A Comissão Política Nacional do CDS-PP encabeçada por Nuno Melo foi eleita com 89,74% dos votos dos congressistas presentes em Alcobaça, assegurando um terceiro mandato enquanto presidente do partido para o atual ministro da Defesa Nacional. No discurso de vitória, dirigido a centenas de participantes no Congresso de Alcobaça, Melo deixou o "aviso" ao PSD de que, "com toda a legitimidade", o CDS-PP "quer ser maior no futuro". "O CDS não é uma tendência, o CDS não se funde e o CDS não se dilui", disse Nuno Melo, dirigindo-se aos "meus amigos do PSD" para realçar que o seu partido "não está por favor" numa AD que "é um património em comum". E na qual os centristas contribuem "com trabalho, com ideias, com pessoas e com votos". Como sinal da autonomia do partido na coligação, posta em causa nas semanas anteriores, nomeadamente nas moções da Juventude Popular e de Nuno Correia da Silva - embora a primeira não tenha ido a votos e a segunda só tenha convencido oito congressistas -, Nuno Melo anunciou que o CDS-PP "vai a jogo" no processo de revisão constitucional. Em prol de um "documento neutro, representativo de todas as sensibilidades", disse que será constituído um grupo de trabalho, para o qual serão convidados "constitucionalistas conhecidos".Recordando que os centristas foram os primeiros a defender a pena acessória de perda de nacionalidade para cidadãos naturalizados condenados por crimes graves, incluindo o de terrorismo, em 2018, o líder reeleito defendeu que a recente declaração de inconstitucionalidade decretada pelo Tribunal Constitucional "é um bom mote para o tema prioritário da revisão constitucional". E mencionou que o CDS foi "o único partido a votar contra a Constituição que nos levava a caminhar para o socialismo", em 1976, "quando era mesmo difícil lutar pela decência e pela democracia em Portugal".Apresentando o CDS-PP como "o braço lúcido da direita portuguesa", Nuno Melo criticou implicitamente antigos dirigentes, como Filipe Lobo d'Ávila, falando em "descobertas tardias dos caminhos para o socialismo", mas também reservou alfinetadas para o Chega e para a Iniciativa Liberal. Para o líder centrista, o partido liderado por André Ventura, "dizendo-se de direita, em muitos momentos tem sido o maior aliado da esquerda em Portugal". Além de acusar o Chega de ter contribuído para a queda de governos de centro-direita na República, nos Açores e na Madeira, Melo descreveu-o como um partido que "defende aumentos de impostos e o Estado a dar tudo a todos, com o dinheiro dos contribuintes".Quanto à Iniciativa Liberal, Melo voltou a criticar um "dogmatismo" capaz de esquecer que "aquilo que o mercado tem de sobra em números lhe falta em solidariedade". Sem deixar de admitir que o novo mapa político-partidário traz desafios exigentes, na medida em que "a antiguidade não é um posto" e que os novos partidos à direita do PS "dizem o que o CDS sempre disse, com outro estilo e, por vezes, sem maneiras".Depois de ser elogiado em mensagens de vídeo enviadas por figuras como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, duas figuras de proa do Partido Popular Europeu, Nuno Melo defendeu a matriz democrata-cristã, "aberta a correntes conservadoras e de liberalismo social", de um partido "que nasceu à prova de bala" e que "continua a fazer tanto sentido em 2026 como fez em 1974"."Num tempo de grande fragmentação partidária, o CDS significa uma força segura que contribui para a governação e para a governabilidade", disse o líder reeleito do CDS, acrescentando que "Portugal nada tem a ganhar com o regresso ao poder daqueles que arruinaram o país" ou com "o acesso à governação de partidos extremistas sem quadros nem políticas, muitas vezes sem limites e às vezes sem escrúpulos".A lista única que se apresentava à Comissão Política Nacional obteve 525 votos válidos, havendo 41 votos em branco e 19 votos nulos. Ao contrário do que chegou a estar previsto, Nuno Correia da Silva não apresentou uma lista alternativa, e não compareceu ao encerramento do Congresso do CDS-PP, após a sua moção de estratégia global conseguir apenas oito votos ao final da noite de sábado.Ainda mais expressivas foram as votações da lista única aos restantes órgãos nacionais do CDS-PP. A lista para a Mesa do Congresso, que continuará a ser presidida pelo madeirense José Manuel Rodrigues, teve 92,3% dos votos, a lista para o Conselho Nacional de Jurisdição teve 92,6%, a lista para o Conselho Nacional teve 90,4% e a lista para a Mesa do Conselho Nacional obteve 91,6%, tal como a do Conselho Nacional de Fiscalização. .CDS-PP: Ana Miguel Pedro e Catarina Araújo são as novas vice-presidentes de Nuno Melo.Nuno Melo: "Não fizemos negociações com autores de outras moções"