Duarte Cordeiro: "Governo lamenta posição do PCP. Nunca tínhamos ido tão longe"

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares enumerou cedências para convergência com Partido Comunista, que anunciou que vai votar contra o OE2022

O secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, foi esta segunda-feira o porta-voz do Governo no comentário à tomada de posição do PCP, que vai votar contra o Orçamento de Estado (OE) 2022.

"O Governo lamenta posição do PCP e dá nota pública dos avanços neste OE2022, que é muito ambicioso e cria condições para o país ultrapassar a situação que atravessa, com reforços dos serviços públicos, sobretudo no SNS. É o OE com maior aumento de sempre de salário mínimo nacional, além de aumento de pensões e abono de família, gratuitidade de creches, alterações à legislação laboral e estatuto dos profissionais da cultura. Nunca tínhamos ido tão longe. Entendemos que este OE deveria ser viabilizado. Temos a meta de chegar aos 850 euros de salário mínimo. Avançámos em matérias em que o Governo não tinha estado disponível antes", afirmou no Parlamento.

"A não viabilização do Orçamento compromete um conjunto importante de avanços, em particular os salários, pensões, SNS e legislação laboral", declarou o membro do Governo, que ainda deixou mais um recado: "Será difícil explicar aos portugueses que todas estas melhorias nas suas vidas estão postas em causa", afirmou, aplaudindo, por outro lado, a abstenção do PAN e das deputadas Joacine Katar-Moreira e Cristina Rodrigues.

"Sentido de voto do PAN resultou de trabalhou muito significativo nas últimas semanas e traduz uma posição muito responsável", vincou.

Questionado sobre o que falhou para o Orçamento de Estado correr o sério risco de ser chumbado, Duarte Cordeiro diz que nunca sentiu tanta exigência por parte dos parceiros de esquerda. "Se por um lado nunca tínhamos ido tão longe, por outro nunca sentimos tanta exigência. Cabe a estes partidos explicar porque continuam a não estar disponíveis para a viabilização do Orçamento de Estado", lamentou, sem comentar se houve má-fé por parte do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.

"Quando nos fechamos em nove propostas, com metas muito difíceis de alcançar, torna-se muito difícil chegarmos a acordo", disse, em relação aos bloquistas, assegurando que o Governo ainda está disponível para continuar a negociar.

O governante revelou ainda que o Conselho de Ministros vai reunir-se de forma extraordinária esta segunda-feira à noite para avaliar a situação em que o executivo minoritário socialista se encontra do ponto de vista político e a preparação do debate da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022", que se inicia na terça-feira.

"Vamos fazer uma avaliação das posições que vamos assumir nos próximos dias, designadamente nos possíveis quadros que termos do ponto de vista de análise", referiu.

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