Fundador acusa: "Rumo antidemocrático e totalitarista" no Chega

Militante nº 2 do partido, agora candidato à liderança contra André Ventura, viu ser-lhe retirada confiança política como vereador na Câmara de Sintra.

Está a ferro e fogo o ambiente dentro do Chega. Nuno Afonso, militante nº 2 do partido (o nº 1 é André Ventura) viu ontem o partido retirar-lhe a confiança política como vereador em Sintra, dias depois de ter anunciado que será candidato à liderança se o próximo congresso for eletivo.

Na sequência desta decisão, da autoria da Comissão Política Distrital (CPD) de Lisboa do Chega, Nuno Afonso - que integrou foi vice-presidente do Chega até ao III Congresso (maio do ano passado) e que foi chefe de gabinete de Ventura no Parlamento na legislatura em que este foi deputado único -, emitiu um comunicado onde afirma estar mesmo a ponderar um processo-crime contra o partido e os dirigentes da CPD de Lisboa.

"Este é um partido que não se guia por valores democráticos, que persegue os opositores pessoal e politicamente, como nunca antes se viu em Democracia no nosso país, um comportamento típico das ditaduras que existiram e existem por este mundo fora."

O vereador faz um diagnóstico violentíssimo sobre a (ausência) de democraticidade interna no Chega.

Dizendo-se alvo de "perseguição política e pessoal reiterada", com recurso a "insultos" e "mentiras", denuncia o "autoritarismo vigente no partido". "Este é um partido que não se guia por valores democráticos, que persegue os opositores pessoal e politicamente, como nunca antes se viu em Democracia no nosso país, um comportamento típico das ditaduras que existiram e existem por este mundo fora", escreveu.

Segundo acrescentou, o Chega tomou um "rumo antidemocrático e totalitarista", o que se ilustra pelo facto de "deputados e elementos de órgãos nacionais, incluindo o próprio presidente" apelidarem "os seus opositores internos de ratos ou traidores". "Não aceito também que a "justiça" do partido seja aplicada a uns" enquanto "a outros tudo é permitido impunemente".

"O seu sentido de voto, à revelia das orientações do partido e da estratégia definida para o distrito, são claros atos de indisciplina partidária e não deixa outra alternativa, a esta Comissão Politica Distrital, senão a de retirar, de imediato, a confiança política ao senhor vereador Nuno Afonso."

A CPD de Lisboa do Chega retirou a confiança política ao vereador do partido eleito em Sintra alegando que, ao viabilizar o Orçamento Municipal para 2023, desrespeitou as indicações políticas do partido. Segundo um comunicado, a Câmara Municipal de Sintra seria rapidamente informada de que Nuno Afonso já não representa o partido.

O Orçamento de Sintra para 2023, no valor de 315 milhões de euros, foi aprovado na terça-feira com os votos favoráveis do PS (quatro vereadores, mais o presidente), do vereador da CDU, a abstenção do vereador do Chega e os votos contra do PSD e do CDS (quatro vereadores).

"O seu sentido de voto, à revelia das orientações do partido e da estratégia definida para o distrito, são claros atos de indisciplina partidária e não deixa outra alternativa, a esta Comissão Politica Distrital, senão a de retirar, de imediato, a confiança política ao senhor vereador Nuno Afonso."

O autarca contestou dizendo que "o que foi aprovado foi a submissão do Orçamento à Assembleia Municipal para este órgão deliberar a sua aprovação ou rejeição", demonstrando por isso a CPD de Lisboa do Chega "total ignorância e incompetência". Alegou, além do mais, não ter tido "conhecimento de quaisquer posições do partido" com orientações de voto relativamente a Sintra.

joao.p.henriques@dn.pt

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