O líder socialista encerrou ontem o congresso da JS, em que foi reeleito Miguel Costa Matos, com a promessa de tudo fazer para reter em Portugal a geração melhor preparada de sempre..António Costa dedicou todo o seu discurso às políticas que o Governo tem levado e vai levar a cabo para tentar melhorar as condições de formação e de vida da geração mais nova..Em Braga, onde decorreu a reunião magna dos jovens socialistas, o secretário geral do PS frisou que a aposta do Governo é em políticas para que os jovens se possam realizar plenamente em Portugal, para evitar a fuga de capital humano.."O país tem vindo nas últimas décadas a ultrapassar o maior desafio, o maior atraso estrutural, que era o das qualificações", frisou..António Costa recordou que as novas gerações têm um nível de qualificação como o país "nunca teve até hoje" e que Portugal não pode perder esse capital humano. "Não podemos perder estes recursos humanos, porque o maior recurso para o nosso desenvolvimento é mesmo este capital humano que vocês [jovens] são e que nós temos de criar as condições para que se possa realizar plenamente aqui, entre nós, em Portugal", referiu..Para o secretário-geral socialista, o trajeto tem de assentar, desde logo, na continuação da aposta nas qualificações, com o combate ao abandono escolar precoce e a democratização do acesso ao ensino superior..Frisou ainda que, neste momento nos jovens entre os 25 e os 34 anos já há 34,9% com formação superior, o que está em média com a União Europeia. "Hoje o país tem os recursos humanos para fazer o que é preciso fazer e ter o crescimento assente na inovação", garantiu perante os 600 jovens que participaram no congresso..Com ironia sobre a possibilidade de "estarem a correr o risco de perderem" a final do campeonato do mundo de futebol por estarem ali em Braga, António Costa admitiu que "ainda há muito para fazer", entre as quais "continuar a combater o abandono escolar precoce"..Neste capítulo da Educação, aludiu ao "maior investimento de sempre" no alojamento estudantil, que vai permitir o aumento de 15.073 para 26.868 camas até ao final da presente legislatura. Acentuou a importância destas medidas com a ideia de que "maior barreira do que a propina é o custo do alojamento estudantil" para muitos dos que estão deslocados da sua zona de residência para acederem ao Ensino Superior..Falou também no investimento de 480 milhões de euros para a remodelação dos centros tecnológicos especializados para melhorar a qualidade do ensino profissionalizante..Para António Costa, o trabalho digno e a habitação acessível são os "dois maiores desafios" que se atualmente se colocam aos jovens, após o seu percurso escolar.."A agenda do trabalho digno é absolutamente fundamental", referiu, defendendo a necessidade de combate à precariedade e à conciliação da vida profissional e familiar..Como medidas para ajudar os jovens que procuram o primeiro emprego, destacou o IRS jovem, a aplicar nos primeiros cincos anos de atividade. "Num vencimento de 1.000 euros, os jovens poupam em IRS 89 euros por mês", referiu..Mudando para a habitação, Costa disse que durante décadas o Estado "desistiu" de uma política pública para o setor, uma realidade que disse que está agora a ser invertida pelo executivo que lidera. Lembrou que no Plano de Recuperação e Resiliência há mais de dois mil milhões de euros para oferta pública de habitação nos próximos anos..Sublinhou ainda que é preciso assegurar que ninguém deixe de ter filhos por razões económicas. "Não temos uma visão natalista da demografia, mas sim uma visão de liberdade e igualdade", referiu. A propósito, disse que os portugueses podem agora constituir "a família que quiserem", independentemente do sexo dos cônjuges. "Amem-se como quiserem", disse..O XXIII Congresso da JS marcou a reeleição de Miguel Costa Matos, candidato único, como presidente, com 195 votos a favor, 33 brancos e 10 nulos..Também no encerramento dos trabalhos, Miguel Costa Matos, que é um dos oito deputados jovens do PS, sublinhou a necessidade do seu partido "firmar um novo contrato social" com a nova geração. E sobretudo, "numa altura em que tantos se estão a virar para as extremas direitas e para os liberalismos"..Para o reeleito líder da JS, é preciso "demonstrar" a esses jovens "que é como socialistas, através do Estado-social e com a igualdade de oportunidades que construímos a sua liberdade e realização"..Com Lusa