Defesa deve fazer "a sua parte" na melhoria da qualificação do país, afirma ministra

Para o Governo, é importante que exista "interoperabilidade entre forças militares, serviços de proteção e segurança, entidades civis; entre processos de recrutamento, de formação e de reinserção; e entre sistemas de formação e certificação, sejam setoriais, nacionais ou internacionais".

A ministra da Defesa, Helena Carreiras, defendeu esta segunda-feira que esta área de soberania deve fazer "a sua parte" na melhoria da qualificação profissional do país, sublinhando a importância de fomentar a empregabilidade dos que ingressam nas Forças Armadas.

"A Defesa Nacional não é exceção, podendo e devendo também fazer a sua parte em prol da melhoria da qualificação escolar e profissional da população portuguesa", defendeu a governante.

Helena Carreiras falava na abertura do seminário "Qualificações na Defesa e Sociedade: Construir Sinergias e Criar o Futuro", organizado pela Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional com o apoio da Secretaria-Geral do Ministério da Defesa, que se realiza hoje e na terça-feira e junta militares e entidades civis, no Instituto de Defesa Nacional (IDN), em Lisboa.

"Sabemos bem que o serviço militar não é apenas mais um emprego. Em Portugal, como noutros países, o que atrai os jovens são as características únicas da instituição e das suas atividades. Mas é também um emprego, oferecendo amplos percursos formativos e áreas profissionais", sustentou.

Helena Carreiras vincou que o caminho que deve ser feito é "o da promoção de um alinhamento crescente e contínuo com os requisitos do Sistema Nacional de Qualificações".

"Na componente militar da Defesa Nacional, isso implica acrescentar valor ao atual modelo de serviço militar, fomentando a qualificação e empregabilidade daqueles que escolhem ingressar nas Forças Armadas e ir ao encontro das expectativas daqueles que já se encontram nas fileiras", salientou.

Para os que agora ingressam nas Forças Armadas, continuou, "pressupõe oferecer uma oportunidade de emprego em paralelo com um percurso verdadeiramente profissionalizante, que vise o incremento das qualificações" e que facilite a transição para o mercado de trabalho após a prestação do serviço militar.

"Para os que já se encontram nas fileiras, implica adicionalmente trabalhar para a implementação a breve trecho de medidas como o Quadro Permanente de Praças do Exército e da Força Aérea, que assegurarão, por sua vez, mecanismos para o reforço da carreira nesta categoria", sublinhou.

Helena Carreiras priorizou a valorização de "cada pessoa, permitindo que para além da qualidade do seu contributo para a instituição, possa, na transição para a vida civil, constituir-se também como um elemento promotor do tecido económico e da coesão social do país".

A governante sublinhou que uma "efetiva valorização passa também por uma maior responsabilização das diferentes instituições, militares e civis, em promover a aquisição de novas competências que conduzam a uma maior eficácia e eficiência organizacionais e um maior desenvolvimento do potencial humano da Defesa".

Helena Carreiras realçou a necessidade de "antecipar cenários futuros", que podem passar por desenvolver "novas capacidades, competências e qualificações em domínios como o espaço ou o ciberespaço".

Para o Governo, é importante que exista "interoperabilidade entre forças militares, serviços de proteção e segurança, entidades civis; entre processos de recrutamento, de formação e de reinserção; e entre sistemas de formação e certificação, sejam setoriais, nacionais ou internacionais".

"A futura competitividade das Forças Armadas far-se-á pela articulação entre estas diferentes forças, processos e sistemas, em paralelo com atualização salarial e a valorização das carreiras que estão a ser trabalhadas no seio do Governo e que esperamos possam vir a ter um impacto positivo para civis e militares da Defesa Nacional", sublinhou.

Em julho, Helena Carreiras deu posse à comissão de acompanhamento do Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar - estratégia que foi aprovada em 2019 e prevê medidas relacionadas com o recrutamento, retenção e reinserção de militares nas Forças Armadas.

Esta comissão, coordenada pela ex-secretária de Estado da Defesa Ana Santos Pinto, tem como objetivo reavaliar as medidas deste plano e estabeleceu como prazo inicial para a apresentação de conclusões o fim do mês de outubro, mas foi solicitado mais tempo e "até ao final do ano" a ministra diz esperar por resultados.

O encerramento do seminário, na terça-feira, caberá ao secretário de Estado da Defesa, Marco Capitão Ferreira.

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