Após votar, este sábado à tarde, em Lisboa, o antigo chefe de Estado António Ramalho Eanes avaliou que o cenário enfrentado pelo Presidente eleito exigirá “competências” adequadas a “circunstâncias internas e internacionais extremamente exigentes”.Mostrando-se pessimista e cauteloso relativamente ao futuro, Eanes, no plano interno, identifica “uma fragmentação partidária que naturalmente torna mais difíceis os entendimentos para encontrar respostas reformadoras para os grandes problemas que se colocam no país”, como a Saúde, a Educação e a mobilidade. Ramalho Eanes foi claro: isto é “dramático”.No cenário internacional, defendeu o financiamento da Ucrânia, mas sublinhou também a obrigatoriedade de “responder às nossas necessidades externas” e de “salvaguardar o nosso território”.Classificou esta responsabilidade externa como “enorme e, além disso, extremamente preocupante, porque, sendo enorme, não sabemos bem qual será a sua evolução”.“O mundo passou da lei da ordem para o poder e a desordem, e vai complicar-se ainda mais”, disse.Conflitos “de que não se fala”O antigo Presidente reforçou mesmo que “não há dúvidas de que vai piorar” e que “possivelmente a NATO vai explodir”. Previu que “a Europa vai confrontar-se com imensos problemas”.Numa perspetiva ainda mais global, citou conflitos “de que não se fala”, como em África, na África Oriental e na Venezuela, que considera “muito preocupantes”.Em comparação com há 50 anos, quando concorreu às primeiras eleições presidenciais livres, afirma que uma das principais diferenças é que “hoje tudo é imprevisível”.