O Presidente da República reiterou este sábado, 9 de maio, a sua oposição à regra da unanimidade na União Europeia (UE), alertando que uma Europa “que se move apenas quando há consenso, é uma Europa que chega sempre tarde”.Numa mensagem publicada nas redes sociais para assinalar o Dia da Europa, António José Seguro recordou que a UE “nasceu da vontade de garantir a paz e o progresso num continente devastado por guerra”, mas alertou que o continente “enfrenta hoje uma encruzilhada diferente, mas igualmente exigente”.“A resposta não está em recuar, fragmentar ou desistir. Está em avançar com mais união, mais ambição e mais coragem política”, escreveu.António José Seguro argumentou que “uma Europa de 27 países, que se move apenas quando há consenso, é uma Europa que chega sempre tarde”, insistindo na sua posição pelo fim da regra da unanimidade europeia em domínios estratégicos.“O futuro pertence a quem age com determinação. Não a quem reage tarde e corre quase sempre atrás do prejuízo”, acrescentou o chefe de Estado.. O Presidente da República defendeu que, “em vez de minorias de bloqueio”, são necessárias “maiorias com ambição” e “lideranças que pensem a Europa para além dos egoísmos imediatos dos Estados-membros que representam”.Nesta mensagem, Seguro salientou também que a “Europa avançou com líderes que ousaram pensar além do imediato” e considerou que é necessário recuperar esse espírito.“Para preservar a paz, a Europa tem de percorrer quatro caminhos em simultâneo: salvaguardar a democracia como fundamento irrenunciável da vida em comum, aprofundar a integração política como garantia de solidariedade entre os seus povos, construir autonomia estratégica como expressão de soberania na defesa, competitividade e energia”, frisou.Seguro defendeu que, para concretizar “todas estas ambições”, é necessário “um modelo de governação mais eficiente e mais rápido”, remetendo para a sua intervenção, esta semana, em Itália, na sessão comemorativa dos 50 anos do Instituto Europeu de Florença.“A regra da unanimidade em domínios estratégicos funcionou no século passado, não resulta no século XXI. O mundo não espera por nós”, concluiu.Montenegro sublinha empenho de Portugal na construção de uma UE mais competitiva e influenteO primeiro-ministro, por seu lado, disse que Portugal continuará empenhado na construção de uma União Europeia “mais forte, competitiva, coesa e influente", numa mensagem em que destacou também os 40 anos da adesão do país ao projeto europeu.Numa mensagem divulgada nas suas redes sociais, Luís Montenegro escreve que este sábado se delebra uma “Europa de paz liberdade, democracia e prosperidade”.“No ano em que celebramos os 40 anos da adesão à CEE, orgulhamo-nos de fazer parte deste projeto comum que nos une em valores e oportunidades”, frisa também o líder do Governo.Montenegro diz que, “num tempo de grandes desafios”, Portugal continuará “empenhado na construção de uma União mais forte, competitiva, coesa e influente no mundo”.O primeiro-ministro conclui esta mensagem defendendo que o fortalecimento da Europa é “essencial à defesa dos interesses e ambições de Portugal e dos portugueses”.. Macron defende uma UE "forte, poderosa e independente".O Presidente francês, Emmanuel Macron, por seu lado, afirmou que “a Europa pode e deve melhorar ainda mais”, defendendo a necessidade de continuar a trabalhar por uma União Europeia “forte, poderosa e independente”.Num apelo veemente a favor da UE, Macron exortou os cidadãos a sentirem-se “orgulhosos de ser europeus” e destacou a ambição de construir “o continente mais ecológico”, líder em inovação, tecnologia e soberania industrial, capaz de reduzir as suas dependências estratégicas e defender “os valores democráticos e humanistas”.Macron afirmou que a Europa demonstrou a sua capacidade de resposta perante as grandes crises recentes, desde a pandemia e as turbulências económicas até à guerra na Ucrânia.Segundo o chefe de Estado francês, a UE age “rápido, com força e em solidariedade” quando “a História bate à porta”.Na sua mensagem nas redes sociais, Macron recordou que a UE nasceu “das ruínas” e da rejeição ao nacionalismo e à guerra, na sequência dos conflitos do século XX.“É um legado arrancado das ruínas, um tesouro forjado pela coragem daqueles e daquelas que se recusaram a aceitar que o nacionalismo e a guerra fossem o nosso destino”, afirmou.Macron assegurou que, desde 2017, quando iniciou o seu mandato como Presidente, tem dedicado a sua energia ao projeto europeu porque “uma parte significativa” do futuro e da soberania da França “está em jogo aí”.E sustentou que “a Europa respeita e fortalece" as nações, contrariamente ao que afirma a extrema-direita.. O Dia da Europa assinala-se este sábado, evocando a declaração de Robert Schuman, em 1950, na qual apresentou as bases fundadoras da União Europeia.Portugal aderiu formalmente à Comunidade Económica Europeia (CEE) em 01 de janeiro de 1986, juntamente com Espanha.O tratado de adesão de Portugal à então CEE foi assinado em 12 de junho de 1985 por Mário Soares e também pelo vice-primeiro-ministro do Governo PS/PSD, Rui Machete, e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, e das Finanças, Ernâni Lopes.Quando o tratado entrou em vigor, em 01 de janeiro de 1986, já estava em funções o Governo do PSD chefiado por Aníbal Cavaco Silva, que iria governar durante dez anos.