Medina: Maior contributo do Estado face a subida de juros é ter défice que não derrape

Questionado sobre eventuais medidas adicionais para aliviar esta subida das taxas de juro, o governante apontou que, "em momentos em que houve necessidade de haver intervenções dessa natureza, elas não revistaram a natureza orçamental".

O ministro das Finanças, Fernando Medina, disse hoje que "o maior contributo do Estado" face à subida de juros anunciada pelo Banco Central Europeu (BCE) é a de ter "um défice que não derrapa", garantindo acompanhar a evolução.

"Vamos acompanhar a situação, ver como ela se desenvolve. Tenho afirmado muitas vezes - já desde a apresentação do Orçamento do Estado em março passado e várias vezes ao longo deste ano - a importância da estratégia portuguesa de redução da dívida pública e de termos as contas certas, isto é, de termos um défice que não derrapa porque é precisamente isso que permite ao país melhorar o seu 'rating', como já aconteceu no passado", declarou Fernando Medina.

Falando na chegada à reunião informal dos ministros das Finanças da zona euro, na cidade checa de Praga, um dia depois de o BCE ter anunciado uma subida das taxas de juro em 75 pontos base, o ministro das Finanças indicou que o Governo tem "perspetivas de continuar esse caminho".

"É a partir da contenção dos juros da República Portuguesa que depois decorre os juros que os bancos portugueses financiam, que as empresas portuguesas financiam, que as famílias se financiam e por isso é da maior importância e o maior contributo que o Estado português pode dar que pode dar relativamente à situação dos juros no nosso país", vincou Fernando Medina.

Questionado sobre eventuais medidas adicionais para aliviar esta subida das taxas de juro, o governante apontou que, "em momentos em que houve necessidade de haver intervenções dessa natureza, elas não revistaram a natureza orçamental".

"Recordo, por exemplo, durante o período da pandemia, todo o processo de moratórias que existiu foi um acordo ao nível europeu e isso não envolveu um esforço orçamental na medida em que a dimensão do problema não é compatível com uma ação isolada de um país", apontou.

"A colocar-se a questão não é compatível com essa ação isolada, nem com a ação isolada das finanças públicas dos Estados", reforçou Fernando Medina, adiantando que as medidas europeias adotadas relativas à crise energética têm também "o potencial de poder conter as subidas de preços com eficácia".

O BCE anunciou na quinta-feira que decidiu aumentar em 75 pontos base as suas três taxas de juro diretoras, o segundo aumento consecutivo deste ano.

A taxa de juro das principais operações de refinanciamento passa de 0,50% para 1,25%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez de 0,75% para 1,50% e a taxa aplicada à facilidade permanente de depósito de 0% para 0,75%. Esta subida tem efeitos a partir de 14 de setembro.

Esta é a maior subida dos juros do banco central e o maior movimento desta dimensão, desde que em dezembro de 2008 o banco central decidiu em sentido inverso descer as taxas de juro em 75 pontos base.

A instituição presidida por Christine Lagarde justificou que "este passo importante antecipa a transição do nível extremamente acomodatício prevalente das taxas de juro diretoras para níveis que assegurarão um regresso atempado da inflação ao objetivo de 2% a médio prazo estabelecido pelo BCE".

Desta forma, o banco central indica que nas próximas reuniões espera voltar a aumentar as taxas de juro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG