A União Europeia é um OPNI*, disse professor Durão. E foi a gargalhada

Foram só 55 minutos de aula, "para não afastar já os alunos", mas chegaram para defender legado em Bruxelas, atacar "glamour intelectual do pessimismo", promover a lusofonia e ainda citar Vitor Hugo, Stefan Zweig e João Paulo II.

"Dizer que a União Europeia está em decadência é falta de visão histórica", proclamou Durão Barroso ontem na Universidade Católica de Lisboa, satisfazendo àqueles, na assistência, que esperavam do novo professor uma defesa do legado em Bruxelas. Mas como pedagogo com provas dadas, fosse na juventude em Genebra ou durante a travessia do deserto em Washington na década de 1990, o ex-presidente da Comissão Europeia sabe que os alunos se cativam com sentido de humor. E foram risos gerais aquilo que conseguiu arrancar quando citou Jacques Dellors para descrever a União Europeia como "um OPNI...objeto político não identificado". Estava conquistada uma sala cheia - onde havia talvez menos futuros alunos do que público em geral -, gente curiosa com esta aula inaugural dedicada à "União Europeia e a Lusofonia".

Maior PIB, maior potência comercial, maior doador de ajuda, maior número de artigos científicos, reivindicou Durão para a União Europeia, para contestar a tal tese da decadência. "A Europa está hoje melhor do que há dez, 20 ou 40 anos", afirmou, lembrando que quando em 2012 fez o discurso do Nobel da Paz, recordou o entusiasmo dos portugueses mal saíram da ditadura para aderir à então CEE. Uma euforia que se repetiu quando foi a vez do Leste se libertar, permitindo que a UE pudesse ter dimensão continental. "É agora que a Europa pode respirar com os dois pulmões", lembrou o orador ter ouvido o papa João Paulo II dizer.

Mas por muito que aproveitasse para uma síntese da história da unidade europeia, desde o sonho de Vitor Hugo à realidade construída por Jean Monet, a mensagem que Durão quis passar foi sempre atual. "Apesar da crise, todos os passos foram sempre para uma maior integração europeia", com reforço dos poderes do BCE e da Comissão Europeia ("talvez até excessivos"), destacou, quase parando como que para dar tempos aos alunos para anotar. E prosseguiu: "é minha convicção que vamos continuar a assistir a uma maior integração da Zona Euro".

*OPNI: Objeto Político Não Identificado

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