Jerónimo de Sousa teme perda de direitos dos trabalhadores com insolvência da Groundforce

"A experiência diz-nos que nesses processos, geralmente, procura-se `limpar´ as empresas de trabalhadores. E depois, num processo diferente, voltar a chamar alguns, com menos direitos, com menos salários, com mais precariedade. Essa é a experiência que temos", disse Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP, manifestou esta terça-feira alguma reserva em relação à insolvência da Groundforce e lembrou que os processos de insolvência e reabertura imediata de algumas empresas, resulta muitas vezes numa perda de direitos para os trabalhadores.

"A experiência diz-nos que nesses processos, geralmente, procura-se `limpar´ as empresas de trabalhadores. E depois, num processo diferente, voltar a chamar alguns, com menos direitos, com menos salários, com mais precariedade. Essa é a experiência que temos", disse Jerónimo de Sousa.

"Temos que conhecer melhor [o processo], mas a experiência diz-nos que estes processos de insolvência, de reabertura, levam geralmente à penalização dos trabalhadores e dos seus direitos, particularmente o seu vínculo às empresas", frisou o líder do PCP, que reagiu desta forma ao pedido de insolvência da SPdH - Serviços Portugueses de Handling, S.A. (Groundforce), requerido segunda-feira junto dos Juízos de Comércio de Lisboa do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas depois de um encontro com trabalhadores dos Serviços Operacionais da Câmara do Seixal, para celebrar a conquista do suplemento de insalubridade, penosidade e risco, no valor de cerca de 100 euros, que, como referiu o líder comunista, já está a ser pago em todas as autarquias de maioria CDU.

"Isto não é uma reivindicação e uma situação que resulte só da situação epidémica que o nosso país viveu; é um problema que tem 20 anos, tendo em conta as condições de trabalho destes trabalhadores, no plano da insalubridade, da penosidade, num quadro em que a epidemia alastrava, numa situação muito difícil para quem tem que lidar com resíduos sólidos, para quem tem de trabalhar em condições difíceis", disse o dirigente comunista.

"E foi neste quadro que o PCP apresentou a proposta de suplemento de penosidade, insalubridade e risco. O Governo considerou parte da nossa proposta, mas deixou muitos trabalhadores para trás, não abrangidos por este suplemento. Mas poderíamos dizer que, como aqui afirmei, que foi metido um pé na porta. Para conseguir abrir a porta toda, vai ter que continuar com muita luta", sublinhou.

O líder comunista referiu ainda que a Câmara do Seixal e todas as autarquias de maioria CDU já estão a pagar o suplemento, mas lamentou que o Governo PS só tivesse aprovado o referido suplemento para os trabalhadores da Higiene Urbana e do Saneamento, deixando de fora os trabalhadores das Águas, Pavimentos, Manutenção e Conservação.

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