Congresso do Porto. Montenegro guarda convites até à última hora

O líder eleito tem mantido reservados os nomes que o vão acompanhar na liderança do partido e só nestes últimos dois dias antes da reunião magna deverá fechar as suas equipas.

A dois dias do arranque do 40.º congresso do PSD, no Porto, o líder eleito do partido reservou os convites para os órgãos nacionais para a última hora. No que é classificado internamente como a "técnica Passos Coelho", Luís Montenegro evitou assim que os nomes dos que o vão acompanhar na tarefa de comandar o partido tenham saído para a praça pública muito antes da reunião magna que começa sexta-feira e se prolonga pelo fim de semana e onde a sua eleição será legitimada.

No PSD é dado como certo que um conjunto de figuras que o apoiaram neste caminho para a liderança terão um papel de destaque nas equipas que irá constituir e que serão aprovadas em congresso. A começar por aquele que é visto como o seu braço-direito, Hugo Soares. Este bracarense, de 39 anos, que liderou a JSD e lhe sucedeu na liderança da bancada parlamentar em 2017, é uma das figuras mais próximas do líder eleito do PSD. Esteve sempre do seu lado nas guerras internas contra a direção de Rio.

Uma das hipóteses é a de Hugo Soares assumir a secretaria-geral do PSD, sucedendo a José Silvano, ou mesmo uma das vice-presidências do partido.

O antigo eurodeputado do PSD Carlos Coelho, que foi escolhido para diretor da campanha, também assume protagonismo na nova era PSD. O sucesso da volta pelo país, patente na votação "expressiva" em Montenegro, também é mérito seu. Carlos Coelho tinha sido relegado para um segundo plano quando nas europeias de 2019 Rui Rio decidiu colocá-lo em lugar não elegível nas listas do PSD para o Parlamento Europeu.

Há ainda nesta composição o deputado e coordenador do Conselho Estratégico Nacional Joaquim Sarmento, que coordenou a sua moção de estratégia; Pedro Duarte, antigo líder da JSD e fundador do movimento cívico Manifesto X; os líderes de duas das maiores distritais do PSD, Pedro Alves (Viseu) e Paulo Cunha (Braga); o antigo deputado e secretário de Estado da Administração Interna, António Leitão Amaro, que foi coordenador da moção de estratégia em 2020 e Margarida Balseiro Lopes, ex-líder da JSD e ex-deputada.

Pedro Reis, ex-presidente Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), é outro dos apoiantes com quem Montenegro deverá contar para os seus órgãos nacionais, entre outros.

As moções

Enquanto Montenegro não abre o jogo sobre as suas escolhas, vão sendo conhecidas as moções ao congresso.

A da JSD, liderada pelo deputado Alexandre Poço, defende que o partido adote o método de eleições primárias na escolha do seu presidente e direção, com os congressos a realizarem-se antes do sufrágio.

Os jovens sociais-democratas propõem uma "reforma interna" do PSD, considerando que o partido "não conseguiu apresentar a alternativa reformista que os portugueses exigiam e Portugal precisava" nas eleições legislativas de janeiro.

Entre as propostas está uma revisão estatutária que permita a instituição de "eleições diretas primárias para a escolha do presidente do PSD e restante direção nacional do partido, dando o direito de voto aos cidadãos que quiserem participar na eleição, sendo ou não militantes do PSD". A JSD defende o fim da obrigatoriedade do pagamento de quotas para poder participar na escolha do líder do partido, exigindo-se apenas um "compromisso de adesão aos princípios e valores do PSD".

Para os jovens sociais-democratas, com a instituição das eleições primárias, o Congresso Nacional do PSD "deve ser em momento prévio a essa eleição", permitindo que estas reuniões magnas "voltem a ter interesse político e mediático, com discussão de projetos políticos alternativos, apresentação de equipas e das linhas gerais de cada moção de estratégia global". "Neste Congresso Nacional prévio às eleições diretas primárias seriam eleitos pelos congressistas os demais órgãos nacionais do partido", acrescentam, sugerindo que os militantes votem num presidente e na sua equipa ao mesmo tempo.

Na sua moção, os Autarcas Social Democratas (ASD) pedem ao Congresso do PSD, uma resolução justa e rápida da descentralização, defendendo uma nova Lei das Finanças Locais e o envolvimento dos autarcas na definição das prioridades dos fundos comunitários.

Sobre a descentralização/regionalização debruça-se também a moção da distrital do PSD/Algarve, na qual é pedido que o partido defina um rumo a seguir. "O referendo da regionalização vai ter lugar. O PSD tem que ter capacidade de moldar o seu objeto e de dar expressão sustentada à posição política que vier a defender, de acordo, não apenas com os princípios de aprofundamento da democracia e da boa gestão pública, mas em face de uma proposta concreta a que os portugueses se deverão pronunciar", lê-se no texto.

paulasa@dn.pt com Lusa

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG