Marcelo considera acordo de concertação social "um sucesso político"

Presidente da República saudou a criação de uma taxa sobre lucros extraordinários de setores ligados à energia.

O Presidente da República considerou esta segunda-feira que o acordo de concertação social com confederações patronais e UGT constitui "um sucesso político" para o Governo, com recurso a "uma fórmula muito curiosa e talentosa".

Em resposta a perguntas dos jornalistas, no Museu da Eletricidade, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa saudou, por outro lado, a criação de uma taxa sobre lucros extraordinários de setores ligados à energia esta segunda-feira anunciada pelo ministro das Finanças, Fernando Medina, medida que qualificou como "simbolicamente importante".

Antes, ao discursar no Museu da Eletricidade numa iniciativa solidária sobre saúde mental, o chefe de Estado assinalou a incerteza atual, observando que "planear a médio prazo é uma aventura" e que "as respostas dadas hoje provavelmente não têm nada a ver com as respostas possíveis depois de amanhã".

Questionado, nesse contexto, sobre a importância que atribui ao "Acordo de Médio Prazo de Melhoria dos Rendimentos, dos Salários e da Competitividade" assinado no domingo, o Presidente da República respondeu que "é um sucesso político".

"É um sucesso para o Governo reunir à volta da mesa como já não acontecia há uns tempos, depois da pandemia e em plena guerra todos os parceiros patronais e a UGT", considerou.

"Do ponto de vista económico e social, é uma fórmula muito curiosa e talentosa de satisfazer algumas reivindicações imediatas das confederações patronais e da UGT, e portanto as medidas mais concretas são as imediatas, e depois ter metas tendenciais naquilo que ultrapassa 2023, esperando que 2024, 2025, até 2026 possam corresponder a estes bons propósitos", acrescentou.

Em resumo, segundo o chefe de Estado, "é muito concreto no imediato, é bem-intencionado no médio prazo".

Relativamente à taxa sobre lucros extraordinários de setores ligados à energia esta segunda-feira anunciada pelo ministro das Finanças, Marcelo Rebelo de Sousa saudou essa medida, defendendo que este "era sobretudo um problema simbólico, nem era tanto um problema económico".

"É uma questão politicamente importante, que corresponde à visão que eu tenho da vida e do mundo. Eu não sou liberal. Sou um social cristão num partido que nasceu social-democrata e que se afirma social-democrata", declarou, manifestando-se convencido de que "a maioria dos portugueses pensa assim".

No seu entender, "havendo porventura setores que beneficiaram mais do que normalmente beneficiariam" das consequências da guerra na Ucrânia, "era importante simbolicamente que ficasse claro que também deviam pagar alguma coisa a pensar na coletividade, pagar mais alguma coisa a pensar na coletividade".

Ressalvando que "os lucros de certos setores não são só devidos à guerra", o Presidente da República reiterou que "é simbolicamente que uma parte seja um pouco mais tributada, apanhada pelos impostos, como sinal de solidariedade militante e ativa para com os mais pobres e mais dependentes que estão a sofrer mais por causa da guerra".

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