Marinha Grande. Vice socialista troca de trincheira e lidera lista do PSD

Carlos Caetano, militante do PS, é vice-presidente da câmara liderada pela também socialista Cidália Ferreira. Agora, os dois vão defrontar-se nas próximas eleições.

Um misto de surpresa e choque abateu-se esta terça-feira sobre a Câmara da Marinha Grande, quando foi conhecida a notícia de que Carlos Caetano, o atual vice-presidente da autarquia, será cabeça de lista pelo PSD, como independente, às próximas eleições autárquicas.

O nome do autarca foi confirmado na segunda-feira à noite em reunião da comissão política distrital, e o DN sabe que será entretanto homologado pelos órgãos nacionais do partido. Acontece que Carlos Caetano é militante do PS, e se não se desfiliar rapidamente incorre na sanção de expulsão, tal como ditam os estatutos do partido.

O vereador, de 56 anos, filiou-se no PS poucas semanas antes das eleições autárquicas de 2017, quando ocupou o segundo lugar na lista à Câmara. Formado em biopatologia, trabalhava numa rede de laboratórios de anatomia patológica antes de ser autarca a tempo inteiro e vice-presidente da Câmara. Até ontem, continuava a desempenhar as suas funções normais no executivo, tendo mesmo substituído a presidente da Câmara nos últimos dias.

"A nossa reação só pode ser de surpresa e estupefação", afirmou ao DN Nelson Araújo, presidente da comissão política concelhia do PS, e chefe de gabinete da presidente, Cidália Ferreira. "O que vamos fazer hoje é, de imediato, reunir o secretariado, e tomar uma posição", acrescentou.

Ao final da tarde, Carlos Caetano era esperado na autarquia, onde várias pessoas aguardavam explicações sobre esta reviravolta. O telefone mantinha-se desligado, apesar de várias tentativas no sentido de perceber as razões desta mudança de camisola. Ao que o DN apurou, o autarca nunca deu sinais de descontentamento interno. Continuava a gerir as obras públicas e privadas, bem como os pelouros de Ambiente e Águas. De resto, ontem mesmo saiu da Câmara para representar a autarquia numa reunião em Leiria, nas Águas de Portugal.

Namorado pelo PSD, com esperança no PS

Mas o namoro do PSD a Carlos Caetano terá começado há meses, soube o DN. Internamente, o vice-presidente da Câmara foi acompanhando a delicada gestão diária, uma vez que o executivo que (ainda) integra não tem maioria. O PS foi o partido mais votado em 2017 (29,3%), elegendo três vereadores, mas não conseguiu maioria. Numa terra que já foi um bastião comunista, a CDU secundou-o na votação, com 24,5% e dois vereadores, seguida de perto pelo Movimento Pela Marinha (MPM), com 22% dos votos e também dois vereadores. Aliás, os movimentos independentes têm sido um fenómeno expressivo no concelho. De tal forma que, nestas autárquicas, os dois existentes anunciaram a intenção de concorrer juntos, sendo Aurélio Ferreira o cabeça de lista. O fundador do MPM vai a votos pela terceira vez consecutiva, agora coligado com o +C.

No seio do PS, permaneceu a dúvida durante algum tempo sobre a recandidatura de Cidália Ferreira, e Carlos Caetano chegou a ser apontado como provável cabeça de lista do PS. Mas há duas semanas, a autarca decidiu avançar. A essa decisão não será alheio o resultado favorável de uma sondagem que correu pelo concelho, em que sai bem posicionada. Apesar de várias tentativas, não foi possível ouvir Cidália Ferreira até ao fecho desta edição.

Por esta altura a Marinha Grande conta já várias candidaturas às eleições autárquicas. O independente Aurélio Ferreira foi o primeiro a anunciar-se, seguindo-se Cidália Ferreira. Ontem mesmo foi conhecido o nome de Alexandra Dengucho, que volta a concorrer pela CDU, e também o Bloco de Esquerda anunciou os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal. O primeiro é um jovem de apenas 23 anos, Pedro Luzio, o segundo é Nuno Machado.

A (grande) novidade é, no entanto, Carlos Caetano. Natural da Marinha Grande, é filho de um histórico socialista do concelho, António Caetano, eleito vereador em 1976, nas primeiras eleições livres. Antes de ser vereador e vice-presidente da autarquia, Carlos Caetano foi membro da Assembleia Municipal, chegando a desempenhar o lugar de secretário. Nas últimas eleições, o PSD foi a votos em coligação com um movimento independente, alcançando apenas 4,8% dos votos.

dnot@dn.pt

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