A frase feita de que “em equipa que ganha não se mexe” foi desafiada por Carlos Moedas nas listas da coligação Por Ti, Lisboa, entregues nesta segunda-feira, no último dia do prazo legal para formalizar candidaturas às eleições autárquicas de 12 de outubro, pois incluem apenas dois dos atuais vereadores, estando apenas um deles em lugar elegível. Um dia após ter escrito, num texto publicado na edição do DN desta segunda-feira, que a equipa por si liderada “é a mais preparada e a mais experiente para dar ainda mais aos lisboetas”, o presidente da Câmara de Lisboa confirmou os indícios de grande renovação no executivo camarário, com a saída do vice-presidente Filipe Anacoreta Correia e das vereadoras Filipa Roseta, Joana Castro e Almeida e Sofia Athayde.Apesar de ter tido o mandato de vereador suspenso, devido a uma investigação a alegada fraude em eleições internas do CDS-PP, regressando à Praça do Município após ser ilibado pelo Ministério Público, o único membro da atual equipa de Moedas com lugar garantido é o centrista Diogo Moura, responsável pelos pelouros da Economia e Inovação, em quinto lugar, pois o social-democrata Rui Cordeiro, responsável pela Higiene Urbana e Segurança, aparece apenas em décimo lugar da lista da coligação que, desta vez, junta sociais-democratas, centristas e liberais. Em sentido contrário, o social-democrata Gonçalo Reis, que já foi presidente da RTP e administrador financeiro da Infraestruturas de Portugal, bem como vereador da Câmara de Lisboa e deputado, é o número dois da lista da coligação, seguido pela independente (indicada pelo PSD) Joana Baptista, que nos últimos dois mandatos foi o braço direito de Isaltino Morais na Câmara de Oeiras, com o pelouro das Obras Municipais , Ambiente, Proteção Civil, Mobilidade e Transportes. A atual vereadora do concelho vizinho esteve ao lado de Moedas na entrega das listas, no Palácio de Justiça, tal como a nova cabeça de lista à Assembleia Municipal, a ex-ministra da Educação e Ciência, Margarida Mano..Carlos Moedas diz que Lisboa vai escolher entre a “moderação assertiva que faz e o radicalismo do contra”.Além do forte peso dos parceiros de coligação, com o coordenador de Lisboa da Iniciativa Liberal, Rodrigo Melo, até agora deputado na Assembleia Municipal de Lisboa, no quarto lugar da lista, a vice-presidente do CDS, Maria Luísa Aldim, em sexto (a seguir ao também centrista Diogo Moura), e em oitavo o liberal Vasco Anjos, cujo currículo inclui a Direção Municipal de Finanças e a Direção Municipal de Recursos Humanos da Câmara de Lisboa, as escolhas de Carlos Moedas vieram ao encontro do seu discurso de que “alguns partidos” erram ao considerarem que a política “se faz exclusivamente de lealdades partidárias, que tantas vezes sacrificam o mérito à bolha partidária”. Daí que, entre os vereadores que a coligação Por Ti, Lisboa acredita poder eleger a 12 de outubro, quatro anos depois de a Novos Tempos ter obtido apenas sete - tantos quanto a coligação PS-Livre, somando-se-lhes dois vereadores comunistas e um bloquista -, estejam outros dois independentes que foram indicados pelo PSD, mais precisamente por Moedas: no sétimo lugar, o professor universitário Vasco Moreira Rato, que foi adjunto da vereadora da Habitação e Obras Municipais, Filipa Roseta, enquanto no nono está Ana Gattini, diretora do Departamento de Avaliação de Projetos da Direção de Competitividade das Empresas do Turismo de Portugal.Além da prevalência de independentes ter irritado alguns militantes lisboetas do PSD, Carlos Moedas também recebeu nos últimos dias uma enxurrada de mensagens a dar conta do desagrado com a influência do líder concelhio social-democrata Luís Newton, envolvida na Operação Tutti-Frutti, na preparação das listas para as juntas de freguesia, instando o presidente da Câmara de Lisboa a não “abandonar aqueles que lhe dão a possibilidade de ser eleito”. Ao que o DN apurou, os epicentros da contestação social-democrata na capital foram as freguesias das Avenidas Novas e Arroios, apesar de nesse último caso a cabeça de lista voltar a ser a centrista Madalena Natividade..Jonet avança em Cascais.Para o último dia do prazo ficou também a entrega das listas da coligação PSD-IL-PAN com que o social-democrata Marco Almeida conta ser eleito presidente da Câmara de Sintra, depois de ser derrotado por Basílio Horta em 2013 e 2017. Com o fundador do CDS, três vezes eleito pelo PS, impossibilitado de se recandidatar, nem a concorrência da ex-ministra socialista Ana Mendes Godinho e da deputada do Chega Rita Matias tem abalado a confiança do antigo vice-presidente da autarquia.Marco Almeida terá consigo a atual deputada social-democrata Andreia Bernardo, como segunda da lista, com a liberal Eunice Baeta na terceira posição. Seguem-se Francisco Pinho Duarte e Fiipa Guimarães, do PSD, com Isabel Figueiredo do Carmo, representante do PAN, em sexto, e Nuno Cavaleiro, da Iniciativa Liberal, em sétimo. Já a lista da coligação Sempre com os Sintrenses para a Assembleia Municipal de Sintra vai ter Fernando Seara como cabeça de lista, procurando beneficiar dos três mandatos em que presidiu a Câmara de Sintra.Confirmada ficou também a presença da candidatura independente do comentador televisivo João Maria Jonet nos boletins de voto de Cascais. O até agora militante social-democrata apresentou nesta segunda-feira 5200 assinaturas e listas que incluem Castro Henriques, ex-administrador do Millennium BCP, Ana Clara Justino, antiga vereadora da Educação e da Cultura da Câmara de Cascais, e Diogo Capucho, arquiteto e ex-diretor municipal do Planeamento do Território e Urbanismo, que é filho de António Capucho, antigo presidente da Câmara de Cascais. O cabeça de lista para a Assembleia Municipal é o advogado Leonel Gomes Cá, com Jonet a defender que “a pluralidade da candidatura se mede em nomes e história”, salientando a presença do ex-vereador centrista João Sande e Castro, do ex-vereador social-democrata Rui Ribeiro e de João Cordeiro, que foi candidato independente apoiado pelo PS nas autárquicas de 2013.Em Braga foram entregues as listas da coligação PS-PAN, com o antigo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, enquanto cabeça de lista. Depois de ter falhado a hipótese de o Livre integrar as listas, num concelho onde os socialistas contam beneficiar da saída do social-democrata Ricardo Rio, por limitação de mandatos, o primeiro nome indicado pelo PAN, Afonso Fernandes, aparece em oitavo lugar da lista, pelo que a sua eleição é virtualmente impossível.