Costa: "A maior mudança estrutural foi reduzir do abandono escolar"

O primeiro-ministro lembra que o abandono escolar precoce desceu de 12% para quase 5%.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta terça-feira que "a maior mudança estrutural" na área da educação, desde que chefia o Governo, foi a redução do abandono escolar precoce de "12% para quase 5%".

"A maior mudança estrutural a que assisti, nestes quase sete anos em que sou primeiro-ministro, é termos conseguido reduzir o abandono escolar precoce de 12 % para quase 5%", destacou o chefe do Governo, em Évora.

António Costa discursava numa cerimónia que assinalou o início do novo ano letivo, na Escola Secundária Gabriel Pereira, na cidade alentejana, acompanhado pelo ministro da Educação, João Costa, e pelo secretário de Estado da Educação, António Leite.

Antes da cerimónia, o primeiro-ministro, acompanhado pelo diretor do Agrupamento de Escolas Gabriel Pereira (AEGP), Fernando Farinha Martins, percorreu alguns espaços da escola sede deste agrupamento e falou com alunos e professores.

Considerando que a redução do abandono escolar precoce deve-se a "vários fatores", o primeiro-ministro apontou que um deles foi "haver cada vez maior consciência social de que para cada um se fazer a si próprio é fundamental investir na educação".

Também "resultou, com certeza, de as famílias terem melhores condições de vida, mas resultou de uma outra coisa fundamental, que é a escola ter-se transformado e ser cada vez mais atrativa e mais diversa", prosseguiu.

Com esta transformação, sublinhou António Costa, foi possível à escola "conseguir ser motivadora para cada vez [mais haver] uma maior diversidade de jovens e crianças relativamente ao seu percurso".

"Não gostamos todos do mesmo e, por isso, a escola tem que ter esta capacidade de motivar e mobilizar todos, porque todos têm que ter acesso à educação e a sociedade precisa que todos tenham o melhor nível de educação possível", realçou.

No seu discurso, o chefe do Governo desejou "muitas felicidades a toda a comunidade educativa" e deixou um voto especial: "Que a vida nos ajude a que todo o ano letivo possa decorrer com a higienização das mãos, mas sem termos que estar a usar máscaras".

Já depois de ter terminado a sua intervenção, António Costa voltou atrás para "dar uma palavra final" e "desejar um particular bom ano letivo a dois caloiros, um como secretário de Estado da Educação, outro como ministro da Educação".

"É o vosso primeiro ano letivo e, portanto, que não sejam praxados e que vos corra muito bem estes primeiros dos próximos quatro anos letivos", afirmou.

Já o diretor do AEGP, Fernando Farinha Martins, na sua intervenção, apresentou o agrupamento e alguns dos projetos em que está envolvido e revelou que as escolas que o integram vão "começar o ano letivo com os professores todos".

A AEGP conta com 2.000 alunos, 286 professores, 116 assistentes operacionais, 13 assistentes técnicos e 10 técnicos superiores, distribuídos por vários ciclos, desde o pré-escolar até à Educação e Formação de Adultos.

Descentralização de competências como revolução silenciosa na Educação

António Costa considerou ainda a descentralização de competências na Educação, que "este ano dá um novo passo", "o terceiro pilar" da 'revolução silenciosa' que tem vindo a ocorrer nesta área.

O chefe do Governo disse ter assistido à "apresentação tranquila de duas das grandes revoluções que aconteceram nos últimos anos nas escolas".

"E que não são registadas como grandes reformas, porque nos habituámos a essa triste ideia de que as grandes reformas implicam muito barulho, muitos protestos e muita dor", continuou.

Mas, segundo o primeiro-ministro, "as verdadeiras boas reformas são aquelas que mobilizaram os seus participantes, em que as pessoas se empenham nessa transformação e em que verdadeiramente a transformação ocorre quase sem [se] dar por isso".

Estas "duas revoluções silenciosas", como as designou António Costa, foram "a flexibilização curricular e a autonomia das escolas".

"Estas duas revoluções silenciosas fazem, de facto, uma reforma estrutural na nossa escola e a escola hoje é uma escola completamente diferente", não apenas "daquela que eu frequentei há 45 anos", mas da que existia em Portugal "há muito poucos anos, onde não havia esta autonomia, onde não havia esta flexibilização", frisou.

E, agora, "este enraizamento no território, faz com que haja um terceiro pilar desta revolução, que este ano dá um novo passo", que é a descentralização de competências da educação da administração central para os municípios, salientou.

Trata-se de um passo "difícil", reconheceu Costa, lembrando o seu passado como autarca: "Eu fui oito anos presidente de câmara e não me esqueci do que é que aprendi".

Mas este "é um passo que é fundamental dar porque completa este tripé da autonomia, da flexibilização e da descentralização", argumentou.

O chefe de Governo, acompanhado pelo ministro da Educação, João Costa, lembrou que, "no princípio, a flexibilização [curricular] também não foi fácil e, agora, é quase como que [dado] adquirido. A descentralização não é fácil, mas vai ser também um adquirido".

Desde que "todos tenhamos persistência, paciência, compreensão e sobretudo espírito de diálogo uns com os outros para podermos ir ultrapassando estes problemas", defendeu.

E é preciso "continuar a avançar porque a escola tem que se enriquecer nesta diversidade", disse o primeiro-ministro, na intervenção na cerimónia.

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