"Não passei à segunda volta destas eleições", começou por constatar, no seu discurso ao final da noite eleitoral, João Cotrim de Figueiredo. Ao que imediatamente um apoiante na sala grita em reposta, "não deixaram".É com este sentimento de injustiça que a Iniciativa Liberal sai de uma campanha em que ficou pelo "foi quase" ou pelo "é a vida", duas das expressões mais ouvidas nas conversas entre os presentes, envoltos em abraços e congratulações pelo trabalho, embora sem o resultado almejado.O culpado deste cenário, para os liberais, tem nome. É no primeiro-ministro Luís Montenegro que Cotrim de Figueiredo credita o peso do seu terceiro lugar nestas eleições, embora admita que seja "uma derrota pessoal"..Como um justiceiro injustiçado, sendo alguém que, acredita, poderia ter livrado o país do confronto que será decisivo na segunda volta, o liberal não poupa a acusação. "Conforme fui alertando, os portugueses estarão confrontados na segunda volta com uma péssima escolha entre António José Seguro e André Ventura", ao que o público concorda efusivamente.."Embora hoje exista em Portugal uma maioria social de centro-direita, é provável que venhamos a ter um Presidente da República oriundo do Partido Socialista. Tal ficará a dever-se exclusivamente a um erro estratégico da liderança do PSD. Apesar dos apelos que fiz, Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do interesse do seu próprio Partido. Luís Montenegro não esteve à altura do lugar de Francisco Sá Carneiro..Questionado pelos jornalistas sobre as representações da direita no país, e se André Ventura é, como definido pelo próprio, o novo líder deste espectro político no cenário nacional, Cotrim de Figueiredo afirma que é preciso rever a forma de olhar para a política."Se continuamos a olhar para a política como uma espécie de jogo preto e branco, não vamos conseguir focar naquilo que realmente interessa, que é a atitude perante aquilo que tem que ser a alteração das condições de vida das pessoas", ao que completa. "Não sei em que espaço André Ventura pensa que é líder.".Apoio da IL ainda em abertoCotrim de Figueiredo está decidido a "não recomendar" nenhum voto na segunda volta. Já a presidente da Iniciativa Liberal não confirma se o partido vai apoiar algum candidato. Ainda durante as primeiras projeções, quando tinha "esperança", Mariana Leitão recusou "fazer cenários" sem ouvir os órgãos do partido."Neste momento em que não temos ainda os resultados finais e não tendo ainda feito os procedimentos que é suposto, porque eu estou aqui a falar enquanto presidente de um partido, não estou a falar apenas por mim própria e, portanto, obviamente, tenho de seguir os procedimentos que estão em cima da mesa, ouvir a minha direção, ouvir os órgãos do partido, coisa que, como devem imaginar, nem sequer se verificou", respondeu a deputada aos jornalistas na sede de campanha de Cotrim de Figueiredo, em Lisboa..Mariana Leitão aproveitou para destacar a mobilização alcançada pelo candidato. "Uma campanha extraordinária, mobilizadora de esperança, de futuro e que, obviamente, também contribuiu e muito para que as pessoas também saíssem do sofá e mostrassem que têm esta vontade. Isso por si só, falar em derrota, desculpem, não consigo olhar para as coisas dessa maneira", disse.Olhar para a derrota com outros olhos é o exercício que fica para os liberais. Para o próprio candidato, embora o sentimento de injustiça tenha ficado marcado, fica também um recado para o futuro."Esta campanha mostrou que há espaço em Portugal para uma política diferente. Uma política que é séria, mas não é aborrecida. Que é exigente, mas não é insensível. Uma política que encara o futuro sem medo. Apesar do resultado, ninguém pode apagar o que foi feito. Ninguém pode voltar a fechar o caminho que hoje se abriu"..Seguro: "Todos são bem-vindos, não há reserva de admissão".Pacheco de Amorim: "Qualquer omissão de Montenegro será penalizadora para a direita que ele diz representar"