Rangel ganha. Diretas a 27 de novembro e só votam militantes com quotas em dia

O Congresso do partido irá realizar-se a 17, 18 e 19 de dezembro. São estas as datas que os dois candidatos finalmente aceitam. O resto foi votado e venceu o proposto por Paulo Rangel

Paulo Rangel saiu vencedor do Conselho Nacional do PSD. As suas propostas foram as mais votadas pelos conselheiros: diretas a 27 de novembro e apenas votam os militantes com quotas pagas. A proposta do eurodeputado e candidato à liderança do PSD foi aprovada com 76 votos a favor, 28 contra e 18 abstenções.

Foram rejeitadas as propostas de Rio -- abrir os votos a todos os militantes, por 71 votos contra e 40 a favor -- e de Alberto João Jardim -- adiar as diretas até depois das Legislativas., por 68 votos contra, 47 a favor e um voto nulo.

Já ia longa a reunião do Conselho Nacional do PSD quando se ficou a saber que haveria um acordo entre os dois candidatos: Rui Rio e Paulo Rangel aceitavam ambos realizar o Congresso do partido a 17, 18 e 19 de dezembro. Tudo o mais foi a votos.

Em declarações aos jornalistas após o fim do Conselho Nacional, Paulo Rangel afirmou que o que aconteceu em Aveiro "foi um exercício de democracia verdadeiramente vivo e interessante".

"Foi um Conselho Nacional à moda antiga, com tudo o que tem de bom. Foi feito um esforço enorme da parte da minha candidatura para chegarmos a acordo, mas não foi possível".

"Isto reforça muito o PSD, estamos em perfeitas condições a partir de agora não só para fazer a campanha interna de um partido que tem dois candidatos a primeiro-ministro", acrescentou.

Quanto à proposta de Rio para abrir as diretas mesmo aos militantes sem quotas pagas, Rangel criticou: "O mais curioso é que uma pessoa que há mais de 30 anos faz a campanha mais feroz contra a abertura dos cadernos eleitorais, agora, por um milagre, apareça aqui neste Conselho Nacional a defender a abertura deste caderno eleitoral a meio do processo".

Já quanto ao atual presidente do PSD, este garantiu que mais esta derrota num Conselho Nacional -- a segunda -- não o faz hesitar quanto à candidatura à liderança. "com certeza que sou candidato", disse,

Lamentou a decisão do Conselho Nacional e a data aprovada para as diretas: "Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que o PSD tenha um bom resultado e ganhe ao PS no dia 30 de janeiro. Procurei que não houvesse eleições internas antes das legislativas para que o PSD se concentrasse, mas isso não aconteceu no outro Conselho Nacional nem aconteceu hoje", afirmou, em declarações aos jornalistas após a reunião.

E insistiu na ideia da abertura dos cadernos eleitorais aos militantes sem quotas pagas: "Se alguém tem medo das eleições e do voto dos militantes todos, porque a minha proposta mais do que duplicava os cadernos eleitorais, pelos vistos são eles. Quando eu dei a volta por cima, não quiseram".

Proposta surpreendeu

A reunião começou, depois do almoço, num hotel em Aveiro, com Rui Rio novamente a surpreender tudo e todos.

Depois de, na quinta-feira, ter invertido 180 graus o seu discurso quanto aos calendários eleitorais internos - passando a defender antecipação em vez de adiamento para depois das legislativas - ontem foi a vez de defender que as diretas deveriam ser participadas por todos os militantes do partido, mesmo aqueles sem quotas pagas.

Primeiro fez a proposta aos conselheiros nacionais - a reunião decorreu à porta fechada - e depois explicou-a aos jornalistas: que "todos os militantes ativos votem". Mas "militantes ativos" que "não são todos os que estão nos cadernos mas todos os que têm a quota atrasada um ou dois anos" e "mais do que isso, não, só se pagarem". "Assim - concluía - passamos de um universo de 20 mil/30 mil para um universo de 70 mil militantes. Para quem estava preocupado com legitimidade, aqui tem. Quem tem medo de eleições? Eu não tenho."

Os rangelistas desconfiaram imediatamente da ideia. Aparentemente, há círculos eleitorais internos mais afetos a Rio - Açores e Madeira - com um problema maior de quotas em atraso. Dito de outra forma: viam a ideia do presidente do partido como uma forma deste beneficiar o seu score eleitoral.

Rangel, perante os conselheiros, explicou porque não concordava. Mostrando-se disponível para a antecipação de prazos de todo o calendário eleitoral interno, Rangel recusava no entanto as diretas com o universo eleitoral conforme o proposto por Rio: "As leis eleitorais não se mudam quando os processos eleitorais já começaram. Tudo o que tenha a ver com prazos devemos tentar mexer, tudo o que esteja fora disso, não devemos mexer."

Um velho inimigo de estimação de Rio no PSD, Luís Filipe Menezes, explicava também aos jornalistas porque razão a proposta do presidente do partido não poderia ser aceite: "Qualquer cidadão português pode chegar ao tribunal, apresentar uma providencia cautelar e paralisar o processo interno do PSD." Menezes sugeria mesmo que era precisamente essa a intenção de Rio: "Sou perverso, velho nestas coisas e penso se a estratégia não é essa."

Depois, a reunião foi suspensa para Rio e Rangel negociarem os dois, por volta das 18.30. Uma hora e meia depois, as negociações terminaram. Os dois candidatos à liderança não se entendiam na questão das quotas. Mas nas data das diretas, sim: 27 de novembro

Quanto às datas, reinava a maior das confusões. Recorde-se: no Conselho Nacional de 14 de outubro a decisão foi: diretas a 4 de dezembro e congresso de 14 a 16 de janeiro de 2022.

Depois os rangelistas propuseram antecipações - e fizeram para isso convocar a reunião de ontem em Aveiro: eleições diretas mantendo-se a 4 de dezembro mas congresso antecipado para de 17 a 19 de dezembro.

Ontem, ao chegar ao Conselho Nacional, Rio avançou outra proposta: eleições diretas a 20 de novembro e congresso entre 11 e 12 de dezembro. Paulo Rangel também antecipava a proposta vinda das suas próprias hostes, avançando agora com diretas a 27 de novembro e congresso de 3 a 5 de dezembro.

Antes porém, no início da reunião, o líder histórico do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, entregara uma outra proposta, insistindo para que fosse a votos: adiamento de todo o processo eleitoral interno para depois das legislativas, sem data marcada.

Já perto das 21.00, Rio reformulava a sua proposta, acabando por adotar, quanto ao congresso, o calendário inicialmente previsto pelos rangelistas: de 17 a 19 de dezembro; e as diretas a 27 de novembro, no quadro do tal acordo com Rangel, anunciado por um membro da direção de Rio, José Silvano, secretário-geral do partido.

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