Marcelo considera que segunda volta pode acontecer e seria "exigência acrescida"

Presidente da República e candidato presidencial reiterou que segunda volta será "quase inevitável" se a abstenção atingir os 70%

O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta quinta-feira que uma segunda volta pode realmente acontecer, em função da abstenção no domingo, e seria "uma exigência acrescida", mas manifestou-se confiante na participação eleitoral dos portugueses.

No final de uma visita às instalações do grupo do setor automóvel Salvador Caetano, em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado se receia uma segunda volta - um cenário que na quarta-feira apontou como "quase inevitável" se a abstenção atingir os 70%.

"Não é um problema de ter receio. Eu acho que pode acontecer. Pode não acontecer ou pode acontecer, depende do grau de abstenção. É evidente que ter uma segunda volta com uma epidemia como está, com mais três semanas de campanha, é uma exigência acrescida", afirmou.

O Presidente da República e recandidato ao cargo ressalvou, no entanto, que no seu entender ser eleito à segunda volta "não é um problema de legitimidade", até porque "numa segunda volta quem ganhar ganha sempre por uma maioria muito superior àquela que não existiu na primeira volta".

"É apenas uma análise que eu faço da realidade. Pode acontecer, mas eu estou convencido que os portugueses estão muito sensíveis à importância do voto, mostraram isso no voto antecipado e mostrarão no dia 24", acrescentou.

Na quarta-feira, durante um encontro com alunos na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que "basta que a abstenção atinja 70% para tornar quase inevitável uma segunda volta, porque a abstenção pune em função da intenção de voto dos vários candidatos, atinge mais os que têm mais intenção de voto".

Esta quinta-feira, o chefe de Estado e candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP disse que esteve "sempre preocupado com a abstenção" nestas presidenciais, mas realçou também que "houve audiências recorde em termos dos debates, das entrevistas" com candidatos às eleições de domingo.

Na sua opinião, "os portugueses não se divorciaram do debate político e acompanharam como não se via há mais de uma década aquilo que foi a campanha possível em termos audiovisuais, e que foi muito intensa, isso é um bom sinal".

"É muito importante que as pessoas pensem que não há suspensão da democracia. O estado de emergência e o confinamento não suspendem a democracia, não suspendem a liberdade política, não suspendem a diversidade de opiniões, não suspendem aquilo que é a participação de todos na escolha do futuro coletivo", realçou.

Interrogado sobre o seu contributo para a mobilização dos eleitores para o voto, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "como Presidente e como candidato" fez tudo o que podia nesse sentido.

"Como Presidente, quando coloquei a questão do adiamento ou não das eleições, várias vezes. Como Presidente, quando fiz tudo para alargar o voto antecipado. Como Presidente, quando fiz tudo no decreto presidencial para permitir o voto, pela primeira vez, dos confinados por razões da pandemia, ou apliquei isso especificamente aos lares. E como candidato participando - que eu me recorde como nenhum Presidente que se recandidatou - em três dezenas de entrevistas e de debates no espaço de um mês e dez dias", referiu.

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, são candidatos às eleições presidenciais de domingo Ana Gomes, Marisa Matias, João Ferreira, André Ventura, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva.

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