Crise. Pior já passou? "É mais prudente mantermos todas as hipóteses em aberto"

Com prudência e todas as hipóteses em aberto, o ministro da Economia vê razões para estar otimista.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, expressa otimismo e confiança em relação à economia portuguesa. Mas questionado se o pior já passou, afirma que a "única lição" da pandemia é reagir com "prudência", perante tempos de incerteza.

"Nunca podemos dar nada por adquirido a única coisa que fomos aprendendo ao longo deste ano é que com esta pandemia é mais prudente mantermos todas as hipóteses em aberto", afirmou, embora identifique razões para estar otimista.

"À medida que os planos de vacinação vão sendo executados em Portugal no resto da União Europeia e nos Estados Unidos conseguimos criar condições para uma normalização da nossa vida social, e por isso também da retoma das atividades económicas", disse o ministro, acreditando que é "possível pensar" em resultados que superam as expectativas.

"Com o desenvolvimento de um pacote de estímulos muito grandes e uma grande apetência pelo consumo que estamos a ver em todos os países europeus - as pessoas estiveram confinadas em casa, e acumularam poupanças -, e estamos a ver que o consumo privado, em praticamente todas as economias desenvolvidas, está a comportar se de forma muito intensa", apontou.

"Julgamos que a conjugação destes efeitos com um grande comportamento da nossa indústria exportadora, e com o regresso da atividade turística como permitindo nos pensar que, no final do ano, com o crescimento da economia portuguesa vai ser provavelmente superior àquele que, há uns tempos atrás, estimava", afirmou o ministro, questionado sobre as previsões de Bruxelas, que no início do mês reviu em baixa o desempenho da economia portuguesa.

O ministro falava em Bruxelas, na véspera de representar a presidência portuguesa da União Europeia no Conselho de Competitividade, que arranca esta quinta-feira, e termina na sexta-feira.

No boletim macroeconómico da primavera, Bruxelas estima que a economia portuguesa "deverá crescer novamente a partir do segundo trimestre de 2021", considerando o "levantamento gradual" das medidas para conter a pandemia, embora menos otimista, relativamente à estimativa de fevereiro.

No início de maio, Bruxelas estimava que a economia crescesse 4,1% em 2021, mas no boletim macroeconómico da primavera, a Comissão Europeia aponta para um crescimento de 3,9%, apesar de já ter em conta o impacto das medidas do Plano de Recuperação e Resiliência na economia. A Comissão admite, porém, que "em meados de 2022", já tenha sido possível "atingir os níveis pré-pandemia".

"A recuperação económica e a redução das medidas de apoio", deverão ter um impacto na diminuição da dívida pública. Depois do "máximo histórico" atingido em 2020, "as finanças públicas deverão melhorar gradualmente em 2021 e 2022", calculam os especialistas da Comissão Europeia.

Bruxelas faz as contas ao impacto económico do confinamento no início do ano, e calcula que as medidas para conter a vaga de covid-19, que se seguiu às festividades do Natal, tiveram um impacto de 3,3% do PIB, no primeiro trimestre do ano. Ainda assim, um impacto "muito menor do que o registado de março a junho" do ano passado, quando foi decretado o primeiro confinamento.

O revés é "uma vez mais" para o setor do turismo, sendo "o mais afetado", embora, o "impacto negativo tenha sido limitado", quando comparado com o ano de 2020.

"Com o relaxamento gradual das restrições à mobilidade, a economia deverá recuperar no segundo trimestre de 2021 e acelerar ainda mais no terceiro trimestre", afirmam os especialistas, apontando para um crescimento do PIB de "3,9% em 2021 e 5,1% em 2022".

"Após a contração económica de 7,6% em 2020, as projeções atuais sugerem que o PIB deve atingir o nível pré-pandémico em meados de 2022", lê-se no boletim macro-económico da primavera, elaborado pela Comissão Europeia.

A taxa de desemprego aumentou, embora "moderadamente de 6,5% em 2019 para 6,9% em 2020". O apoio do Estado ao mercado de trabalho "mostrou amplamente eficaz na proteção de empregos e do rendimento", conclui a Comissão".

Em Bruxelas

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