Chega divide a direita com moção de censura

Luís Montenegro diz que iniciativa do Chega é uma "moção melhoral" porque "nem faz bem nem faz mal". IL vota a favor.
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Iniciativa Liberal para um lado (voto a favor); e PSD para o outro (abstenção). Desta vez, ao contrário do que aconteceu quando apresentou a sua primeira moção de censura desta legislatura, em julho de 2022, o Chega não ficará completamente isolado como único partido a votar a favor da sua própria iniciativa: terá a Iniciativa Liberal do seu lado, votando a favor. Já o PSD continuará onde esteve nessa altura, na posição de se abster. E a moção terá, no final, o destino que se espera: será chumbada, com os votos contra a maioria PS, do PCP, do BE e do Livre. O PAN ainda não tinha ao fim da tarde desta quinta-feira anunciado o seu sentido de voto

O debate (e votação) deverá realizar-se no próximo dia 19 (terça-feira). Esta quinta-feira o presidente do PSD foi reunir com os seus deputados e no final anunciou que o partido escolherá a via da abstenção - como de resto também já tinha feito quando se discutiu, em janeiro de 2023, uma moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal.

Montenegro considerou a iniciativa agora do Chega como "uma criancice e uma infantilidade". "Nós não somos o partido das moções, somos o partido das soluções", afirmou aos deputados, segundo relatos da Lusa.

No final da reunião, em declarações aos jornalistas, reiterou que a moção do Chega "não serve para nada" e insistiu que a prioridade do PSD é a "vida dos portugueses" e não "os jogos parlamentares". "O grupo parlamentar está absolutamente coeso e foi consensual esta leitura de que o partido está focado nas reais preocupações das pessoas", assegurou.

Para o líder do PSD, esta é uma "moção melhoral", que "nem faz bem, nem faz mal", e até aliviará momentaneamente o Governo, "quando a maioria se levantar para votar contra".

A IL, porém, muda agora de sentido de voto, passando da abstenção (na moção de censura que o Chega apresentou em julho de 2022) para o voto a favor.

Em declarações à Lusa, Patrícia Gilvaz considerou que a moção de censura do Chega "é uma manobra de comunicação e de distração" que "só vai dar palco ao PS". Só que o partido não pode "ignorar o contexto socioeconómico do país, o degradar constante e crescente da situação do país": "A IL tem estado ao lado dos portugueses, aqui uma vez mais não podemos deixar de estar ao lado dos portugueses."

André Ventura, do Chega, reagiu com insultos ao anúncio pelo PSD de que o sentido de voto será a abstenção (que de resto é o mesmo sentido de voto face à moção de julho de 2022 apresentada pelo mesmo partido e face à moção de censura apresentada pela IL em janeiro de 2023).

"Cobardes serão sempre cobardes! O país neste estado e o PSD preocupado em ser a bengala do PS!", escreveu o líder do Chega, numa nota publicada ontem na rede social X (antigo Twitter).

Na segunda-feira, na mesma rede social, Ventura tinha começado a antecipar a sua reação: "Vamos ver agora quem quer verdadeiramente mudar de Governo, ou quem fala muito mas está sempre pronto a ser a bengala dos socialistas!"

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