Ativistas interrompem debate eleitoral. "Travar a crise climática não está na mesa de voto"

Ativistas interrompem debate eleitoral. "Travar a crise climática não está na mesa de voto"

Ação de ativistas da Climáximo interrompe debate com todos os partidos com assento parlamentar. Gritaram palavras de ordem e pintaram instalações.
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Ativistas pelo clima interromperam esta sexta-feira o início do debate com os líderes dos partidos com assento parlamentar: PS, AD, Chega, IL, BE, CDU, PAN e Livre, transmitido pela RTP1 e RTP3.

"Travar a crise climática não está na mesa de voto. Está nas mãos das pessoas", gritou o jovem do movimento Climáximo, passando em frente às câmaras, acabando por ser retirado do local. 

"Vamos prosseguir. Estávamos a discutir a questão governabilidade e vamos continuar a fazê-lo", dsse o jornalista Carlos Daniel, tentando prosseguir com o debate. 

Mais tarde, foi lançada tinta vermelha para o estúdio da RTP nas instalações da Nova SBE, em Carcavelos, interrompendo, novamente, o debate, quando o líder do PS, Pedro Nuno Santos, estava a intervir. 

"Continuamos aqui com algumas manifestações de algumas pessoas que entenderam ser este o momento para trazer a sua mensagem ao espaço público. Já não é uma novidade para o país, mas vamos manter o debate como estava previsto", disse o moderador, ao mesmo tempo que se ouvia as palavras de ordem de outra ativista.    

"Eleições em 2024 com mandato até 2028 sem que a crise climática seja o assunto principal. sem um único plano para atingir a neutralidade carbónica até 2030 são completamente inadmissíveis, disse a jovem, enquanto era retirada do estúdio enquanto prosseguia o debate com todos os partidos com assento parlamentar.

O coletivo pelo clima refere, em comunicado, que o protesto teve como objetivo "interromper a normalidade dos debates eleitorais que ignoram a crise climática e cujos planos levam-nos rumo ao colapso climático: escassez de água para as pessoas, quebras na agricultura e produção de comida, mortes devido a ondas de calor insuportáveis, desalojamentos por causa de incêndios mortíferos".

Veja o vídeo aqui

"O próximo governo terá mandato até 2028. Portugal precisa de cortar, no mínimo, 75% das suas emissões até 2030. Nestas eleições, não só travar a crise climática não é o assunto principal, como nenhum partido - com ou sem assento parlamentar - apresenta um plano compatível com os limites da natureza", argumenta António Assunção o porta-voz do coletivo.

António Assunção defende que "não implementar estes cortes é garantir o colapso climático e civilizacional". "É colocar o interesse das empresas e dos acionistas acima da vida e das necessidades das pessoas. A democracia não é uma cerimónia. Os termos em que estas eleições estão a ser disputadas são uma perversão da democracia. É preciso acionar os alarmes de emergência e agir", sublinha.

Os ativistas pelo clima criticaram nas redes sociais a passividade dos líderes dos partidos com assento na Assembleia da República, que prosseguiram com o debate sem mencionar o protesto, à exceção de Inês Sousa Real, do PAN, que, mais tarde, referiu-se à ação dos ativistas. 

"Não podemos consentir que eles continuem a levar-nos para o inferno climático. Todos os partidos reiteram premeditadamente a declaração de guerra contra as pessoas. A sociedade tem de resistir e lutar para travar a crise climática", acrescenta António Assunção, porta-voz do coletivo, citado no comunicado do Climáximo.

"Não podemos esperar que quem propõe ou consente com planos para destruir a vida - desde a falta de metas para cortar as emissões necessárias nos prazos necessários, a planos para as aumentar, como é o caso de novos gasodutos e novos aeroportos - nos salve. As soluções existem. É possível mudar o rumo e travar a crise climática. Precisamos de uma verdadeira alternativa a este sistema mortífero, e essa alternativa está nas ruas, não nas urnas", declarou António Assunção.

Já esta semana, os ativistas do movimento Climáximo alteraram os outdoors de vários partidos, em Lisboa, com a frase: “Com o teu voto garantimos o colapso climático”. O grupo de ativistas disse, na altura, que o objetivo era “denunciar a ausência de planos para travar a crise climática”. 

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