"Está na hora de Santana voltar ao PSD"

João Montenegro, secretário-geral adjunto do partido, garante que os militantes querem o regresso do antigo líder. E fala de aproximação a Rui Rio.

No segundo dia do 39.º congresso do PSD, em Santa Maria da Feira, e com os olhos já postos nas legislativas de 30 de janeiro, João Montenegro, secretário-geral adjunto do partido e antigo assessor de Pedro Passos Coelho, lança um apelo direitinho à Figueira da Foz. "Está na hora de Pedro Santana Lopes voltar ao PSD".

João Montenegro lança ao mesmo tempo o desafio: "Gostava de chamar Santana a jogo e, em pleno congresso, chamá-lo a vir aqui". O dirigente social-democrata afirma ao DN que se "sente uma clara aproximação de Santana a Rio". E vai buscar essa sensação ao que o atual presidente da Câmara da Figueira da Foz escreveu há dias no Facebook sobre a "limpeza" que o líder do PSD fez nas listas de candidatos a deputados.

"Gostava de chamar Santana a jogo e, em pleno congresso, chamá-lo a vir aqui."

A 8 de dezembro, Santana recordou a era de Cavaco e quando ganhou as legislativas, depois de um sinal de autoridade nas listas.

"Para quem sabe pouco da história do sistema político português, vejam o que fez Cavaco Silva nas listas de Deputados, depois de ter ganho, "só" com 51%, o Congresso da Figueira, em Maio de 1985. Tirou das listas vários que se lhe tinham oposto. Por coincidência, o então líder da Distrital do Algarve, José Vitorino, também não ficou. Pensava ser primeiro ou segundo e Cavaco Silva ofereceu-lhe um lugar mais abaixo que sabia de antemão que José Vitorino não poderia aceitar. E decidiu mais afastamentos - surpresa ao mesmo tempo que convidava alguns outros opositores que não esperavam tal convite. Mostrou quem mandava" E concluiu: "Mês e meio depois ganhou as eleições e ficou lá dez anos. Excesso de conciliação, principalmente depois de uma clarificação, seria sinal de fraqueza."

Esta análise, em que nunca cita o nome de Rio, e numa altura sobre a polémica na elaboração das listas de candidatos à Assembleia da República, prestou-se a leituras dentro do PSD.

João Montenegro argumenta, para justificar este apelo ao regresso de Santana, que depois de ter saído, liderado um novo partido, Aliança, precisava de fazer um "caminho equidistante do PSD". E nem o facto de não ter chegado a acordo com o seu antigo partido para liderar uma candidatura autárquica pelo PSD desmobiliza a convicção de Montenegro sobre a possibilidade de o antigo primeiro-ministro regressar.

"A sua candidatura à Câmara da Figueira da Foz, que ganhou, foi um sinal de independência que precisava para fazer o caminho de volta", assegura.

Na opinião deste dirigente social-democrata, que fez parte da estrutura de campanha de Rui Rio na eleição direta contra Paulo Rangel, "independentemente dos caminhos que se segue, as pessoas ficam associadas às instituições e Santana está sempre na história do partido".

E os militantes já lhe perdoaram ter saído e fundado um novo partido concorrente? "Estão de braços abertos para o acolher, gostam dele", garante.

Em 2018, Pedro Santana Lopes enfrentou Rui Rio nas eleições diretas daquele ano. Rio levou a melhor com 54,3% dos votos, contra os 45,6% que Santana conseguiu. Mas o então líder eleito quis "abraçar" o histórico militante derrotada e convidou-o a encabeçar a lista oficial ao Conselho Nacional.

Santana aceitou e ambos deram um sinal de união interna, que se desfez passado pouco tempo. Com queixas de que não era ouvido, Santana bateu com a porta e com grande estrondo e desfiliou-se do partido.

E ainda em 2018, Santana é fundador de um novo partido, o Aliança, cujo congresso fundador decorreu em fevereiro de 2019.

Nas últimas legislativas, o Aliança não teve sucesso eleitoral, não conseguiu eleger nenhum deputado, ao contrário do Iniciativa Liberal, do Chega e do Livre e até do aumento do PAN em número de mandatos. No inicio de janeiro de 2021, Santana Lopes deixa o partido que fundou por considerar que o futuro da Aliança "só poderá existir" sem si e argumentou "é assim por várias razões, sendo a principal a identificação que a generalidade dos portugueses faz" de si com o PSD, partido que também liderou.

paulasa@dn.pt

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