Estado tem de financiar dívida da CP porque não pagava serviço exigido

"Se não o fizermos, a CP não conseguirá dar resposta à concorrência que vai aparecer", vincou o ministro das Infraestruturas.

Lusa
A CP vai suspender comboios de longo curso entre 1 e 3 de maio© D.R.

O ministro das Infraestruturas afirmou esta segunda-feira, em Lisboa, que o Estado tem que financiar a dívida histórica da CP porque, no passado, não pagava pelo serviço que obrigava a empresa a prestar.

"Temos que financiar a dívida histórica porque o Estado, no passado, não pagava serviço à CP no território, mas impunha que o prestasse", notou Pedro Nuno Santos, durante a sessão de lançamento do Plano Ferroviário Nacional (PFN).

Admitindo que o "Estado não fazia a sua parte", o governante lembrou que, no sentido oposto, eram celebrados contratos de concessão com operadores privados, que permitiam às respetivas empresas ter uma "operação equilibrada ou rentável".

"Por isso é que o contrato é tão importante e dá estabilidade à nossa empresa pública, que ela não teve até agora", concluiu.

Na mesma sessão, o vice-presidente da CP já tinha defendido que, apesar de a empresa ter "capacidade, conhecimentos e competências", precisa de resolver a dívida histórica e ter autonomia de gestão para competir, quando a infraestrutura tiver melhores condições.

"A CP tem todas as capacidades, conhecimentos e competências técnicas e organizacionais para fazer face ao ordenamento da rede e dar resposta à emergência do plano ferroviário", afirmou o vice-presidente da empresa, Pedro Moreira.

No entanto, este responsável admitiu que a dívida histórica da CP -- Comboios de Portugal e a autonomia de gestão podem ser entraves quando a infraestrutura tiver melhores condições, notando ser necessário resolver estas questões.

"Se não o fizermos, a CP não conseguirá dar resposta à concorrência que vai aparecer", vincou.