Lisboa. Governo "fecha" Área Metropolitana aos fins de semana

Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência, apresentou as conclusões de mais uma reunião do Conselho de Ministros, reunião na qual a pandemia covid-19 foi, novamente, tema central.

João Pedro Henriques
A ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, apresentou as conclusões do Conselho de Ministros© ANTÓNIO COTRIM/Lusa

O Governo decidiu hoje proibir a circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML) aos fins de semana, a partir das 15:00 de amanhã, sexta-feira - e até às 6h00 da manhã de segunda-feira, 21 de junho, devido à subida dos casos de covid-19 neste território.

No final da reunião do Conselho de Ministros hoje realizada, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, afirmou que "as restrições de circulação de e para a AML aplicam-se a partir das 15:00" de sexta-feira e pretendem que "a elevada incidência [de covid-19] que se faz sentir nesta região não se transporte para fora dela".

Pode-se circular entre os concelhos da AML mas não se pode entrar nem sair da AML. Os concelhos da AML são: Almada, Amadora, Barreiro, Loures, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Setúbal, Vila Franca de Xira, Lisboa, Cascais, Sintra, Sesimbra e Alcochete. A medida vai vigorar já neste fim de semana e poderá vigorar também nos próximos.

A ministra destacou que esta é uma medida nova de controlo da pandemia, que "não é fácil nem desejada por ninguém, mas que é necessária" para conter o agravamento da incidência da doença nesta região, sobretudo com a prevalência da variante "delta" do coronavírus.

Mariana Vieira da Silva salientou que o país está numa "situação preocupante", com a incidência de novos casos de covid-19 e o risco de transmissibilidade a aumentarem.

A incidência situa-se nos de 90,5 casos por 100 mil habitantes e o Rt (grau de transmissibilidade de infeção) para Portugal continental está nos 1,13, precisou a em conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros.

"Estamos hoje claramente numa situação já bastante longe da zona verde e, portanto, o país está numa situação mais preocupante do que estava há uma semana, como um todo, com as desigualdades territoriais que conhecem", afirmou.

Segundo a governante, a situação de todo o país que é neste momento "mais preocupante" do que a que se vinha a assistir com o índice de transmissibilidade "já claramente superior a 1" e com uma incidência que, sendo ainda mais baixa do quando se iniciou o período de desconfinamento, "a verdade é que está num crescimento significativo".

Mariana Vieira da Silva admitiu também que se ponha um travão nacional na continuação do plano de desconfinamento que estava prevista para a próxima semana, face à evolução negativa da situação epidemiológica: "Semanalmente, fazemos aqui a avaliação do ponto de situação a nível nacional e ela hoje afasta-se claramente da zona verde [da matriz de risco], o que significa que para a semana, quando estava prevista uma nova fase de desconfinamento, ela muito dificilmente com estes números - e se continuarem estes números - se poderá verificar."

Reconheceu, por outro lado, que a situação da pandemia de covid-19 é "mais preocupante" do que nas semanas anteriores e indicou a degradação dos indicadores da matriz: incidência, que em Portugal continental subiu para 90,5 casos por 100 mil habitantes e índice de transmissibilidade (Rt), que é agora de 1,13.

No concelho de Lisboa a situação, em termos de medidas de confinamento, continua a mesma. Lisboa integrava, neste aspeto, uma lista de quatro concelhos não tinham avançado (com Braga, Odemira e Vale de Cambra) e essa lista passa a ter agora dez concelhos: além de Lisboa, Odemira e Braga, onde tudo fica na mesma, acrescentam-se Albufeira, Arruda dos Vinhos, Cascais, Loulé, Sertã e Sintra. Nestes, a situação significa, na prática um retrocesso: os restaurantes já podiam estar abertos até à 1h00 da manhã e passam a voltar a ter de encerrar às 22h30 novamente.

As regras para esses dez concelhos são:

• Teletrabalho obrigatório quando as atividades o permitam;
• Restaurantes, cafés e pastelarias podem funcionar até às 22h30 (no interior, com um máximo de 6 pessoas por grupo; em esplanada, 10 pessoas por grupo);
• Espetáculos culturais até às 22h30;
• Casamentos e batizados com 50 % da lotação;
• Comércio a retalho alimentar e não alimentar até às 21h00;
• Permissão de prática de todas as modalidades desportivas, sem público;
• Permissão de prática de atividade física ao ar livre e em ginásios;
• Eventos em exterior com diminuição de lotação, a definir pela Direção -Geral da Saúde (DGS);
• Lojas de Cidadão com atendimento presencial por marcação.

Já Sesimbra foi colocada numa situação ainda mais recuada: aos fins de semana a restauração tem de fechar logo a seguir ao almoço (15h30). As regras para Sesimbra são as seguintes:

• Teletrabalho obrigatório quando as atividades o permitam;
• Restaurantes, cafés e pastelarias podem funcionar até às 22h30 durante a semana e até às 15h30 ao fim de semana e feriados (no interior, com um máximo de 4 pessoas por grupo; em esplanada, 6 pessoas por grupo);
• Espetáculos culturais até às 22h30;
• Casamentos e batizados com 25 % da lotação;
• Comércio a retalho alimentar até às 21h00 durante a semana e até às 19h00 ao fim de semana e feriados;
• Comércio a retalho não alimentar até às 21h00 durante a semana e até às 15h30 ao fim de semana e feriados;
• Permissão de prática de modalidades desportivas de médio risco, sem público;
• Permissão de prática de atividade física ao ar livre até seis pessoas e ginásios sem aulas de grupo;
• Eventos em exterior com diminuição de lotação, a definir pela DGS;
• Lojas de Cidadão com atendimento presencial por marcação.

Entretanto, vinte​​​​​​ ​concelhos foram colocados em situação de alerta, e são quase todos na Área Metropolitana de Lisboa: Alcochete, Águeda, Almada, Amadora, Barreiro, Grândola, Lagos, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Sardoal, Seixal, Setúbal, Sines, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira. Uma evolução negativa poderá levá-los a recuar nas medidas de desconfinamento.

Em Portugal, morreram 17 057 pessoas dos 861 628 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim epidemiológico mais recente da Direção-Geral da Saúde.