José Luís Carneiro, secretário-geral do PS.
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS.FOTO: FILIPE AMORIM/LUSA

Carneiro considerou que será difícil que UGT aprove alterações às leis laborais

O secretário-geral do PS considera que “até ao último minuto" há a expectativa de haver "um entendimento que significaria o Governo abdicar de alguns dos pilares que trouxe para a negociação”.
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O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou esta quarta-feira, 22 de abril, que será difícil que a UGT venha a aprovar as alterações à legislação laboral tendo em conta a “forma como o Governo tem encarado o assunto”.

Em entrevista à agência Lusa, que será publicada na íntegra na sexta-feira, o líder do PS não se mostrou confiante que a central sindical venha a aprovar a proposta do Governo para mudar as leis laborais, decisão que será tomada na quinta-feira na reunião do secretariado nacional da UGT.

“À luz do posicionamento da própria ministra [do trabalho] e das declarações públicas e da forma como o Governo tem encarado o assunto, parece-me difícil. Mas, como digo, quando as pessoas querem, as coisas acontecem”, respondeu.

Na perspetiva de José Luís Carneiro, se a central sindical viesse a aprovar estas alterações “era bom sinal”.

“Era sinal que tinha havido ajustamento de posições, nomeadamente as posições do Governo. Mas não me parece, pela expressão pública que eu ouvi do secretário executivo e também da parte de um respeitado dirigente sindical, o Sérgio Monte, vejo que o ponto de situação não é o ponto adequado a haver um acordo”, apontou.

Considerando que é preciso esperar “pelo fim do diálogo”, o secretário-geral do PS lembrou que esta quarta-feira o Presidente da República está a receber os parceiros sociais.

“Até ao último minuto há sempre que ter a expectativa de que possa haver um entendimento que significaria o Governo abdicar de alguns dos pilares que trouxe para a negociação”, enfatizou.

Depois de ouvir vários empresários, Carneiro considerou que “dá a ideia que ninguém pediu ao Governo que avançasse com esta legislação”.

“Porque é que o Governo avança com uma proposta de legislação que não levou às eleições, nem no programa eleitoral, nem na campanha eleitoral (…). Portanto, se havia uma intenção e não foi assumida em campanha eleitoral, então houve uma intenção de esconder das pessoas e isso é pior, porque quebra o vínculo de confiança dos cidadãos com o primeiro-ministro e com o Governo”, criticou.

Pela parte do PS, o líder do partido reiterou que haverá sempre disponibilidade “para dialogar, discutir e construir soluções que permitam adaptar a economia e as empresas portuguesas” ao qual contexto.

“Para que é que nós não estamos disponíveis? Não estamos disponíveis para lançar os trabalhadores na precariedade, particularmente os trabalhadores mais jovens, para desproteger as famílias no que respeita à compatibilização da vida pessoal, da vida profissional com a vida familiar. E não estamos disponíveis também para promover o emprego informal e a economia informal”, avisou.

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