Cotrim Figueiredo critica governo com "más companhias" que "nunca se demarcou" de Sócrates

No encerramento da VI Convenção da Iniciativa Liberal, que decorreu este fim de semana em Lisboa, João Cotrim Figueiredo apontou baterias a um "governo sem estratégia e sem qualquer vontade de reformar estruturalmente o país".

Reeleito líder da Iniciativa Liberal com 94% dos votos, João Cotrim Figueiredo fechou a VI Convenção do partido, ao início da tarde deste domingo, com duras críticas ao governo de António Costa, que descreveu como o executivo de "um PS incompetente em tudo menos na propaganda".

"Temos um país inteiro para mudar", começou por afirmar Cotrim Figueiredo, apontando "dois passos" para chegar a esse objetivo: primeiro "convencer os portugueses que é preciso mudar" e, em segundo lugar, "convencer os portugueses que já sabem que é preciso mudar que o voto mais útil é na IL".

O primeiro passo enunciado pelo líder reeleito da IL foi o pretexto para duras críticas ao executivo do PS, um "governo gordo, anafado, o maior governo de sempre", que manteve vários governantes que estiveram com José Sócrates, "cúmplices da governação mais desonesta que já houve em Portugal, que deixou o país na bancarrota", e da qual o PS "nunca se demarcou".

Um governo que "desde o início teve más companhias" - Bloco de Esquerda e PCP -, dois partidos com "ideias de dois tipos": ou "não existem e nunca funcionaram em lado nenhum, ou existem e só produziram miséria, ditadura, supressão violenta da liberdade das pessoas".

O executivo socialista é um "governo sem estratégia e sem qualquer vontade de reformar estruturalmente o país", diz João Cotrim Figueiredo, um "governo em que grassa o nepotismo e o amiguismo" e "incapaz de assumir qualquer responsabilidade política". Exemplo disso, apontou, foi o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Falando do governo de "um PS incompetente em tudo menos na propaganda", o líder reeleito da Il apontou diretamente ao primeiro-ministro para referir que António Costa "nunca sabe de nada, lava a mão de todo o tipo de problemas, é famoso pela sua habilidade em se agarrar ao poder". "Portugal não precisa de governantes que se agarrem ao poder, precisa de governantes que devolvam o poder às pessoas", defendeu Cotrim Figueiredo.

Já quanto à visão da IL para o país, Cotrim Figueiredo enunciou: "Temos que cuidar dos mais vulneráveis, para que tenham a rede de segurança que os liberais sempre defenderam" - "Não deixaremos ninguém para trás".

"Nessa visão de Portugal a justiça será mais célere, mas não atropelará as garantias dos arguidos e não fará cedências ao corporativismo das magistraturas". Um país em que "as pessoas, as famílias e as empresas deixem de viver nesta terrível dependência em relação ao Estado, que os faz ficar tantas vezes de mão estendida à espera de uma esmola de dinheiro que é seu".

"Não fazemos política do faz de conta ou promessa vãs, nem fazemos propostas para ficar tudo na mesma", concluiu o também deputado que, referindo-se às eleições de 30 de janeiro, rematou: "Não podemos perder esta oportunidade".

Líder reeleito com 94% dos votos

João Cotrim Figueiredo foi reeleito esta manhã como presidente da Iniciava Liberal, com 688 votos. A lista única à Comissão Executiva da Iniciativa Liberal (IL) conseguiu, assim, 94% dos votos, sendo o também deputado reeleito para um novo mandato à frente dos destinos do partido.

De acordo com os resultados anunciados pela mesa, a moção de estratégia global, cujo primeiro mandatário era Cotrim Figueiredo, teve 688 votos a favor, 22 abstenções e 21 votos contra.

Esta manhã, no Centro de Congressos de Lisboa, várias centenas de membros liberais aprovaram por maioria uma nova declaração de princípios que contou com algumas alterações de pormenor sugeridas pelos militantes no sábado, o que obrigou ao adiamento da votação para hoje.

De entre as 16 moções setoriais apresentadas, foram a votos apenas 14, sendo que destas oito acabaram aprovadas.

Já a moção "Em defesa da Liberdade", que gerou discórdia entre vários membros na discussão da noite de sábado, acabou rejeitada. Esta moção pedia à IL a defesa da "liberdade individual em tempos de paz, em tempos de guerra, em tempos de cólera, em tempos de Covid".

Os subscritores afirmavam que a IL os está a "desiludir profundamente" e a "alienar os portugueses que amam a liberdade" sempre que "compactua sem protesto com limitações impostas pelo poder político à liberdade individual a pretexto de um qualquer pânico moral - a 'emergência climática', o 'discurso do ódio', a pandemia, etc".

Entre os temas das moções que tiveram 'luz verde' por parte dos liberais estavam dois textos sobre descentralização, nomeadamente um no qual os proponentes apontam que o partido deve "estudar e definir posição" sobre este tema e, fazendo "jus aos seus ideais liberais", ser "uma voz ativa e respeitada".

Outra das moções aprovadas apela a uma alteração ao artigo 122º da Constituição, relativo à elegibilidade para o cargo de Presidente da República, que atualmente restringe esta possibilidade a "portugueses de origem", sendo que os liberais querem que passe a ler-se apenas "portugueses".

Foi ainda aprovada uma moção para que a IL apresente no parlamento, até ao final de 2022, uma proposta de reforma de Estado e, ainda, que defenda uma legislação laboral que "não discrimine trabalhadores do setor privado relativamente ao público".

Entre os textos aprovados está também uma moção sob o tema "Liberdade é sustentável".

O texto desta moção estabelece que a IL finalize "durante os próximos dois anos um conjunto de propostas liberais concretas ligadas à sustentabilidade", em resposta aos "desafios das alterações climáticas, perda de biodiversidade, economia circular, redução de emissões de gases de efeito de estufa, mobilidade, urbanismo, produção agrícola, conservação da natureza, aprofundando o desenvolvimento económico e social e protegendo o ambiente".

No discurso feito no sábado, João Cotrim Figueiredo avisou que não viabilizará um bloco central depois das eleições legislativas, afirmando-se convicto de que o partido será um dia "poder em Portugal", um objetivo para prosseguir sem pressas e que não poderá ser alcançado a qualquer custo.

O líder liberal defendeu ainda que seja "no poder ou na oposição o voto mais útil" é nos liberais, afirmando que "o PS não é solução para os problemas do país".

Cotrim Figueiredo anunciou que a IL vai reunir o seu Conselho Nacional na próxima semana para aprovar as listas de deputados às legislativas, voltando o agora deputado único do partido a ser o cabeça de lista por Lisboa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG