A candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD é "irreversível"

Eurodeputado tem estado em contacto com as estruturas do PSD e tem a convicção que conseguiu o apoio das maiores distritais, como as do Porto, Lisboa e Braga. E começa a ganhar força no partido a ideia que Rio não vai a jogo.

A candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD está em marcha nos bastidores do partido e é "irreversível". Resta saber qual será a data escolhida pelo eurodeputado social-democrata para a anunciar publicamente, sabe o DN.

O Conselho Nacional de quinta-feira, onde serão analisados os resultados eleitorais das autárquicas de 26 de setembro, são a primeira etapa para Rangel fazer o seu retrato da atual situação do partido pós eleições, projetá-la no futuro e dar os primeiros sinais de que está mesmo determinado a ser a "alternativa" à atual direção de Rui Rio.

Internamente muitos já perceberam que é mesmo "irreversível" a sua decisão de avançar para uma candidatura - o que não aconteceu há quatro anos quando muitos o empurravam para essa possibilidade. Tanto mais que tem mantido conversas com as estruturas do partido e por todo o país, asseguraram ao DN fontes que lhe são próximas.

No núcleo próximo do eurodeputado e vice-presidente do PPE existe a convicção, após essa bateria de contactos, que as principais distritais do PSD estarão com ele, mesmo que Rui Rio se recandidate à presidência do PSD. Decisão que tem mantido como tabu, sem abrir o jogo com ninguém.

Do lado de Rangel falam do eventual apoio de distritais como as de Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria, Viseu, Santarém e Braga, que é liderada pelo também eurodeputado José Manuel Fernandes e que foi apoiante de Rio nas últimas diretas.

"Começa a correr no partido a ideia de que Rio poderá mesmo não se recandidatar de tal forma se sente que a estruturas estão a pender para o lado de Rangel", afirma uma fonte social-democrata.

Os rangelistas contam também com as tropas que apoiaram Luís Montenegro no último confronto com Rio, depois do antigo líder parlamentar ter assumido que não volta a entrar na corrida.

Tal como é dado como certo o apoio de Miguel Pinto Luz, que também esteve na disputa pela liderança em 2019 - embora tenha ficado pela primeira volta das eleições internas - e dos que então estiveram do seu lado da barricada.

Pinto Luz e Cavaco

Paulo Rangel é um dos convidados para a apresentação hoje do livro Voltar a Acreditar na Política, de Miguel Pinto Luz, na Embaixada, Príncipe Real, em Lisboa. E no qual o vice-presidente da Câmara de Cascais reflete de forma crítica sobre a relação dos partidos, em particular do seu, com os eleitores.

"Os partidos estão, atualmente, fechados, enquistados e sem poder de convocatória dos setores mais dinâmicos da sociedade. Em particular o PSD, o meu partido, que foi, desde a sua génese, o movimento político com mais expressão e abrangência em Portugal, nos últimos anos tem sido incapaz de apresentar um projeto mobilizador e disruptivo, em linha com os tempos de enorme transformação que vivemos no mundo", afirma Pinto Luz. E acrescenta, num livro que aborda ponto por ponto a sua visão do que é a social-democracia e os desafios que o país enfrenta: "Os seus líderes foram moldados noutros tempos, noutras realidades e não perceberam que os ventos mudaram".

"O PSD, o meu partido, que foi, desde a sua génese, o movimento político com mais expressão e abrangência em Portugal, nos últimos anos tem sido incapaz de apresentar um projeto mobilizador e disruptivo, em linha com os tempos de enorme transformação que vivemos no mundo."

Apesar de o livro parecer o programa de uma candidatura, no lado de Rangel é visto como uma "forma de Pinto Luz marcar a sua visão e o terreno para o futuro".

Também o artigo que Cavaco Silva escreveu no Expresso, no fim de semana passado, intitulado "Empobrecimento e silenciamento", é lido como um incentivo indireto a uma candidatura alternativa a Rui Rio. Também foi assim que o antigo líder do PSD Marques Mendes o interpretou no seu habitual espaço de opinião na SIC.

"O empobrecimento do país tem estado envolto, para descrédito da nossa democracia, numa penumbra de silenciamento. Para isso têm contribuído vários fatores. Desde logo, uma oposição política débil e sem rumo, desprovida de uma estratégia consistente de denúncia dos erros, omissões e atitudes eticamente reprováveis do Governo."

O antigo Presidente da República escreveu um rol de críticas ao governo socialista sobre a condução do destino do país, mas deu uma farpa na oposição e, sem mencionar o PSD, era para o partido que liderou que se dirigia. " O empobrecimento do país tem estado envolto, para descrédito da nossa democracia, numa penumbra de silenciamento. Para isso têm contribuído vários fatores. Desde logo, uma oposição política débil e sem rumo, desprovida de uma estratégia consistente de denúncia dos erros, omissões e atitudes eticamente reprováveis do Governo."

paulasa@dn.pt

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