Catarina Martins justifica diminuição de funcionários do BE com "contas certas"

A líder bloquista confirmou que o Bloco tem atualmente "metade dos funcionários que existiam", sem quantificar, em consequência da diminuição da subvenção estatal resultante do facto de ter perdido representação parlamentar.
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A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, justificou esta quinta-feira a diminuição de funcionários do partido com a necessidade de ter "contas certas", para que mantenha a sua independência, sem acumular dívida ou pedir favores.

"No BE há uma grande consciência por parte de todos os aderentes, não só por parte da direção, de que é fundamental a independência do partido. O BE não tem dívida. O BE não pede favores, não está preso a nenhum poder. E, por isso mesmo, tem de trabalhar com as condições financeiras que tem em cada momento. E tem de ter sempre contas certas e contas transparentes", declarou Catarina Martins numa entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença.

A líder bloquista, que confirmou que o Bloco tem atualmente "metade dos funcionários que existiam", sem quantificar, em consequência da diminuição da subvenção estatal resultante do facto de ter perdido representação parlamentar, passando de 19 para 5 deputados à Assembleia da República.

Catarina Martins salientou, na entrevista, que "a Entidade das Contas, ano após ano, vem reconhecendo o BE como o partido com as contas mais certas e mais transparentes".

"Essa autonomia do nosso funcionamento é assim mesmo. Há um resultado eleitoral pior, o BE tem menos recursos financeiros e, portanto, reduz a sua estrutura porque não vai trabalhar em dívida. É difícil, sim. Mas estamos todos de acordo que esse é o caminho", acrescentou.

Questionada se tal não é contraditório com aquilo que o partido defende no parlamento, Catarina Martins respondeu que "o BE, aliás, tem defendido que quem tem lucros não pode despedir".

"Como infelizmente sabe, não é o caso do BE", rematou.

Sobre a ação do partido relativamente ao aumento do custo de vida, Catarina Martins desenvolveu as ideias que vão apresentar no parlamento num debate já agendado para 6 de outubro, ao qual levam soluções contra os problemas que a subida dos juros está a causar nos créditos à habitação.

"Vamos propor medidas que estão ao alcance do Governo em Portugal. Espero que todos os partidos possam vir a jogo juntamente com o Bloco de Esquerda. Queremos garantir que as casas de habitação própria permanente não podem ser penhoradas. E achamos que é possível apoiar as pessoas que têm crédito à habitação através dos próprios lucros excessivos da banca, que teve neste ano e meio 2800 milhões euros de lucros, já depois de pagar todos os impostos", sustentou.

Para a coordenadora bloquista, existem "lucros muito avultados do sistema financeiro que podem e devem reverter para programas que apoiem as famílias com crédito à habitação" e a possibilidade de abater créditos e reduzir no IRS admitida pelo primeiro-ministro, António Costa, é "muito poucochinho".

"Para uma família que está aflita com a prestação a casa toda a ajuda que vier é bem-vinda. Em prestações que estão a aumentar 100 euros por mês, dizer que se vai reduzir os juros no IRS é uma gota de água. As famílias não conseguem nem chegar ao fim do mês. Não queremos uma situação de incumprimento generalizado que é péssimo para as pessoas perdem a sua casa e para a economia como um todo", defendeu.

Sobre a taxação dos lucros extraordinários, Catarina Martins acusou António Costa de andar a ser "ultrapassado pela esquerda, pelos líderes de direita de vários países europeus e até da Comissão Europeia".

"Ouço o António Costa a falar sobre o imposto sobre os lucros excessivos e parece que estou a ouvir o advogado da Galp. Os lucros das maiores empresas portuguesas subiram 40% no ano passado e 73% este ano depois de pagos todos os impostos. Há aqui realmente um problema de haver quem a aproveitar a situação internacional para inflacionar os preços. E sim, é preciso desencorajar e taxar", disse.

Sobre a possibilidade uma negociação específica com o Governo em sede de Orçamento do Estado, Catarina Martins respondeu: "As maiorias absolutas são maiorias absolutas. O PS fez tudo para ter uma maioria absoluta".

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