Líder do PSD acusa Costa de "folclore político". E reitera orgulho no passismo

Logo após o fim do debate do estado da Nação, presidente do PSD criticou postura do primeiro-ministro e voltou a afirmar-se orgulhoso de ter estado ao lado de Pedro Passos Coelho no período da Troika.

O presidente do PSD acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de insistir no "folclore político" em vez de responder aos problemas dos portugueses e reiterou "honra e orgulho" em ter estado ao lado do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

No final do debate do estado da Nação, Luís Montenegro - que não é deputado, mas assistiu à discussão a partir do seu gabinete no parlamento - foi questionado sobre as críticas de António Costa de que a sua liderança do PSD representava o regresso ao passismo.

"Se o que se pretende é olhar para trás, vou dizer mais uma vez que tenho uma grande honra e um grande orgulho em ter estado ao lado de Pedro Passos Coelho e tirado a troika de Portugal. Exorto o dr. António Costa a dizer se tem o mesmo orgulho e a mesma honra de ter estado ao lado de José Sócrates, que trouxe a bancarrota e a 'troika', e a António Guterres que deixou o país num pântano", desafiou.

Questionado se o facto de ter sido líder parlamentar do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, Montenegro considerou que tal lhe dá "uma vantagem acentuadíssima", mas disse que não é essa a discussão que interessa aos portugueses.

"O que interessa à vida dos portugueses é saber se vai haver médicos de família, se vai haver reforço do SNS para que não encerrem urgências, se vai haver professores para os alunos, se o Estado vai devolver aos mais vulneráveis os mais de 3 mil milhões de euros de impostos que vai cobrar", considerou.

Para Luís Montenegro, "o primeiro-ministro pode divertir-se na retórica e folclore parlamentar, mas isso não resolve o problema dos portugueses".

O presidente do PSD começou por felicitar o novo líder parlamentar, Joaquim Miranda Sarmento, e a direção da bancada pela forma como conduziram o debate do estado da nação, considerando que as intervenções da bancada social-democrata se distinguiram das do Governo e do PS por se centrarem "no quotidiano das famílias e empresas".

"A isso o primeiro-ministro decidiu responder com o folclore político habitual. Chegou a ter um momento hilariante, que foi apontar uma dessintonia no PSD", criticou. "Quem diria que duas semanas depois da maior dessintonia de sempre no Governo entre o primeiro-ministro e um dos seus ministros mais políticos [Pedro Nuno Santos] havia descaramento de levar o debate parlamentar para esse tipo de diversões", acrescentou.

Luís Montenegro considerou ainda que ficou sem resposta o desafio lançado por Miranda Sarmento, que questionou o primeiro-ministro se tenciona devolver parte do excedente arrecadado em impostos com o aumento da inflação, e que o PSD estima que será, no mínimo, de 3 mil milhões de euros.

"Verifiquei com estupefação que o Governo não respondeu, o primeiro-ministro disse que em setembro logo se vê", afirmou, referindo-se ao anúncio de António Costa de mais medidas para famílias e empresas nesse mês.

Questionado se o agradecimento de António Costa ao ex-presidente do PSD Rui Rio, feito durante o debate, se enquadra também no folclore parlamentar, o líder do PSD disse não saber.

"Não sei se foi uma coisa muito sentida ou mais circunstancial, mas, na parte que me toca, acho que lhe era devido uma palavra. Achei perfeitamente normal", disse.

Antes do debate, António Costa foi cumprimentar Rui Rio à bancada do PSD e, durante a sua resposta à bancada do PSD, deixou uma palavra ao anterior presidente social-democrata.

"Quero cumprimentar o dr. Rui Rio e agradecer o melhor contributo que deu ao nosso país, sobretudo em momentos tão duros e tão difíceis como o da pandemia. Muito obrigada, senhor deputado", disse o primeiro-ministro, recebendo palmas da bancada do PS, mas também de parte do grupo parlamentar do PSD.

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