"Em janeiro de 2024, ao contrário do que eu ouvi dizer, ninguém vai perder rendimento relativamente a 2023". A garantia foi dada esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, que justificou as medidas de apoio dirigidas aos pensionistas para fazer face ao aumento do custo de vida. "A pensão em pagamento em 2024 nunca vai ser inferior à pensão a pagamento em dezembro de 2023", acrescentou, à margem da cerimónia de atribuição do nome de Gago Coutinho ao Aeroporto de Faro..O chefe do Governo foi confrontado com as críticas relativas ao pagamento extra de meia pensão, que será efetuado em outubro, com congelamento da forma de cálculo, que pode vir a ter como consequência a perda de rendimento em 2024 e mostrou-se "surpreendido" com esse "debate político", garantindo que dentro de um ano é que se fixarão esses aumentos.."Aquilo que quero reafirmar, primeiro, é que ninguém perderá um cêntimo relativamente aquilo que receberia até ao final de 2023, e mais, que em 2024 não vai receber menos do que recebeu em 2023", declarou António Costa..Explicou que "o aumento em 2024 será definido daqui a um ano em função do que for a evolução da inflação ao longo de 2023".."Tal como agora estivemos aqui para responder às necessidades de aumento extraordinário de rendimento, com a criação desse suplemento extraordinário, como estivemos aqui para garantir que até ao final do próximo ano toda a gente vai receber o que tem direito a receber, cá estaremos daqui a um ano para, em função daquilo que for a realidade da inflação, daquilo que for também a realidade das finanças do país, da economia do país, podermos fixar o aumento para 2024", afirmou.."Eu fico às vezes surpreendido com este debate político, porque estamos a tomar medidas para 2022, estamos a tomar medidas para 2023, e está-se a discutir é o que vai acontecer em 2024? Para discutir 2024 lá chegaremos, para fazer essa discussão", sublinhou..Costa anuncia 2400 milhões. Oposição diz que é "curto", vem "tarde" e tem "ratoeira".O primeiro-ministro destacou que é necessário garantir a sustentabilidade da Segurança Social, facto que justifica a opção do Governo.."Eu gostaria de chamar a atenção que nos últimos seis anos nós também não aplicámos a fórmula quando tínhamos inflações tão baixas que não permitiriam haver qualquer tipo de atualização da pensão", recordou. "As pensões mais baixas tiveram e ainda este ano tiveram aumentos extraordinários de 10 euros, porque a inflação estava tão baixa que se não fizéssemos um aumento extraordinário as pensões mais baixas não teriam tido, praticamente, qualquer aumento", acrescentou..O que acontece para que se justifique que em 2023 haja uma regra especifica para atualização das pensões? Costa coloca a questão e responde: "Como todos sabemos, estamos a viver este ano uma inflação extraordinária. Só para termos uma ideia a média da inflação nos últimos cinco anos foi de 0,8%".."Transformar a inflação deste ano como um impacto permanente na Segurança Social poria em causa algo que é absolutamente fundamental preservar, que é a sustentabilidade futura da Segurança Social", justifica..Costa defende, por isso, que as medidas de apoio às famílias que apresentou no início da semana permitem "um contrato de confiança entre todos". E detalha: "respeitar a pensão daqueles que têm hoje as pensões a pagamento e que recebem a sua pensão. Vão ter um aumento que compensa o aumento da inflação este ano, que não tem comparação com nenhum aumento que houve ao longo deste século e que garante que, até ao final de 2023, todos os pensionistas receberão exatamente o que receberiam se aplicássemos a fórmula prevista na lei".."Garantimos também a todos aqueles que mensalmente descontam parte do vencimento para financiar a Segurança Social, que quando chegar a vez de terem a reforma, a Segurança Social está suficientemente sólida para que não seja posto em causa as vossas pensões", acrescentou António Costa..O Governo, recorde-se, apresentou na segunda-feira um pacote de medidas para apoiar os rendimentos devido ao aumento da inflação, que incluem o pagamento extra de meia pensão, que será efetuado em outubro e um apoio de 125 euros que vai ser dado a todos residentes não pensionistas com um rendimento mensal bruto até 2.700 euros..Com Lusa