Presidente do Congresso do CDS apela à retirada de moções em nome da união em torno do líder Nuno Melo
FOTO: PAULO CUNHA/LUSA

Presidente do Congresso do CDS apela à retirada de moções em nome da união em torno do líder Nuno Melo

No Congresso que decorre em Alcobaça, o líder parlamentar Paulo Núncio disse que vai propor duplicação das deduções fiscais para famílias com três ou mais filhos.
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O presidente da mesa do congresso do CDS-PP, José Manuel Rodrigues, apelou este sábado, 16 de maio, aos primeiros subscritores das três moções a votação que as retirassem, em nome da união em torno da recandidatura de Nuno Melo à liderança do partido.

“Em nome da unidade do partido, em nome do aprofundamento da estratégia política e do reforço da autonomia do CDS e da sua independência enquanto partido com uma matriz única, quero apelar à Juventude Popular, e também aos autores das duas outras moções, Nuno Correia da Silva e Hugo Gonçalves, que possam contribuir com sentido de responsabilidade para que o partido saia totalmente unido deste Congresso, à volta do líder Nuno Melo e de uma estratégia nova para o CDS”, afirmou o presidente da mesa do Congresso, que decorre até este domingo em Alcobaça.

O centrista apelou assim a que todas as moções, excluindo a do líder, não fossem levadas a votação.

No apelo feito “em nome do fortalecimento do CDS”, José Manuel Rodrigues esclareceu não estar a pedir à Juventude Popular “que desista das suas ideias, nem que abdique das suas propostas”, mas apenas que dê "uma oportunidade, com responsabilidade”, para que a liderança de Nuno Melo, “que tirou o partido da irrelevância política, possa pôr em prática uma estratégia que afirme ainda mais o CDS", que reforce a identidade e que fortaleça a autonomia do partido em relação ao nosso parceiro de coligação (PSD) e todo o quadro partidário nacional”.

O CDS “tem que ter mais vida do que ser apenas Governo em Portugal ou nas regiões autónomas”, disse o presidente da mesa do congresso, defendendo que o partido tem que sair de Alcobaça, onde o congresso decorre até domingo, “mais forte, mais unido, mais solidário”.

O presidente da mesa fazia a sua segunda intervenção no congresso em que considera ter ficado claro que “não está em causa a liderança do CDS”, mas “pode estar em causa o afinamento, o aprofundamento da estratégia política que tem vindo a ser seguida”.

No seu entender, o partido deve ter mais autonomia estratégica” em relação ao parceiro de coligação, o PSD, “seja no Governo da República, seja nos governos regionais”, ou nas autarquias governadas pela coligação.

Para o centrista, no congresso ficou também claro que “uma coligação não é uma fusão” nem “uma diluição de um partido no outro partido”, cabendo ao CDS “evitar é que se caminhe neste sentido ou que haja a tentação, por parte de alguns dirigentes do nosso parceiro de coligação, de tentar uma absorção do CDS pelo PSD”.

O presidente da mesa deu mesmo razão à Juventude Popular, que na sua moção defendeu que o partido deve ter “mais músculo”.

Esse músculo, afirmou José Manuel Rodrigues, “deve representar mais autonomia estratégica e um caminho próprio, independentemente daqueles que também caminham num determinado momento ao nosso lado, como é o caso do PSD”.

Para o também líder do CDS/Madeira, não é por apostar numa coligação com o PSD que o CDS corre “risco da extinção e/ou de uma possível diluição”, já que o partido já esteve noutras coligações e “nunca se extinguiu”, apesar de já ter ficado fora da Assembleia da República por “ter escolhido o caminho errado”, concluiu.

Paulo Núncio anuncia que vai propor duplicação das deduções fiscais para famílias com três ou mais filhos

O CDS-PP vai propor no parlamento a duplicação das deduções fiscais para famílias com três ou mais filhos, para “aumentar o apoio às famílias numerosas”, anunciou o líder parlamentar Paulo Núncio.

“Quero anunciar aqui neste congresso que o CDS irá propor no parlamento duplicar as deduções fiscais a partir do terceiro filho. Queremos, com esta medida, aumentar o apoio às famílias numerosas, porque as famílias que decidem ter mais filhos não podem ser penalizadas por isso, e porque as famílias com mais filhos merecem pagar menos IRS”, afirmou.

O anúncio foi feito por Paulo Núncio numa intervenção no 32.º Congresso do CDS, que decorre entre este sábado e domingo em Alcobaça, no distrito de Leiria.

À Lusa, Paulo Núncio indicou que o CDS-PP vai agendar um debate sobre esta proposta na Assembleia da República e fixar a ordem do dia com este tema.

“As famílias que querem ter mais filhos merecem pagar menos IRS. Esta é uma questão de justiça para as nossas famílias, mas é sobretudo um compromisso com o futuro de Portugal”, defendeu.

Núncio referiu que o partido tem a obrigação de “responder a um dos principais desafios que Portugal enfrenta, a crise da natalidade”.

“No país que se aproxima dos 900 anos de história, somos cada vez menos. Temos cada vez menos famílias e as famílias são cada vez mais pequenas, e é a altura de inverter este triste fado”, advogou.

Paulo Núncio disse também esperar que deste congresso “saia um partido com coragem, um partido credível e um partido fiel à sua matriz e, acima de tudo, um partido que inspire os jovens”, defendendo que “só com os jovens haverá tempo de futuro para o CDS”.

Na sua intervenção, o deputado e vice-presidente começou por falar sobre o voto contra do partido à Constituição, em 1976, considerando que representou “o verdadeiro momento fundacional do CDS”.

Paulo Núncio considerou que os centristas foram “os únicos, sem medos, naquele dia a dizer que Portugal merecia muito mais e muito melhor do que o caminho para uma sociedade socialista”.

E indicou que “foi aí que o CDS definiu a sua identidade, de um partido personalista e de um partido crente, profundamente crente no valor da liberdade e, por isso, adversário ideológico dos socialistas e, por isso, desde esse momento, adversário político da esquerda e da extrema-esquerda”.

“Como há 50 anos, somos adversários das esquerdas em todas as suas versões. Somos adversários dos comunistas, que continuam vendidos à União Soviética e fascinados com o estalinismo”, referiu.

Considerando que “é caso para dizer, já acabou a união, mas os soviéticos ainda cá estão”, Paulo Núncio referiu que na semana passada o “parlamento uniu-se para apoiar a Ucrânia” e o PCP “pôs-se do lado do agressor”. “O PCP envergonha Portugal”, criticou.

E assinalou que os centristas são adversários também daqueles que “querem abolir as fronteiras, dos que acham que ser português não vale nada, dos que desprezam os polícias de forças de segurança e dos que querem impor a ideologia de género nas escolas às crianças”, considerando que “o BE faz mal a Portugal”.

Núncio criticou ainda o PS, apelidando os socialistas de “incompetentes e irresponsáveis”.

“Em 50 anos, o PS já levou três vezes o país à bancarrota. O PS é o principal responsável político pelo atraso económico e social do país. E o PS é, ainda, o partido, incapaz de denunciar um primeiro-ministro acusado de gravíssimos crimes de corrupção e que continua a brincar com a justiça portuguesa”, acusou.

O líder parlamentar salientou que o CDS “é mesmo um partido único na direita portuguesa”.

“Há partidos que se dizem de direita, que até têm algumas ideias de direita na economia, mas que são de esquerda nos valores. Há outros partidos que também se dizem de direita, que têm algumas ideias de direita nos valores, mas que são de esquerda na economia. O CDS é o único partido no parlamento que é de direita nos valores e na economia”, sustentou.

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