Carneiro: "Candidato-me à liderança do PS com o objetivo de ganhar as eleições legislativas"

O socialista José Luís Carneiro confirmou este sábado em Coimbra que se candidata à liderança do PS com "espírito de firmeza e pés na terra". Conheça o perfil e percurso político natural de Baião.
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"Candidato-me para, com o Partido Socialista, nos empenharmos em dar resposta às necessidades do país. Sem retóricas inúteis nem voluntarismos inconsequentes, mas com espírito de firmeza e os pés na terra, próprios de quem não ignora que as transformações sustentadas só se alcançam com energia mobilizadora, disponibilidade para o diálogo e capacidade para o compromisso", afirmou o atual ministro da Administração Interna, que lia uma declaração na sede do PS de Coimbra, pequena para os militantes que se juntaram no local.

José Luís Carneiro afirmou que se candidata também por "um projeto de liderança" que se assuma "na melhor tradição do PS, a do respeito e da preservação da sua identidade e autonomia próprias, de decisão e de estratégia".

Rejeitando que esse seja um "espírito isolacionista", o candidato à liderança socialista considera que é assim que melhor o PS serve "Portugal e os portugueses, pela disponibilidade de comunicar com todos, ouvir todos e poder mobilizar em cada momento as bases políticas e sociais de apoio indispensáveis a uma vida política e institucional que concilie dinâmica com estabilidade, clareza de opções com empenhamentos sustentáveis, governabilidade indispensável com condições de participação democrática para todos".

O autarca em Baião, ministro em Lisboa e candidato ao PS

Natural de Baião, onde foi presidente do município dez anos, de 2005 a 2015 (depois de ter sido vereador), José Luís Pereira Carneiro é licenciado em Relações Internacionais, com um mestrado em Estudos Africanos, e foi secretário de Estado das Comunidades no primeiro Governo de António Costa, de 2015 a 2019.

A sua experiência governamental começou, como adjunto, no gabinete de Carlos Zorrinho, secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, entre 1999 e 2000, no executivo de António Guterres.

Deputado durante várias legislaturas, José Luís Carneiro foi presidente da Associação Nacional de Autarcas Socialistas, de 2014 a 2015, e liderou a Federação Distrital do Porto do PS, de 2012 a 2016.

Ainda no PS, foi secretário-geral adjunto do partido, entre 2019 e 2022, já com António Costa na liderança dos socialistas.

Politicamente associado à ala moderada ou de centro no PS, votou contra a morte medicamente assistida, quando era deputado, em 2021.

Com a vitória do partido nas legislativas de 2022, com maioria absoluta, António Costa escolheu-o para ministro da Administração Interna, pasta com o dossiê dos incêndios, e que tratou da anunciada extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a reestruturação do controlo de fronteiras e sua transformação na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

José Luís Carneiro foi o primeiro a posicionar-se na corrida à liderança do PS, depois da demissão do primeiro-ministro, António Costa, na terça-feira, na sequência de um caso judicial que o envolve com negócios de lítio em Boticas e Montalegre, hidrogénio e um centro de dados em Sines. O processo levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a convocar eleições antecipadas para 10 de março de 2024.

A candidatura do ex-ministro e atual deputado socialista Pedro Nuno Santos será formalizada na segunda-feira, em Lisboa.

As eleições diretas para a sucessão de António Costa no PS estão marcadas para 15 e 16 de dezembro -- em simultâneo com a eleição de delegados -- e o congresso está previsto para 6 e 7 de janeiro.

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