Nos 136 anos do seu nascimento, Aristides tem um busto no Parlamento

Cerimónia na Assembleia da República marca o início de uma série de iniciativas que vão culminar com evocação no Panteão.

No dia em que passaram 136 anos sobre o nascimento de Aristides de Sousa Mendes, a Assembleia da República foi ontem palco de uma cerimónia de homenagem, com a doação e descerramento de um busto do antigo cônsul português em Bordéus. Foi a primeira de um conjunto de iniciativas que culminará, a 5 de outubro próximo, com a concessão de honras de Panteão a Aristides de Sousa Mendes, uma decisão aprovada pelo Parlamento há pouco mais de um ano.

Um busto que ficará agora no espaço parlamentar em memória de "um homem notável que soube estar à altura dos tempos e da História quando isso lhe foi exigido", destacou o deputado Pedro Delgado Alves, que coordenou o grupo parlamentar de trabalho que definiu o programa das comemorações em torno da trasladação para o Panteão Nacional. O busto, da autoria do escultor russo Gregory Pototsky, fica no Parlamento por doação da ALPI (Associação Lusa Portugueses por Israel), instituição à qual foi inicialmente oferecido pelo empresário francês (e mecenas do artista), Frédéric Lassoeur. Segundo João Rebelo, antigo deputado e atual presidente da ALPI, esta foi também uma forma de responder ao repto do Parlamento para que também a sociedade civil se empenhasse na homenagem a Sousa Mendes.

A cerimónia, que contou com a presença de familiares do antigo cônsul, assim como do embaixador de Israel em Portugal, e da embaixadora francesa, foi o desfecho de um "encontro feliz de vontades", destacou Pedro Delgado Alves. Antes de acrescentar que é "difícil de explicar" - mesmo "incompreensível para as jovens gerações" - que tenha sido necessário reabilitar a figura do diplomata, quando era tão evidente o seu papel de "herói". Já Madalena Barata, vice-presidente da ALPI, resumiu a sua intervenção numa última palavra - "honra".

Aristides de Sousa Mendes recebeu em 1966 o título de "Justo entre as Nações", atribuído pelo Yad Vashem (Memorial do Holocausto), em nome de Israel, a não-judeus que tenham arriscado a vida para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial. À revelia das ordens das autoridades portuguesas, o então cônsul em Bordéus passou vistos de entrada em Portugal a milhares de refugiados, acabando proscrito, num processo que só seria revertido a partir da década de 80.

A decisão da Assembleia da República de homenagear Aristides de Sousa Mendes com uma evocação no Panteão Nacional partiu da deputada Joacine Katar Moreira, acabando por ser aprovada por unanimidade. Na igreja de Santa Engrácia, o Panteão Nacional, ficará um túmulo sem corpo, dado que a sepultura do diplomata permanecerá na sua terra natal, no concelho de Carregal do Sal.

susete.francisco@dn.pt

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