Luís Montenegro recebeu Marcelo Rebelo de Sousa no Conselho de Ministros
Luís Montenegro recebeu Marcelo Rebelo de Sousa no Conselho de MinistrosANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Montenegro rejeita risco de instabilidade após desafio interno no PSD

Primeiro-ministro rejeita que as declarações no Conselho Nacional do PSD, nas quais propôs eleições diretas no partido em maio e desafiou indiretamente Passos Coelho, possam criar instabilidade.
Publicado a

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quinta-feira (5 de março) que a clarificação interna nos partidos é um contributo para a estabilidade política no país, e não um fator de instabilidade. O chefe do Governo e líder do PSD respondeu assim aos jornalistas, depois de ter sido questionado sobre se as declarações que fez no Conselho Nacional do PSD não poderiam gerar instabilidade - Montenegro admitiu antecipar eleições diretas no partido e desafiou implicitamente Pedro Passos Coelho a avançar com uma candidatura.

Questionado pelos jornalistas, no final do último Conselho de Ministros que contou com a presença do Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, Montenegro respondeu que a estabilidade do executivo não está em causas. “Este Governo assegura a estabilidade política no cumprimento e ao abrigo da Constituição, da lei e do seu comportamento em termos executivos”, começou por afirmar, acrescentando depois que a estabilidade governativa depende também do funcionamento normal dos partidos que integram a coligação que sustenta o executivo. “As garantias de estabilidade que o Governo dá também devem advir da estabilidade dos partidos que compõem a coligação que compõe o Governo”, disse.

"Os partidos têm regras, têm calendários que devem ser observados independentemente das circunstâncias governativas e é isso que acontece no partido do primeiro-ministro”, afirmou.

Sem nunca mencionar o nome do antigo primeiro-ministro e antigo líder do PSD Pedro Passos Coelho, do qual foi líder parlamentar, Montenegro argumentou ainda que o debate interno no PSD pode contribuir para reforçar a estabilidade política. “Um calendário de discussão e debate interno é também, de alguma maneira, um contributo para a estabilidade porque é sempre uma oportunidade de clarificação e a clareza é também um eixo fundamental da estabilidade”, acrescentou.

As declarações surgem um dia depois de Montenegro ter proposto, no Conselho Nacional do PSD, que as eleições diretas para a liderança do partido se realizem em maio, defendendo que a antecipação permitiria afastar dúvidas sobre o rumo político do partido e do Governo.

Sem referir Passos Coelho, que nas últimas semanas fez várias intervenções críticas dirigidas ao executivo, Montenegro lançou um desafio implícito a quem discorde da estratégia atual dos social-democratas e do Governo. “Se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do partido”, afirmou, defendendo que o PSD deve clarificar internamente o seu rumo político.

Na mesma intervenção, o líder social-democrata sustentou que o partido não pode ter dúvidas sobre o “caminho reformista” do Governo e rejeitou a ideia de que o atual executivo seja apenas uma continuação dos anteriores governos (socialistas) liderados por António Costa.

Luís Montenegro recebeu Marcelo Rebelo de Sousa no Conselho de Ministros
Sem referir Passos... Montenegro propõe diretas no PSD e desafia quem tiver "caminho diferente" a avançar
Luís Montenegro recebeu Marcelo Rebelo de Sousa no Conselho de Ministros
No último Conselho de Ministros com Marcelo e Montenegro, ambos concordam que foram "felizes"
Diário de Notícias
www.dn.pt