Debandada no CDS. Direção diz que o dia da morte do partido "ainda não chegou"

Partido está para além das pessoas, diz o presidente do Conselho Nacional. Nuno Melo apela aos militantes para que não se desfiliem. Nos últimos dois dias o CDS viu sair dois antigos vice-presidentes e três antigos deputados.

E vão sete a bater com a porta. Com o CDS em clima de guerra civil, depois do adiamento do congresso eletivo para o pós-legislativas, sucedem-se as desfiliações entre os centristas, que nos últimos dois dias perderam dois antigos vice-presidentes e três antigos deputados. Depois de Adolfo Mesquita Nunes, também o ex-ministro da Economia António Pires de Lima, um histórico do partido que foi vice de Paulo Portas, anunciou a saída. Tal como o antigo deputado e presidente da Juventude Popular, Michael Seufert, que se juntou às também ex-deputadas Inês Teotónio Pereira e Teresa Anjinho. Nomes a que se somam o ex-dirigente João Maria Condeixa e o militante Manuel Castelo-Branco.

Com a lista de saídas a aumentar entre os críticos da atual direção, Nuno Melo veio ontem deixar um apelo: "Por favor não se desfiliem". "Lutem do meu lado", pediu o eurodeputado e candidato à liderança, que acusou um "pequeno grupo" - leia-se a direção - de querer "ascender ao parlamento com o partido feito em ruínas". "Enquanto alguns dos melhores saem", apontou, num texto publicado no Facebook, "no largo do Caldas abrem-se garrafas de champanhe e dão-se conferências de imprensa para justificar uma reunião do Conselho Nacional que o tribunal do partido declarou nulo".

Nessa conferência, o presidente do Conselho Nacional (CN), Filipe Anacoreta Correia, disse na manhã de ontem lamentar as saídas, mas defendendo que o partido está para além das pessoas. "O CDS não são pessoas" e "não se confunde com personalidades ou com a dimensão que cada personalidade possa ter", referiu o também vice-presidente da Câmara de Lisboa, garantindo que "por muito que alguns queiram proclamar a morte" do partido, "esse dia ainda não chegou". Já sobre a muito contestada decisão de avançar com a realização do CN que acabou por aprovar o adiamento do congresso eletivo que estava marcado para o final do mês, Anacoreta Correia garantiu estar seguro da correção de todo o processo: "É tudo absolutamente claro, estamos disponíveis para todo o tipo de sindicância. Não tememos esse confronto com a lei, com os órgãos, seja com o Tribunal Constitucional. Até o desejamos, porque estamos tão certos da correção do processo". Sobre a decisão do Conselho de Jurisdição do partido, que na sexta-feira deu provimento ao pedido de impugnação da convocatória para o CN, apresentado por Nuno Melo, Anacoreta Correia defendeu que "tecnicamente, do ponto de vista legal, é inexistente qualquer decisão do Conselho de Jurisdição", garantindo que o partido ainda não foi "notificado de qualquer decisão no sentido minimamente comparável a uma sentença, ou um parecer, uma deliberação institucional do Conselho Nacional de Jurisdição".

Mas as repercussões do CN prometem não ficar por aqui. Na sexta-feira, ainda antes de ser conhecido o adiamento do congresso, Assunção Cristas já considerava "inimaginável" e "inqualificável" que essa situação - que "desqualifica muitíssimo o partido" - se viesse a verificar. Em declarações no programa A Lei da Bolha, da TVI, Assunção Cristas afirmou mesmo que fará uma "reflexão pessoal".

Noutra frente, a bancada parlamentar centrista sofreu também nova baixa, com João Almeida a anunciar a saída da Assembleia da República. O antigo candidato à liderança do partido garantiu, no entanto, que esta decisão já estava prevista para o final da legislatura - agora antecipado - e que não decorre do atual momento do partido, assegurando que não se vai desfiliar. Há cerca de um mês, Ana Rita Bessa também renunciou ao mandato de deputada, com críticas à direção, o que abriu então um diferendo público quanto à sua sucessão entre a bancada parlamentar e o Largo do Caldas.

Com o CDS partido em dois, e a direção a ser acusada de um golpe institucional para chegar às eleições legislativas sem disputar a liderança, o antigo presidente do partido José Ribeiro e Castro veio ontem defender Francisco Rodrigues dos Santos. "Há um plano de ataque e demolição do CDS que tem vindo a ser desenvolvido desde que esta direção foi eleita", acusou, na TSF.

susete.francisco@dn.pt

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