Paulo Raimundo e Pedro Nuno Santos debateram na RTP3.
Paulo Raimundo e Pedro Nuno Santos debateram na RTP3.Foto: Francisco Romão Pereira/RTP

Pedro Nuno Santos atirou realismo às equiparações de Paulo Raimundo

Debate entre os secretários-gerais do PS e do PCP teve o socialista a repetir o argumento da dispersão de votos, enquanto o comunista o conotava com as políticas da AD. E até da Iniciativa Liberal.
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O debate entre Pedro Nuno Santos e Paulo Raimundo, transmitido pela RTP3 na noite de segunda-feira, não terminou sem que o secretário-geral do PCP conotasse o seu interlocutor com a Iniciativa Liberal. "Não venha com o argumento do Rui Rocha para mim", disse Raimundo, depois de ouvir o líder socialista dizer que o partido defende o aumento do salário mínimo nacional "até onde a economia portuguesa consegue pagar".

A dicotomia entre as fasquias elevadas pelo secretário-geral do PCP para enfrentar, "com coragem e determinação, aqueles que se acham donos do país", contrapondo que o programa eleitoral do PS "é um bocadinho poucochinho" no que toca a aumento de rendimentos dos trabalhadores, e o apelo de Pedro Nuno Santos aos votos de todos aqueles que querem "preservar o Serviço Nacional de Saúde" e investir na construção de habitação pública marcou um debate tenso, ainda que o líder socialista tenha garantido ter "muito respeito pelo PCP".

Após Pedro Nuno Santos ter defendido que saia das legislativas de 18 de maio um Governo do PS, o que implica uma vitória sobre a AD em que "não pode haver dispersão de votos", Paulo Raimundo ripostou com a equiparação entre os socialistas e a coligação liderada por Luís Montenegro. E sublinhou que o partido do interlocutor, "dê as voltas que quiser", viabilizou o Programa de Governo e o Orçamento do Estado da direita, apontando como "única forma de garantir" uma mudança de políticas haver "mais força, mais votos e mais deputados da CDU".

O líder socialista justificou a viabilização do Programa de Governo e do Orçamento do Estado da AD com "sentido de Estado e responsabilidade", acusando o PCP de se "colocar na posição confortável" de não ter um sentido de voto que implique eleições antecipadas. "Infelizmente o PCP faz uma equiparação errada. O PS não deu estabilidade à AD. Deu ao país", referiu.

Mas ouviu o líder comunista dizer, entre outras coisas, que "ainda não consegui engolir" o voto do PS contra a comissão parlamentar de inquérito destinada a apurar o "crime económico da ANA", no qual avalia que os cofres públicos terão sido lesados em 20 mil milhões de euros.

SNS e Imigração

O afastamento entre PS e PCP desde que os comunistas chumbaram o Orçamento do Estado para 2022 foi patente desde o início do debate, dedicado ao Serviço Nacional de Saúde. Paulo Raimundo admitiu que "não é fácil resolver de um dia para o outro os problemas", mas defendeu que se resolvem com "medidas concretas que, infelizmente, o PS optou por não acompanhar". E partilhou a crença de que, com apoios ao alojamento e atualização de carreiras, será possível "resgatar" profissionais que atualmente trabalham na saúde privada. "Podendo optar, vão optar pelo SNS", disse.

Antes disso, Pedro Nuno Santos dirigira críticas ao Governo da AD, aproveitando a menção ao encerramento de urgências hospitalares para apontar a saúde como "uma das áreas de maior falhanço de Luís Montenegro e das suas políticas", acusando o primeiro-ministro de ter enganado os portugueses ao prometer que iria ser rápido e fácil resolver problemas que reconheceu existirem durante a governação socialista.

No que toca a imigração, Paulo Raimundo preferiu falar nos vistos gold, dizendo que os comunistas não estão "disponíveis para vender o país por 500 mil euros", enquanto Pedro Nuno Santos assumiu que Portugal está "numa fase diferente" daquela em que houve uma "entrada massiva de trabalhadores estrangeiros". E admitiu que "não tem como confirmar" a notícia sobre a entrada de 120 mil imigrantes sem verificação de registo criminal, que terá sucedido antes de Luís Montenegro tomar posse, sem deixar de acusar o Governo de "usado a política de migrações para fazer campanha eleitoral".

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