Montenegro "palavroso" deverá "obrigar" Governo a antecipar medidas de combate à crise

Politólogos dividem-se sobre a eficácia do discurso do líder do PSD no Pontal. Há quem o considere pouco eficaz na mensagem de alternativa ao PS e há quem veja capacidade de levar o executivo a reagir às críticas e desafios.

Foi "palavroso" e isso "não cativa o eleitorado", analisa José Adelino Maltez sobre o o discurso de estreia de Luís Montenegro na Festa do Pontal, domingo à noite no Calçadão de Quarteira. O politólogo também no gostou do "estilo demasiado coloquial" ou a "intimidade de camarada" do líder do PSD para falar ao país.

Apesar de todas as críticas ao governo, incluindo aos casos como a da contratação de Sérgio Figueiredo para o Ministério das Finanças, Adelino Maltez considera que para se afirmar como "alternativa ao Governo tem de ir além da máquina do PSD" e apontar "ao futuro". "Só assim pode desequilibrar a balança que pende para o lado do PS.

O pacote de quatro medidas de um Plano de Emergência Nacional que apresentou no Pontal foi para Adelino Maltez foi numa fase do discurso "em que já ninguém ouvia". "Devia ter aprendido com Paulo Portas, a dizer as coisas de rajada", analisa o politólogo.

No Calçadão, Montenegro defendeu um plano a quatro meses para ocorrer aos pensionistas que recebam até 1100 euros, a quem seria dados mais 40 euros; e o mesmo valor em vale aos trabalhadores que ganhem até esse valor. Apontou ainda à redução do IRS no 4.º, 5.º e 6.º escalões do imposto e mais 10 euros a todos os beneficiários de abono de família. A que acresceu linhas de apoio às IPSS e às PME.

Tudo somado, um pacote de mil milhões de euros seriam suportadas pelo excedente orçamental" que o Governo tem vindo a acumular nos últimos meses através dos impostos devido ao aumento do custo de vida. E que já tem pedido entregue no Parlamento para que seja discutido na abertura dos trabalhos parlamentares.

Passos "positivo"

Já António Costa Pinto vê como positivo este antecipar de propostas por parte do líder social-democrata e vaticina: "Deverá forçar o PS e o Governo a anteciparem algumas medidas de minoração do impacto da inflação para os setores mais penalizados, entre os quais os pensionistas e ativos de menores recursos".

O politólogo destaca ainda, e à margem do foi dito pelo presidente social-democrata na rentrée do partido, que já veio a público a intenção de Luís Montenegro formar um governo sombra. "Destacar personalidades dentro do partido em certas áreas dará competências alternativas perante o país, ao contrário do que aconteceu com a anterior liderança que nunca afirmou ninguém, era exclusivamente o líder".

A "surpresa" da Festa do Pontal, a presença do antigo líder e primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, é vista por Costa Pinto como "benéfica" para liderança de Montenegro, que estava associado ao seu período de governação. "A presença de Passos Coelho permite a Montenegro o prosseguir com a imagem de unificação interna", afirma. "Só poderia ser complexa essa presença caso não fosse "excecional" [Passo garantiu aos jornalistas que é], porque não deixaria o novo líder afirmar-se".

Luís Montenegro afirmou, entre outras coisas, que o Governo de António Costa "não assume responsabilidades. Se algo acontece, a culpa nunca é do Governo". Ou seja: "Na Saúde, pediram-nos que não ficássemos doentes em agosto. Se o SNS não funcionar, a culpa é das pessoas que adoeceram. O SIRESP tem falhas, mas não funciona porque afinal as pessoas é que não o sabem usar."

A partir daquele palco algarvio, Montenegro garantiu também que o PSD regressou e está pronto para tentar conquistar a governação.

Reformas da IL

Dois dias antes o líder da Iniciativa Liberal, na rentrée do seu partido, na Praia da Rocha, Portimão, tinha seguido um guião parecido com o de Montenegro, ou seja, muito recheado de críticas ao Executivo e com a mira nos casos polémicos.

Mais do que atender ao problema imediato do impacto na inflação no país, João Cotrim Figueiredo defendeu "uma reforma séria do Estado, com a valorização da Administração Pública, reformas que aumentem tudo o que é liberdade de escolha nos serviços públicos, como na saúde, na educação, que aumentem a liberdade económica e um sistema fiscal bastante mais leve, simplificado e desagravado".

O líder da IL falou ainda dos problemas no ensino e apontou para o risco de existirem "cerca de 100 mil alunos sem o quadro de professores completo" no ano letivo que arranca em setembro.

Se não for antes, António Costa deverá responder a estas críticas na rentrée socialista, na Academia Socialista, que decorrerá entre 7 e 11 de setembro, na Batalha.

paulasa@dn.pt

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