O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quinta-feira (5 de março) que a clarificação interna nos partidos é um contributo para a estabilidade política no país, e não um fator de instabilidade. O chefe do Governo e líder do PSD respondeu assim aos jornalistas, depois de ter sido questionado sobre se as declarações que fez no Conselho Nacional do PSD não poderiam gerar instabilidade - Montenegro admitiu antecipar eleições diretas no partido e desafiou implicitamente Pedro Passos Coelho a avançar com uma candidatura.Questionado pelos jornalistas, no final do último Conselho de Ministros que contou com a presença do Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, Montenegro respondeu que a estabilidade do executivo não está em causas. “Este Governo assegura a estabilidade política no cumprimento e ao abrigo da Constituição, da lei e do seu comportamento em termos executivos”, começou por afirmar, acrescentando depois que a estabilidade governativa depende também do funcionamento normal dos partidos que integram a coligação que sustenta o executivo. “As garantias de estabilidade que o Governo dá também devem advir da estabilidade dos partidos que compõem a coligação que compõe o Governo”, disse."Os partidos têm regras, têm calendários que devem ser observados independentemente das circunstâncias governativas e é isso que acontece no partido do primeiro-ministro”, afirmou.Sem nunca mencionar o nome do antigo primeiro-ministro e antigo líder do PSD Pedro Passos Coelho, do qual foi líder parlamentar, Montenegro argumentou ainda que o debate interno no PSD pode contribuir para reforçar a estabilidade política. “Um calendário de discussão e debate interno é também, de alguma maneira, um contributo para a estabilidade porque é sempre uma oportunidade de clarificação e a clareza é também um eixo fundamental da estabilidade”, acrescentou.As declarações surgem um dia depois de Montenegro ter proposto, no Conselho Nacional do PSD, que as eleições diretas para a liderança do partido se realizem em maio, defendendo que a antecipação permitiria afastar dúvidas sobre o rumo político do partido e do Governo.Sem referir Passos Coelho, que nas últimas semanas fez várias intervenções críticas dirigidas ao executivo, Montenegro lançou um desafio implícito a quem discorde da estratégia atual dos social-democratas e do Governo. “Se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do partido”, afirmou, defendendo que o PSD deve clarificar internamente o seu rumo político.Na mesma intervenção, o líder social-democrata sustentou que o partido não pode ter dúvidas sobre o “caminho reformista” do Governo e rejeitou a ideia de que o atual executivo seja apenas uma continuação dos anteriores governos (socialistas) liderados por António Costa..Sem referir Passos... Montenegro propõe diretas no PSD e desafia quem tiver "caminho diferente" a avançar.No último Conselho de Ministros com Marcelo e Montenegro, ambos concordam que foram "felizes"