BE diz que dá jeito ao PSD falar apenas do caso de Setúbal

"Desconheço essa iniciativa. O que lhe digo é que nós, logo no primeiro momento, fizemos um exaustivo pedido de esclarecimentos ao Governo. Foram detetados problemas em Setúbal, também foram detetados problemas noutras autarquias (...). Percebo que para o PSD dê jeito só falar de Setúbal", afirmou Catarina Martins.

Catarina Martins considerou esta segunda-feira que ao PSD só dá jeito falar do caso de acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal, apesar de haver problemas noutras autarquias, e alegou desconhecer a ideia de Luís Montenegro para uma comissão de inquérito.

"Desconheço essa iniciativa. O que lhe digo é que nós, logo no primeiro momento, fizemos um exaustivo pedido de esclarecimentos ao Governo. Foram detetados problemas em Setúbal, também foram detetados problemas noutras autarquias (...). Percebo que para o PSD dê jeito só falar de Setúbal", afirmou Catarina Martins, no final de uma audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa.

No domingo, o candidato à liderança do PSD Luís Montenegro exortou a oposição no parlamento a constituir uma comissão de inquérito ao processo de acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal por cidadãos russos com alegadas ligações ao Kremlin.

"Queria instar a oposição parlamentar a poder avaliar a possibilidade de constituir uma comissão parlamentar de inquérito sobre este caso, para que seja apurada a verdade com rapidez, com competência e independência, e para se poder ultrapassar o bloqueio que o PS está a fazer", disse Luís Montenegro à agência Lusa.

Ladeada pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, e pelo membro da Comissão Política Jorge Costa, a coordenadora bloquista advogou que "há muito poucas explicações até agora" sobre este e que os problemas no acolhimento aos refugiados da Ucrânia estão a adensar-se: "Há até crianças que perderam intérpretes de ucraniano nas escolas".

Catarina Martins confessou que recebeu com "uma enorme perplexidade" o 'chumbo' por parte do PS do requerimento para ouvir em sede de comissão parlamentar o presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins.

"Achamos em todo o caso que respostas a como é que a aconteceu, se foi só em Setúbal, e exatamente a dimensão do problema são fundamentais para passos seguintes", completou.

O PS justificou na sexta-feira o chumbo da audição parlamentar do presidente da Câmara de Setúbal sobre o acolhimento de refugiados ucranianos com a "separação de competências" entre Assembleia da República e autarquias, mas não convenceu os partidos da oposição.

Na Comissão de Assuntos Constitucionais, a maioria dos partidos da oposição contestou o argumento invocado pelo PS para rejeitar a audição de André Martins, recordando que o caso da audição de Fernando Medina, quando era presidente da Câmara de Lisboa, sobre o caso da partilha de dados pessoais de ativistas russos contestatários do regime de Moscovo com a embaixada da Rússia em Portugal.

O parlamento aprovou a audição do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, e da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, sobre o acolhimento de refugiados ucranianos naquele município.

Além destas entidades, foram aprovadas por unanimidade as audições da Associação de Ucranianos em Portugal, da Alta-Comissária para as Migrações, da Secretária de Estado da Igualdade e das Migrações e do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna.

Rejeitados, com o voto contra do PS, acabaram os requerimentos para ouvir a Embaixadora da Ucrânia, da secretária-geral do Sistema de Informações da República e do diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O semanário Expresso noticiou no passado dia 29 de abril que refugiados ucranianos foram recebidos na Câmara de Setúbal por russos simpatizantes do regime de Vladimir Putin e que responsáveis pela Linha de Apoio aos Refugiados estão a fotocopiar documentos dos refugiados, entre os quais passaportes e certidões das crianças.

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