Efacec. Iniciativa Liberal avança com inquérito parlamentar

A Iniciativa Liberal avançou no Parlamento com uma proposta formal. Montenegro diz que PSD avança se o Governo não esclarecer todos os detalhes do negócio.
Publicado a
Atualizado a

A Iniciativa Liberal quer que os deputados escrutinem de fio a pavio o processo de reprivatização da Efacec. A ideia foi avançada pelo líder do partido, Rui Rocha, numa entrevista DN/TSF que publicaremos esta sexta-feira.

Rocha desafiou a maioria PS a viabilizar esta proposta. No entanto, se os socialistas não o fizerem, a IL desafia o PSD a fornecer as assinaturas de deputados suficientes para a proposta ser imposta potestativamente (ou seja, avançar mesmo que os socialistas sejam contra).

O ministro da Economia disse esta quarta-feira que o Estado vai injetar mais 160 milhões de euros na Efacec, acrescentando que este "é um dia feliz" por se concluir a venda da empresa ao fundo alemão Mutares.

Em conferência de imprensa no Ministério da Economia, António Costa e Silva disse que foi assinada a venda da Efacec à Mutares e que esta injetará 15 milhões de euros em capital e 60 milhões de euros em garantias.

Já o Estado injetará mais 160 milhões de euros, anunciou. Até agora, o Estado já tinha injetado 200 milhões de euros na empresa em suprimentos (10 milhões de euros por cada mês desde abril de 2022)

Costa e Silva destacou a importância de Efacec como "grande empresa tecnológica" para a economia portuguesa, referindo vários projetos em que está envolvida, acrescentando que deixá-la cair teria sido "desastroso para a economia portuguesa" e sobretudo para a região Norte.

"Teria um efeito desastroso na economia portuguesa e sobretudo na região norte, região do Porto e Matosinhos que já sofreu com o encerramento da refinaria da Galp. O colapso da Efacec teria efeitos devastadores", disse.

O governante afirmou ainda que a Mutuares tem o compromisso de manter o centro operacional e de decisões da Efacec em Portugal.

O presidente do PSD disse esta quinta-feira, em Arruda dos Vinhos, que vai pedir um inquérito parlamentar se o Governo não esclarecer todos os detalhes do negócio da venda da Efacec, que considerou ruinoso.

"Teremos de ter esclarecimentos do ministro da Economia, nós teremos de ter esclarecimentos de todo o Governo e do seu líder. Se esses esclarecimentos não forem cabais, nós no futuro teremos de lançar mão de todos os instrumentos que temos à nossa disposição na Assembleia da República, nomeadamente um inquérito parlamentar", afirmou aos jornalistas Luís Montenegro.

O líder do PSD falava no final da reunião da Comissão Política Permanente , integrada na visita aos concelhos da distrital Oeste do programa "Sentir Portugal", depois de o partido ter anunciado que pediu uma audição urgente do ministro da Economia no parlamento.

O social-democrata defendeu que "injetar 400 milhões de euros e vender por 15 é claramente um negócio ruinoso".

Luís Montenegro "constatou que, mais uma vez, o Governo do Partido Socialista salva empresas com dinheiro dos contribuintes", concluindo que "isto não é efetivamente gerir bem os recursos públicos" e que "António Costa e o Partido Socialista andam a brincar com o dinheiro dos portugueses".

"Andam a injetar dinheiro em empresas para salvar as empresas em prejuízo daquilo que são recursos públicos que podiam ter sido utilizados e podem ser utilizados com outras finalidades", considerou.

Montenegro considerou que 400 milhões "é mais do que o necessário" para atualizar o tempo das carreiras dos professores, proposta que o PSD fez e foi rejeitada pelo PS.

Em 7 de junho, o Governo aprovou a proposta da alemã Mutares para a privatização da Efacec, sem revelar os valores envolvidos.

O Estado já injetou 132 milhões de euros na Efacec, a que se somam mais 85 milhões de euros em garantias.

Em abril, a Parpública anunciou ter recebido propostas vinculativas melhoradas de quatro candidatos à compra de 71,73% da Efacec, no âmbito do processo de reprivatização da empresa.

A Efacec, que tem sede em Matosinhos, conta com cerca de 2.000 trabalhadores.

Diário de Notícias
www.dn.pt