BE diz que respostas do Governo às propostas são inexistentes ou insuficientes

Líder parlamentar do Bloco de Esquerda criticou a falta de empenho e vontade do executivo cujo otimismo sobre as negociações não partilha.

O líder parlamentar do BE adiantou que as respostas do Governo às nove propostas orçamentais são inexistentes ou insuficientes, criticando a falta de empenho e vontade do executivo cujo otimismo sobre as negociações não partilha.

"Dos nove pontos, vários ainda estão sem resposta, outros têm respostas manifestamente insuficientes. O balanço disto, não há forma de o ver como positivo", afirmou Pedro Filipe Soares em declarações à agência Lusa a propósito das negociações com o Governo para o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022).

Em causa estão as nove propostas, nas áreas da saúde, segurança social e legislação laboral, que o BE fez chegar ao Governo, por escrito, para as negociações do OE2022, documento cuja viabilização não está ainda garantida e em relação ao qual haverá nova reunião entre o partido e o primeiro-ministro, António Costa, no sábado.

"Constatamos é que há esta dificuldade em causa. Se a vemos com otimismo ou com pessimismo, do lado do Governo parece haver um otimismo que manifestamente do nosso lado não há. Não há porque nós estamos a ver o tempo a chegar ao fim e não vemos avanços que nos permita ter um desfecho diferente daquele que nós já anunciamos há uma semana e meia atrás", afirmou, referindo-se ao aviso feito pelo BE de que votaria de novo contra o orçamento caso ele fique como está.

Na perspetiva do dirigente bloquista, "ninguém pode estar otimista com esta informação", enfatizando o "impasse" nas negociações depois de fazer uma descrição pormenorizada do estado negocial de cada um dos nove pontos.

"Isto mostra as dificuldades que estão atualmente em cima da mesa e, na nossa opinião, a falta de empenho, de vontade a que nós estamos a assistir do lado do Governo para ser aproximar das posições do Bloco de Esquerda", criticou.

De acordo com Pedro Filipe Soares, as nove propostas dos bloquistas têm um "custo bastante modesto face ao valor global do Orçamento do Estado e com opções políticas que o próprio Governo diz publicamente que não se distancia delas".

"Ora, se não se distancia delas, então depois porque é que na prática não se aproxima das propostas no concreto? Essa é a nossa dificuldade ao longo deste processo", explicou.

Questionado sobre o motivo pelo qual tem evitado falar ou responder a perguntas a propósito da possibilidade de eleições legislativas antecipadas em caso de chumbo do orçamento, o deputado do BE explicou que o partido está "focado no processo negocial".

"E não queremos que ele seja intoxicado por questões que neste momento podem ser evitadas e não estão, pelo menos agora, em cima da mesa", justificou.

Na perspetiva de Pedro Filipe Soares, "o discurso de eleições antecipadas tem duas motivações diferentes e qualquer uma delas não ajuda ao processo negocial que está em curso".

"Uma motivação, de quem não quer que o processo negocial tenha sucesso ou chegue a bom porto, é a ideia da chantagem, é criar um pântano de confusão e acima de tudo de chantagem, sabendo que normalmente a chantagem em política funciona mal, tende a afastar mais do que une", afirmou.

Quando se faz chantagem, continuou o dirigente do BE, "não é para criar pontes", mas sim para as destruir já que "ninguém vai coagido tomar uma decisão sobre essa chantagem".

"O outro também não é um sentimento positivo que é por medo, que é a ideia de uma crise política instalada e o medo tomar conta das relações em geral", acrescentou.

Para Pedro Filipe Soares nem chantagem nem medo ajudam a "qualquer processo negocial".

Num documento de trabalho do executivo ao qual a agência Lusa teve hoje à tarde acesso, o Governo considerou que há avanços negociais em sete das nove propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda como fundamentais para a viabilização do Orçamento do Estado e apenas em duas assume que não se registam aproximações.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG