabou de editar o seu livro em que aproveita para se queixar dos SMS de Paulo Portas e enxovalhar o CDS", afirmou.

Quando ripostava, Passos confundiu o cargo de presidente do CDS com o de líder do maior partido da oposição: "Em primeiro lugar, nunca na vida enxovalhei ninguém, muito menos o líder do principal partido da oposição, está muito equivocada." E continuou: "Está muito equivocada também quanto à forma como dentro do governo, da nossa maioria, sabemos superar as nossas dificuldades", reforçou, argumentando que se trata do primeiro executivo de coligação que terminará o seu mandato, devido à "maturidade" revelada em superar "diferenças, pondo o país em primeiro lugar".

Antes disso, e afastando-se desta polémica, o presidente do grupo parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, considerou a greve dos pilotos da TAP "absolutamente irresponsável" e acusou o PS de "taticismo político" por "só à 25.ª hora" se ter lembrado de a condenar. E ensaiou um regresso ao passado para assinalar que durante o governo de José Sócrates a "privatização total" foi inscrita em todos os programas de estabilidade e crescimento (PEC) e que até mesmo no memorando de entendimento, negociado pelos socialistas, essa privatização já estava prevista.

Para o CDS, sintetizou, "defender a TAP é fazer voar a TAP, não é esperar 30 dias para se dizer que se está contra uma greve que a pode impedir de voar".

A resposta de António Costa

O secretário-geral do PS classificou hoje como "não assunto" a controvérsia relativa ao "sms" que enviou a um membro da direção do jornal Expresso e defendeu que a liberdade de imprensa não exclui o direito ao protesto.

"Francamente, acho que isso é um não assunto. Assuntos reais que deveriam preocupar o líder parlamentar do PSD é mais uma subida do desemprego. Esse é que é um assunto sério", contrapôs o líder socialista.

António Costa disse depois que a liberdade de expressão "felizmente existe" em Portugal, sendo uma das "grandes conquistas" da democracia.

Porém, salientou o secretário-geral do PS, a liberdade de expressão "não exclui a liberdade de quem se sente ofendido poder protestar".

"É evidente para todas as pessoas que, quem se sente ofendido, tem o direito de protestar e que nenhum jornalista se sente ameaçado. Tenho a certeza que o próprio [João Vieira Pereira] também não se sentiu [ofendido] pela forma aliás muito atenciosa como me respondeu também por sms", respondeu o secretário-geral do PS.

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